A Odisseia de André Suguita: a realidade

Naquele momento eu já não me importava mais com o rali. Eu estava muito mais preocupado com a minha integridade física e em voltar, pelo menos, a um estado em que eu tinha controle do meu próprio corpo

“Se você tem tudo sob controle, você não está rápido o bastante”
Mario Andretti
 
*em depoimento a JULIANA TESSER
arte de RODRIGO BERTON

PARTE 1: O sonho
PARTE 2: A REALIDADE
PARTE 3: A lição (confira nesta sexta-feira)
 
Da segunda até a décima etapa, era uma surpresa atrás da outra. Era um dia pior do que o outro. O pior momento não foi nem na etapa que eu considero a mais difícil, mas foi na que eu quase desisti do rali. Eu não sabia se ia ter condições de largar no dia seguinte, que foi no primeiro dia da maratona, de Iquique para Uyuni.
 
Além da dificuldade do percurso em si, uma coisa que eu não esperava — e foi a parte que eu fui menos preparado — é a questão dos extremos que a gente tem de lidar durante a corrida. Por exemplo, no segundo e no terceiro dia, as temperaturas estavam chegando a 47°C, 50°C. Nessa etapa de Uyuni, a gente largou com 4°C e, no meio da especial, pegamos uma chuva torrencial. Eu estava só com a minha jaqueta de rali e o equipamento de proteção, e a temperatura baixando cada vez mais com o cair da tarde. Chegou uma hora que eu não conseguia mais. Eu não tinha mais condições.
 
Com a chuva, a gente acaba tendo que tirar os óculos. O equipamento de navegação estava encharcado e não funcionava mais. Eu e mais três pilotos de moto nos perdemos. A gente não sabia mais onde estava, estávamos molhados até o último poro e a temperatura caindo. Esta foi uma hora das mais críticas porque não estávamos mais competindo; estávamos, realmente, sobrevivendo. Nós quatro nos juntamos, tentamos achar o caminho durante alguns minutos, e aí nos perdemos ainda mais. Acabamos dando muita sorte ao cruzarmos com um carro que estava na estrada: ‘Olha, vocês estão muito longe da prova. Os caras estão a uns 15, 20 km de onde vocês estão’. Então a decisão que nós quatro tomamos na hora foi a de esquecer o rali e tentar chegar na cidade de Uyuni para tentar se aquecer e tentar simplesmente continuar com a saúde em dia.
 
Foi um momento muito crítico. E até um pouco triste.
André Suguita (Foto: Vinícius Branca)
O rapaz falou para gente: ‘Segue para lá!’, e apontou com o dedo a direção. ‘Se vocês andarem aí, daqui uns 20 minutos vocês devem chegar na estrada’. Era essa a informação que a gente tinha. Nós quatro começamos, e depois de cinco minutos, o francês e o inglês falaram: ‘Não, a gente não aguenta’. Eles encontraram uma casinha de barro e disseram: ‘Vamos ficar por aqui, senão a gente vai morrer de hipotermia’. Eles ficaram nessa casinha e acabou ali o rali para eles.
 
E eu e o argentino falamos: ‘Não, vamos tentar’. E a gente combinou — naquela hora foi um negócio meio sério: ‘Não sei quanto tempo cada um de nós vai aguentar. Se, por acaso, um parar, pelo menos aperta o botão de emergência para chamar a organização para vir buscar e continua. Porque, se ficar parado esperando também, o corpo esfria e os dois vão ficar’. Foi um negócio muito tenso, momentos de pura tensão. Felizmente, a gente conseguiu chegar na estrada, e ainda tinham mais uns 20 minutos até Uyuni.
 
Eu, no meio do caminho, não aguentei e acabei parando na casinha de uma senhora. Eu tomei, literalmente, um banho de café. Eles acabaram jogando café na minha mão, na minha cabeça para me esquentar, e isso foi o que me deu forças para continuar. Se essa casinha dessa senhora não estivesse ali, eu não sei se alguma coisa pior poderia ter acontecido, mas foi um momento muito crítico para mim.
 
Cheguei no bivouac, acabei perdendo vários waypoints, mas, felizmente, do ponto de vista técnico, eu tinha cumprido 80% da prova. Isso, para todos os efeitos, não me desclassificava, e eu pude largar no dia seguinte. Mas, sinceramente, naquele momento eu já não me importava mais com o rali. Estava muito mais preocupado com a minha integridade física e em voltar, pelo menos, a um estado em que eu tinha controle do meu próprio corpo, porque eu tremia e já não sabia onde eu estava. Foi uma situação muito ruim. Não foi o dia mais difícil do rali; o dia mais difícil, mesmo, do ponto de vista técnico, foi o segundo.
 
