Após tragédia em La Coruña, presidente da FIA convoca reunião de emergência para discutir segurança nos ralis

Jean Todt convocou reunião de emergência para a próxima quarta-feira (9) em Genebra, na Suíça, depois da tragédia que matou sete pessoas no Rali de La Coruña, no último sábado, para discutir termos de segurança na modalidade

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A tragédia que matou sete pessoas e feriu 16 no Rali de La Coruña, na região da Galícia, na Espanha, será tema de uma reunião de emergência da Federação Internacional de Automobilismo na próxima quarta-feira (6). O encontro, que envolverá Jean Todt, ex-navegador no Mundial de Rali nos anos 80, e integrantes da comissão de segurança de rali da FIA ao redor do mundo, vai avaliar o que é preciso mudar para que tragédias como a que ocorreu no último sábado não mais se repitam na modalidade.

A batida aconteceu após um carro descontrolado acertar o público enquanto em alta velocidade.

Entre os mortos, segundo o jornal espanhol 'El País' — que cita pessoas da Guarda Civil como fontes —, estão quatro mulheres, uma delas menor de idade e outras duas grávidas, e dois homens. Uma das crianças feridas morreu no último domingo. Não se sabe ao certo a situação dos bebês. Os nomes das vítimas ainda não foram divulgados.

Desastre no Rali de La Coruña (Foto: Reuters)

A batida aconteceu quando os carros passavam pela cidade de Carral, distante 20 km de Le Coruña, num local considerado de pouca periculosidade e, por isso, notório por ser recheado com pessoas do público acompanhando. Um dos carros, um Peugeot 206 guiado por Sergio Tabeayo e Luis Prego, perdeu o controle a tocar num desnível no terreno. Piloto e copiloto saíram ilesos, mas, segundo membros da proteção civil, estão "piores que os familiares" em termos psicológicos.

“O presidente da FIA, Jean Todt, convocou uma reunião em Genebra no dia 9 de setembro com os presidentes das comissões da FIA envolvidas na segurança do rali. O objetivo da reunião é revisar os trágicos acidentes ocorridos recentemente e avaliar cada possível medida adicional para apoiar e fortalecer os esforços dos organizadores em relação à segurança dos espectadores e dos pilotos”, diz o comunicado emitido pela entidade.

A tragédia na Galícia não foi a única registrada recentemente. Em maio, uma criança de seis anos morreu no Rali Donnelly, realizado na Austrália, e outros três espectadores morreram no Rali da Estônia.

Também por meio de comunicado, a One Seven, equipe que organizou o Rali de La Coruña, prestou solidariedade às famílias das pessoas que perderam a vida na tragédia ocorrida no fim de semana.

“Queremos mostrar nosso maus profundo pesar, assim como o máximo respeito pelas vítimas, feridos e suas respectivas famílias. Todos os membros da escuderia e o mundo do automobilismo em geral estamos unidos em sua dor. A vida nos coloca à prova dia após dia, mas jamais estaremos preparados para uma fatalidade como esta. Estamos, todos, completamente devastados”, disse a empresa, que garantiu prestar toda a assistência possível às vítimas e seus familiares.

Em reportagem publicada pelo jornal ‘El País’, A Equipe de Reconstituição de Acidentes de Tráfego, ligada à Guarda Civil, vai apurar as causas do acidente. Por isso, os agentes da entidade solicitaram gravações feitas por celular antes e depois da tragédia para verificar se os organizadores tomaram providências para resguardar a segurança do público ao redor da pista.

Ainda segundo o diário, um integrante de uma das equipes presentes na prova afirmou no último domingo que alguns dos responsáveis pela competição cogitaram a possibilidade de neutralizar o trecho onde ocorreu a tragédia justamente devido à quantidade de público no entorno do traçado. Fontes dizem também que, previamente, “a organização havia ordenado mover o público para a margem esquerda da pista” por considerar que nesse trecho não havia perigo”.

Carlos Sainz, lendário bicampeão mundial de rali e vencedor do Dakar, expressou sua preocupação com a tragédia ocorrida na Espanha no último fim de semana. Ouvido pela reportagem da revista britânica ‘Autosport’ no último domingo (6), em Monza, o piloto lamentou o acidente em La Coruña.

“Isso não pode acontecer de novo. Não conheço bem este lugar, nunca competi neste rali, mas vou para lá ver e tentar entender”, disse o espanhol.

Sainz falou também sobre a proximidade do público com os trechos de corrida e cobrou por uma intervenção mais severa por parte dos organizadores, comparando com o que acontece hoje no Campeonato Mundial.

“Se eles virem que há muitas pessoas, então eles têm de cancelar [a etapa]. No WRC e em ralis nacionais, as coisas são ok, nós vemos zonas proibidas e os espectadores são proibidos de passar por elas, mas em eventos locais, talvez esses recursos não sejam facilmente disponíveis”, afirmou. “Sem esses recursos, então alguém tem de tomar tais decisões difíceis”, complementou.

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