Rali

Adversários se marcam em nona etapa vencida por 'outsider' Metge. Price fica a um dia do bi do Dakar

O nono e penúltimo dia do Rali Dakar 2019 foi marcado pela estratégia. Com diferença bem reduzida, os ponteiros evitaram correr riscos, andando próximos uns dos outros na especial em laço em Pisco. A vitória ficou com o francês Michael Metge, da Sherco. E Toby Price está a um dia de ampliar a série de vitórias da KTM pelo 18º ano seguido
Warm Up / FERNANDO SILVA, de Sumaré
Etapa em laço
9ª etapa – Pisco – Pisco
Trecho de especial: 313 km
Deslocamentos: 96 km
Trecho total: 409 km
 
A nona e penúltima especial do Rali Dakar nas motos foi marcada pela estratégia. Com os quatro primeiros colocados — Toby Price, Pablo Quintanilla, Matthias Walkner e Adrien Van Beveren — separados por menos de dez minutos, ninguém se arriscou em demasia nesta quarta-feira (16), na etapa em laço ao redor de Pisco, no Peru. Com os principais adversários se marcando uns aos outros, as diferenças estabelecidas na decisiva oitava especial se mantiveram, com apenas uma mudança significativa: o abandono de Van Beveren por quebra do motor. O 'outsider' Michael Metge, da francesa Scherco, triunfou na etapa, enquanto Price, também da marca austríaca, caminha para confirmar seu segundo título do Dakar na chegada da prova a Lima nesta quinta-feira.
 
A especial em Pisco teve como peculiaridade a largada, na qual os dez primeiros colocados da última etapa largaram lado a lado: Walkner, Price, Van Beveren, Quintanilla, José Ignacio Cornejo, Sam Sunderland, Xavier de Soultrait, Andrew Short, Kevin Benavides e Luciano Benavides. Os pilotos tiveram de encarar um desafiador percurso marcado por altas dunas, o que compreende grande desafio, sobretudo à navegação, ao longo de 313 km. 
 
No caso de Price, a jornada era ainda mais difícil. Mesmo depois de ter assumido a liderança no momento decisivo, o australiano tinha outro adversário além dos seus principais concorrentes nas areias do deserto peruano: uma forte dor no punho. Ainda assim, o campeão de 2016 conseguiu administrar a liderança geral do Dakar com um dia para o desfecho da prova na capital peruana.
Mesmo com dores no punho, Toby Price está a um dia do bicampeonato do Dakar (Foto: Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool)
Com os principais pilotos andando praticamente em comboio, na estratégia de evitar riscos nesta fase final do Dakar, o boliviano Daniel Nosiglia Jager, que corre com uma moto Honda, passou como líder nos dois primeiros waypoints. Em seguida, a normalidade se estabeleceu novamente, e o ‘outsider’ foi superado pelos competidores mais rápidos, com destaque para Sunderland, que assim como Kevin Benavides, acabou sendo punido, o que resultou na perda da sua vitória na oitava etapa.

No quinto e último waypoint antes da zona de meta, os pilotos andaram muito próximos, a ponto de a diferença para o líder provisório, que passou a ser Kevin Benavides, para Sunderland, que havia caído para décimo, foi de meros 36s.Restava então apenas a zona de meta para a confirmação do vencedor da etapa e da definição da classificação geral antes do dia derradeiro do Dakar. Na linha de chegada, porém, a liderança da especial mudou pela última vez, com Michael Metge levando a Sherco a uma inesperada vitória. O francês terminou na frente, com exatos 2min de frente para Nosiglia. E aí, Quintanilla, Walkner e Price fizeram praticamente o mesmo tempo, com o chileno levando a melhor por apenas 1s.
 
Na esteira dos resultados da etapa desta quarta-feira, Price sustenta a liderança geral do Dakar nas motos, com apenas 1min02s de frente para Quintanilla. Uma diferença que praticamente não mudou em relação a terça-feira, quando 1min03s separavam os dois melhores colocados. A sequência do top-5 também permanece inalterada, com Walkner em terceiro, 6minh35s atrás do líder. Com o abandono de Van Beveren, o surpreendente norte-americano Andrew Short, companheiro de equipe de Quintanilla na Husqvarna, pulou para quarto, mas distante 40min01s da liderança. E Xavier de Soultrait, com a Yamaha de fábrica que restou antes da última etapa, completa o top-5.
 
Assim, com a tendência de a estratégia de evitar correr riscos, adotada pelos pilotos do primeiro pelotão se repetir nesta quinta-feira, apenas um grande problema mecânico tira o bicampeonato de Price, que caminha para ampliar para 18 anos a dinastia da KTM na competição de motos do Rali Dakar.


Em novo 1-2-3 argentino, Andujar supera ‘quase campeão’ Cavigliasso
 
Nicolás Cavigliasso está a apenas 112 km de ser o terceiro argentino a vencer o Rali Dakar. Seguindo os passos dos irmãos Marcos (tricampeão em 2010, 2013 e 2016) e Alejandro Patronelli (detentor dos títulos de 2011 e 2012), Cavigliasso vai mantendo a supremacia do país na disputa dos quadriciclos.
 
Nesta penúltima etapa do Dakar, a Argentina novamente garantiu a trinca, mas desta vez com Manuel Andujar como o mais rápido. O piloto do quadriciclo Yamaha #273 completou a especial em laço ao redor de Pisco em 4h41min31s, com 4min59s de frente para Cavigliasso, enquanto Jeremias González Ferioli foi o terceiro. 
Nicolas Cavigliasso está muito perto de vencer pela primeira vez o Dakar (Foto: Magnus Torquato/Fotop/ASO)
Alexandre Giroud, o melhor europeu da prova dos quadris em 2019, foi o quarto da etapa, com Gustavo Gallego fechando a relação dos cinco mais rápidos.
 
Diante de uma etapa derradeira, na qual tem como única missão levar o quadriciclo à zona de meta sem problemas ou erros, Cavigliasso chega ao último dia com confortáveis 1h40min19s de vantagem para Ferioli, e Gallego fecha a trinca argentina na classificação geral com atraso de 2h04min34s.