O sistema que eles têm de monitoramento, de segurança, não tem nada melhor no mundo. Se você se perde, por exemplo, a organização identifica, entra em contato contigo. Esse sistema, o Iritrack, é um via satélite em que eles monitoram 24 horas por dia a situação de cada piloto. Mas, por exemplo, a organização não está preocupada se você vai ter que largar às 4h da manhã com a temperatura a -2°C. Isso faz parte da corrida. Essa é uma característica do Dakar. A organização também não suspende a prova se a temperatura está 50°C. Tanto que teve um rapaz lá que morreu. Isso é o Rali Dakar. É um rali mais duro e eu estava mal acostumado aqui. No Brasil, você não tem esse tipo de situação. Acho que se chegar em uma situação extrema dessas, é muito fácil: o organizador simplesmente cancela a especial, e a gente vai para o dia seguinte. Lá não existe isso.
 
No próprio dia de Uyuni, antes da largada, a organização sabia que estava chovendo lá no meio e que estava frio. Mesmo assim, eles recolheram os casacos de todos os pilotos que estavam dispostos a deixá-los lá. Como eu não fazia ideia do que eu estava fazendo, eu deixei o meu lá com a organização. O piloto não tem um tratamento especial. Uma parte do desafio é você saber se virar nessas situações extremas.
 
Se eu pudesse voltar atrás, eu teria me informado melhor em relação a isso e teria levado, por exemplo, roupa apropriada para o frio. Uma coisa que eu nunca imaginei que eu ia passar é por uma altitude de 4.900 m e que estaria chovendo lá no pico num monte coberto de neve. Imagina, no Rali Dakar vai fazer um calor desgraçado… O organizador, quando você recebe os materiais, não coloca lá uma listinha de itens que você deveria estar levando: uma roupa de frio extremo, uma roupa de neoprene, por exemplo. Não existe esse cuidado. É cada um por si.
 
#GALERIA(5211)

O rali não termina quando você termina a especial e você chega ao acampamento. A intensidade da prova para o piloto amador, que é o meu caso, a gente chega muito depois dos pilotos profissionais. A gente larga mais tarde e a gente chega, consequentemente, também mais tarde. A gente é mais lento que os pilotos profissionais, então, apesar de algumas vezes a gente cruzar… Por exemplo, o Rafal Sonik, que foi o campeão, eu conversei com ele inúmeras vezes, mas a minha relação com ele era prévia, foi dos meus contatos anteriores com ele aqui no Rali dos Sertões. Se eu não tivesse conhecido ele anteriormente, provavelmente eu não teria falado nem ‘oi’ para ele lá no Dakar.
 
Tem alguns momentos que são — e acho que isso é um negócio muito legal do Dakar; é o espírito original do rali — os dias de maratona. Você acaba tendo zero de suporte, não tem apoio nenhum da sua equipe de assistência, e, no primeiro dia, que foi o de Uyuni, dormimos em um quartel, literalmente, e no segundo, a gente dormiu no chão de um ginásio esportivo, com goteira no teto e tudo mais. E estava lá o Rafal, estava lá o Marc Coma. O Marc Coma estava dormindo e roncando a quatro metros do meu lado. Eu fiquei sentado conversando horas com o Jean Azevedo que, para mim, sempre foi um ídolo. Apesar de eu nem conhecer o Jean aqui das provas, é um cara que eu admiro pra caramba. É um contato bacana, mas muito limitado porque a intensidade para o piloto amador é outra.
 
Eu tinha uma rotina que era tudo contado. Chegava da especial, passava para o meu mecânico o que tinha de ser feito no meu quadriciclo, corria para tomar o banho gelado — porque não tem ducha quente, a gente toma banho frio todo dia. Tinha dia em que eu esquecia o meu chinelo e, se eu voltasse para buscar, eu perdia 20 minutos. Eram 20 minutos a menos de sono. Então era naquela lama mesmo que eu tomava banho. Aí você tomava banho, eram 20 minutos para jantar e depois tinha a rotina de marcação de planilha, que é um negócio que é super importante para o piloto. Aí você gasta uma, duas, três horas às vezes marcando planilha, e, na média, a gente dormia quatro, quatro horas e meia, então você não tem tempo para conviver com ninguém. Eu mal conseguia falar com os meus colegas, com o meu Team Manager, que era o Avê, da Bike Box, e com o mecânico. É um negócio meio que de guerra. Uma intensidade absurda. Tudo que você faz, você faz correndo. Por isso, você acaba tendo muito pouca relação com os pilotos, mas, eventualmente, você até conversa com um ou outro.
 
