Rali

Brabec vence primeira parte da etapa maratona do Dakar e põe Honda na liderança geral nas motos

Depois de perder Joan Barreda, a Honda voltou a vencer uma etapa do Rali Dakar 2019. Ricky Brabec dominou a primeira parte da etapa maratona, entre Arequipa e Moquegua. De quebra, aproveitou a jornada difícil para Pablo Quintanilla para assumir a liderança geral da prova. Nos quadris, Nicolas Cavigliasso manteve a ponta

Warm Up / FERNANDO SILVA, de Sumaré
Etapa Maratona
4ª etapa – Arequipa – Moquegua (motos e quadris)
Trecho de especial: 405 km
Deslocamentos: 106 km
Trecho total: 611 km
 
A Honda voltou a vencer uma especial do Rali Dakar nas motos. Ricky Brabec dominou a primeira parte da etapa maratona, com trecho cronometrado de 405 km entre Arequipa e Moquegua, em percurso exclusivo para motos e quadriciclos nesta quinta-feira (10). O norte-americano venceu pela segunda vez uma especial do Dakar na carreira e reforçou sua condição de candidato ao título ao subir para a liderança geral da prova, na esteira de uma jornada complicada para o então líder, Pablo Quintanilla.

Atual campeão do Dakar, Matthias Walkner se recuperou de um dia difícil, quando terminou em 15º, e colocou a KTM em segundo lugar na especial. Quintanilla, por sua vez, ficou 20min21s atrás de Brabec, fechou em 13º e viu cair por terra toda a sua vantagem como líder do Dakar, conquistada na quarta-feira. 

Depois de uma terceira especial muito dura e que tirou de combate Joan Barreda, um dos favoritos à vitória, o Dakar partiu para outro grande desafio nesta quarta-feira com a primeira parte da temida etapa maratona, onde os pilotos não podem recorrer a nenhum tipo de assistência externa nem no percurso da especial e tampouco no acampamento. 
Ricky Brabec venceu a primeira parte da etapa maratona em Moquegua (Foto: Honda HRC)
Xavier de Soultrait, vencedor da duríssima terceira etapa, abriu o caminho nesta manhã de quarta-feira em Arequipa rumo a Moquegua em um trecho especial de 405 km. A prova começou sem um dos brasileiros inscritos, Marcos Colvero, que abandonou a prova na quarta-feira. Assim, Lincoln Berrocal, que largou em 109º lugar, é o único representante do país nas motos.
 
De Soultrait não conseguiu repetir a boa performance de quarta-feira e ficou para trás. Quem se deu bem foi Ricky Brabec, que consolidou a posição da Honda como moto mais rápida do Dakar no momento. O norte-americano da moto #10 liderou toda a primeira parte da especial antes do trecho neutralizado de 55 km entre a primeira e segunda parte do percurso cronometrado, de 146 km. 
 
Brabec fechou a primeira parte da especial na liderança, com Matthias Walkner, o atual campeão do Dakar, em segundo, e Toby Price em terceiro, ou seja, uma Honda e duas KTM no top-3. O então líder da classificação geral, Pablo Quintanilla, passou a maior parte da primeira fase da especial entre os dez primeiros, mas chegou à zona de neutralização com 13min27s de atraso para o norte-americano da Honda.

Daí até o fim da especial, Brabec manteve a grande performance e sustentou a liderança para chegar à zona de meta, com Walkner finalizando uma boa primeira etapa maratona em segundo lugar. Toby Price levou a segunda KTM ao top-3, seguido pelo companheiro de equipe Sam Sunderland. A melhor Yamaha, que havia sido de De Soultrait na quarta-feira, desta vez voltou à normalidade com Adrien Van Beveren, quinto colocado.
 
Depois de Brabec, a melhor Honda foi a do luso Paulo Gonçalves, que vai ganhando terreno e faz um bom Dakar mesmo ainda sem estar 100% fisicamente por conta da operação no baço feita em dezembro. O português, sexto colocado na zona de meta, foi seguido por outra KTM, a do eslovaco Stefan Svitko, que corre pela equipe privada Slovnaft. Sétimo colocado, o vice-campeão em 2016 terminou à frente do chileno José Ignácio Cornejo Florimo, que corre pela equipe oficial da Honda. 
 
Kevin Benavides começou bem, entre os cinco primeiros colocados. Ao longo da especial, chegou a cair para 12º, mas recuperou algumas posições para finalizar em nono com a Honda. A surpresa do dia foi a nona colocação do espanhol Lorenzo Santolino, que vem sendo o melhor novato nas motos. O piloto da Scherco fechou a lista dos dez mais rápidos do dia.

Com quatro etapas disputadas, Brabec agora lidera com 2min19s de vantagem para Quintanilla. A KTM melhor colocada na classificação geral é a de Toby Price, em terceiro, com 4min22s de atraso para o norte-americano. Sam Sanderland vem em quarto, enquanto Adrien Van Beveren coloca a Yamaha em quinto lugar. Kevin Benavides e Matthias Walkner, em sexto e sétimo, respectivamente, também estão dentro da margem de dez minutos de diferença em relação ao líder do Dakar.
 
Paulo Gonçalves está em oitavo no geral, mas 20min45s de atraso para Brabec. Xavier de Soultrait e Stefan Svitko completam a relação dos dez primeiros das motos no Rali Dakar.
 

Cavigliasso mantém hegemonia argentina e abre vantagem na liderança nos quadris
 
A Argentina tem motivos de sobra para comemorar a participação dos seus pilotos na disputa dos quadriciclos no Rali Dakar. Em quatro etapas, foram quatro vitórias do país, e com Nicolas Cavigliasso cada vez mais líder na classificação geral. E foi justamente Cavigliasso o grande vencedor da primeira parte da etapa maratona, depois de empreender grande reação ao se ver atrás de Tomas Kubiena, Alexandre Giroud e do compatriota Gustavo Gallego.
 
Aliás, a primeira parte da especial indicou que a invencibilidade argentina cairia por terra. O tcheco Kubiena, que jamais venceu uma especial no Dakar, liderou a especial até o trecho de neutralização, com o francês Giroud em segundo.
Nicolas Cavigliasso ampliou sua vantagem na liderança nos quadris (Foto: Magnus Torquato/Fotop/ASO)
Mas na volta da prova após os 55 km de trecho neutro até a retomada da especial mostrou que Cavigliasso desponta como o grande favorito ao título nos quadriciclos. Com uma grande arrancada, o argentino superou os europeus, que perderam terreno na sequência da etapa, e venceu pela terceira vez em quatro especiais, completando a prova em 4h52min07s de tempo total.
 
Jeremias González Ferioli, que venceu a terceira etapa do Dakar na última quarta-feira, completou o 1-2 argentino com 4min11s de atraso para Cavigliasso. Só então apareceu Giroud, que sentiu o gosto de liderar a especial, mas cruzou a zona de meta em terceiro. O também argentino Manuel Andujar fez sua melhor especial no Dakar e terminou em quarto, deixando para trás o compatriota Gallego, enquanto Kubiena foi apenas o sexto.
 
Na classificação geral, o domínio argentino é ainda mais amplo, com três pilotos do país nas três primeiras posições. Cavigliasso tem agora vantagem de 34min03s para Ferioli, enquanto Gallego fecha o top-3 com 47min19s de atraso para o líder. O europeu melhor posicionado é Giroud, com 1h06min59s de desvantagem para Cavigliasso.