Minha ficha foi cair acho que no sexto dia do rali, se não me engano, quando a gente estava chegando em Copiapó. Eu não estava conseguindo subir uma duna, tirei meu capacete na base, comecei a desinflar os pneus e a olhar os caminhões passando e subindo nas dunas. É uma coisa maravilhosa. Para um piloto amador, como é o meu caso, você percebe naquele momento que você faz parte do Rali Dakar. Você está no meio daqueles caras súper profissionais, dos melhores pilotos de rali do mundo, e você está ali subindo a mesma duna que ele. Você está tendo a mesma dificuldade às vezes que um piloto de ponta está tendo, então vê que eles não são super-humanos. Eles são, definitiva e infinitamente, melhores do que eu, mas está todo mundo sofrendo junto ali. Aquilo lá não é fácil para ninguém. O fato de você estar naquele rali, de você ver aquilo tudo acontecendo, para mim foi maravilhoso. Foi um dos momentos em que eu parei para pensar e respirar, e foram momentos muito felizes. Foi um dos poucos momentos de alegria que eu tive no Dakar. O Dakar para mim foi 90% sofrimento e 10% prazer. Não é brincadeira.
 
Eu não tenho a menor vontade de voltar ao Dakar. Não tenho. Não tenho a menor vontade de voltar. Foi a realização de um sonho, foi uma experiência única, e uma grande lição de vida, mas eu já aprendi. Eu não preciso ir de novo para aprender a lição. Eu não me arrependo em hipótese alguma. Foi quase que uma história de conto de fada para um cara que chegou ao terceiro dia e tinha certeza de que não ia terminar. Ter chegado lá no final em décimo lugar, segundo melhor iniciante na categoria quadriciclos, segundo melhor na categoria 4×4… Eu não poderia sonhar com nada melhor do que isso. Eu não poderia me dar ao luxo de sonhar com nada melhor do que isso. Eu já conquistei tudo que eu precisava nesse sentido de Dakar. Se eu fosse de novo, já estaria testando demais a minha sorte. Deus já foi muito generoso comigo, eu já tive muita sorte… Eu não me machuquei seriamente, os problemas mecânicos que eu tive foram problemas razoavelmente fáceis de resolver, então também não quero abusar muito.
 
Isso para mim é hobby, hobby de verdade, então a partir do momento em que deixar de ser hobby e eu precisar ir lá para fazer algum resultado, talvez perca totalmente o encanto para mim. Esse aqui eu já marquei na minha listinha. Era o meu grande sonho. Estava até falando para o meu pai quando a gente estava voltando: ‘Putz, pai, agora não sei mais o que eu vou fazer. Vou correr talvez um Baja na Califórnia, uma corrida de um dia lá em Las Vegas, um rali na Sardenha, um Abu Dhabi da vida, mas um Dakar, mais um Dakar, não é um negócio que me atraia não. É muito difícil.’
 
Eu voltei cada vez mais admirado pelos pilotos de ponta. O que esses caras fazem é impressionante. A estrutura de equipe deles é completamente diferente da minha. Eu fui com amigos. Eu fui com o Avê, que é a pessoa que eu mais confio. Se o Avê não tivesse ido para o Dakar, eu não teria ido para o Dakar também. É nessa proporção. É o cara que eu confio piamente, seja para montar a minha barraca, para limpar os meus óculos, para me dar um tapa nas costas quando as coisas estão ruins, para ir buscar uma fruta para mim quando eu tô caído, para coordenar toda a parte de mecânica e logística do quadriciclo e da prova… A partir do quinto dia, que foi muito ruim — tive problemas mecânicos que eu resolvi, literalmente, por milagre — eu cheguei em 23º neste dia, um resultado horroroso — tinham 40 e tantos quadriciclos —, a gente comemorou como se tivesse ganho o rali naquele dia. A gente gritava e pulava. A vida do amador é essa. O desafio é outro, é chegar. A gente não olhava em que posição tinha chegado.
 
Não tem como você competir com um cara de ponta que têm três mecânicos trabalhando para ele de madrugada, desmontam o quadriciclo inteiro e remontam; ele tá dormindo no motorhome, tomando banho quente, tem duas motinhas para transportar ele entre o motorhome e o refeitório, esse cara tem tempo para dar entrevista, tá sempre com o cabelinho arrumado… Eu dormia com a minha roupa do dia seguinte, para você ter uma ideia, para conseguir ter mais 20 minutos de sono. Então é outra realidade.
 
Mas esses caras merecem. Não é por acaso. Com certeza ele já deve ter passado por algum perrengue para chegar aonde chegou. Eu não estou disposto a fazer isso em hipótese alguma. Não quero fazer disso uma profissão. Eu quero continuar andando de quadriciclo nos finais de semana, esporadicamente como eu sempre fiz.
André Suguita chegou em décimo lugar no Dakar nos quadriciclos(Foto: Vinícius Branca)
Na minha rotina de Dakar faltou muito na parte de treinamento, porque eu andava de quadriciclo a cada duas, três semanas. No meio do Dakar tinha um aniversário, e eu fiquei na festinha. Não deixei de ir na festinha de aniversário para treinar. Se eu passasse a fazer isso, a minha vida pessoal e profissional estaria sendo impactada de uma forma que não seria legal. Para mim, o que me deixa mais contente é que eu consegui correr o Dakar e conciliar a minha vida pessoal e profissional nesse período. As coisas não desmoronaram. Talvez seja um desafio tão grande quanto completar o rali.
 
Minha família sofreu junto, esposa e filhinha, que vai fazer dois anos agora. Eu fiquei 14 dias sem vê-la, e isso dói. E meu pai tem 77 anos de idade e estava lá desde o primeiro dia de rali. Foi quem me comprou meu primeiro quadriciclo. Ele não estava lá acompanhando diariamente, porque também não tem condições, mas me acompanhou em metade das cidades. Ele estar lá no dia de descanso, poder ficar com ele, conversando com ele, isso tudo para mim foi muito importante. São coisas de amador. É a cabeça do cara que não é piloto, mas para mim isso foi muito importante para conseguir continuar na prova, porque é muito fácil você desistir. Dá vontade.
 
Várias horas eu parei e falei: ‘Cara, o que eu estou fazendo? Isso aqui não é para mim, eu não estou preparado para isso. Isso aqui é demais para mim’. Bateu o arrependimento de não ter feito um preparo físico adequado, bateu o arrependimento de eu não ter me preparado melhor com esse quadriciclo, de conhecer um pouco melhor a mecânica dele, mas, putz!, apesar de tudo isso, a gente respirava fundo e continuava.
 
A cabeça estava boa. E a cabeça estava boa pela relação que eu tinha com a minha equipe de apoio e com a minha família.
 
UM OUTRO MASSA

Confiança renovada. Talvez seja este o principal ponto positivo da mudança de Felipe Massa para a Williams. A troca de equipe no início de 2014, nas palavras do próprio piloto, foi uma virada na carreira. Há um ano na Williams, é Felipe Massa quem faz a avaliação de que sua confiança está “muito acima” do que nos tempos de Ferrari. O que aconteceu entre 2010 e 2013 foi deixado no passado. “Estou muito bem. Consegui dar uma virada naquilo que estava acontecendo e que eu estava passando na Ferrari. Estou muito bem, feliz, 100% motivado e com uma confiança muito acima do que eu estava quando saí da Ferrari”, diz o piloto de 33 anos em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO no motorhome da Williams em Jerez de la Frontera, durante o primeiro teste da pré-temporada.

Confira a entrevista exclusiva completa com Felipe Massa no GRANDE PRÊMIO

MISSÃO A CUMPRIR

"Vou ganhar outro campeonato antes de me aposentar". É o que diz Pat Symonds, diretor-técnico da Williams e um dos pilares do renascimento da equipe de Grove. O veterano falou em uma entrevista ao site oficial da F1 sobre como encontrou a Williams em 2013, o que pensa do futuro da equipe, da categoria e de si mesmo e analisou seus pilotos. 

Leia a reportagem completa no GRANDE PRÊMIO

 A ODISSEIA DE ANDRÉ SUGUITA
Trader do mercado financeiro, André Suguita, paulista de 34 anos, aproveitou uma pausa em suas atividades em bancos de investimento para montar em um quadriciclo Can-AM Renegade e encarar os 9.295 km do Dakar — 4.752 deles de trecho cronometrado. Recém-chegado da aventura por Argentina, Bolívia e Chile, Suguita conversou com o GRANDE PRÊMIO e deu um relato entusiasmado de sua aventura. Décimo colocado na edição 2015 e primeiro brasileiro a completar o Dakar a bordo de um quadriciclo, André sentiu na pele as dores, os medos e as alegrias da maior prova off-road do mundo. Em ‘A Odisseia de André Suguita’, o GP traz um impressionante relato em três capítulos do brasileiro que realizou um sonho de infância e, de quebra, trouxe na bagagem lições que levará para toda a vida.

Dakar.

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