Rali

Com promessa de disputas acirradas e trajeto desafiador, Rali Dakar chega à 35ª edição

Começa neste domingo o maior e mais importante rali do mundo, o Dakar. Competidores disputarão 13 etapas em duas semanas, começando na Argentina, passando pela Bolívia e com encerramento no Chile. Disputa das motos é principal atração
Warm Up / GABRIEL CURTY, de São Paulo

A edição 45 da REVISTA WARM UP

A 35ª edição do Rali Dakar tem início no próximo dia 5 — novamente saindo das festividades do Ano Novo —, com partida prevista para a cidade de Rosário, a terceira mais populosa da Argentina. Pela quinta vez, a competição será realizada na América do Sul depois que a falta de segurança na rota africana tirou o Dakar de sua origem. Para 2014, há uma mudança significativa no trajeto: os competidores não passarão pelo Peru, e, sim, pela Bolívia, em um local pouco conhecido pelos pilotos: a cidade de Uyuni.

O Dakar 2014 terá o maior percurso da história na América do Sul, e as mudanças no total de quilômetros a serem percorridos são sensíveis em todas as categorias. As motos e os quadris, que em 2013 venceram 8.423 km, em 2014 enfrentarão 8.734 km. Entre os carros, aumento de 8.574 para 9.374km. Por fim, para os caminhões, ocorreu o maior acréscimo: o percurso total terá 9.188km, mais de mil quilômetros a mais que em 2013, quando foram disputados 8.121 km.

Os corredores competirão entre 5 e 18 de janeiro, em 13 etapas com um dia de folga. Serão seis dias na Argentina, um dia de descanso em Salta, um na Bolívia e seis no Chile. A chegada dos pilotos acontece em Valparaíso. O trajeto teve grandes alterações, prova disso é que apenas quatro cidades que estão na rota de 2014 fizeram parte do programa em 2013: Calama e La Serena, no Chile, e Tucumán e Salta, na Argentina.

A ROTA
As 13 etapas do Dakar 2014 (Foto: Reprodução/Dakar)
DESPRES E COMA PROMETEM DUELO SENSACIONAL NAS MOTOS

Cyril Despres (Yamaha) e Marc Coma (KTM) são duas das maiores estrelas do off-road. Antigos companheiros na KTM, o francês fechou contrato para defender a Yamaha e, apesar de reconhecer a qualidade do rival espanhol, está pronto para buscar o hexa.

“Marc é um grande competidor. Difícil de superar e extremamente experiente. Mas eu penso mesmo na vitória. E foco no meu trabalho. Acredito que em 2014 teremos um duelo forte novamente. Certamente, não será nada fácil”, disse em entrevista à REVISTA WARM UP de dezembro, publicação-irmã do GRANDE PRÊMIO.

Despres e Coma são os favoritos ao título das motos (Fotos: Victor Eleuterio e David Santos Jr/FotoArena)
Do outro lado, Coma garante viver para o Dakar. “O Rali Dakar é o ápice de tudo para quem está nessa vida do off-road. A gente se prepara o ano inteiro, compete em vários lugares, apenas pensando no mês de janeiro. É emocionante”, contou à WARM UP.

A disputa nas motos deve atrair o maior número de olhos no Dakar 2014: além da grande batalha entre os dois astros, Ruben Faria, de Portugal (KTM), Francisco López, do Chile (KTM), e os espanhóis Jordí Viladoms (KTM) e Joan Barreda (Honda) correm por fora. O experiente Jean de Azevedo (quinto em 2003 e sétimo em 2005 e 2011) e o novato Dário Júlio, serão os representantes brasileiros na categoria. Ambos vão de Honda.

QUADRICICLOS: MARCOS PATRONELLI É O CARA A SER BATIDO

Pelo segundo ano consecutivo, o argentino Marcos Patronelli (Yamaha) não terá a companhia de seu irmão Alejandro no Rali Dakar. As duas grandes estrelas dos quadris costumavam protagonizar grandes disputas, porém, com Alejandro ausente, o favoritismo da prova vai todo para o mais novo dos Patronelli. O chileno Ignacio Casale e o polonês Rafal Sonik, ambos da Yamaha, são os mais cotados para desafiarem Marcos pelo título.

NOS CARROS, PETERHANSEL BUSCA 12º TÍTULO DO DAKAR

O fenômeno francês Stéphane Peterhansel (Mini) é o favorito entre os carros. Detentor de 11 títulos do Rali Dakar, o piloto de 48 anos busca a terceira conquista consecutiva em solo sul-americanos. Ao lado de Peterhansel está o navegador Jean-Paul Cottret, presente nas últimas cinco conquistas do piloto. O grande adversário do francês é Nasser Al-Attiyah (também da Mini), do Catar. Campeão em 2011, Al-Attiyah é um “poliesportista” e tem uma medalha de bronze conquistada nos Jogos Olímpicos de Londres, no tiro esportivo. O navegador do piloto do Catar será o espanhol Lucas Cruz.

O sul-africano Giniel De Villiers, com seu navegador alemão Dirk Von Zitzewitz (Toyota) e o espanhol Carlos Sainz, com seu parceiro germânico Timo Gottschalk (Buggy) são outros candidatos à vitória.
Lenda viva do Dakar, Peterhansel compete mais uma vez de Mini (Foto: Eric Schroeder/Foto Arena)
Duas duplas brasileiras vão disputar o Rali Dakar com carros da Equipe Mitsubishi: Guiga Spinelli e Youssef Haddad chegam visando ótimas colocações. “O objetivo agora é melhorar o meu principal desempenho: que seria fechar no top-8. A meta final no Dakar é vencer. Eu não estou aqui apenas para participar.”

O experiente Reinaldo Varela (57º em 2013) corre ao lado do navegador estreante Gustavo Gugelmin. A dupla, apesar de saber das dificuldades da competição, confia no carro. “O carro é confortável, mas não pense que vai ser fácil ficar 900 km por dia dentro dele. O ASX é confiável e bem acertado. Com certeza um peso a nosso favor”, disse o navegador Gugelmin.

RUSSOS E HOLANDESES PUXAM A FILA ENTRE OS CAMINHÕES

Campeão em 2013, o trio russo comandado por Eduard Nikolaev (Kamaz) tem o favoritismo para mais essa edição. Porém, a disputa promete ser acirrada contra outros dois trios da terra do Kremlin e mais dois trios da Iveco, com pilotos holandeses.

Correndo pela Kamaz, Ayrat Mardeev e seus copilotos são, ao lado da equipe de Andrey Karginov (Kamaz), os principais concorrentes. Buscando atrapalhar o pódio russo, os trios da Iveco comandados por Gérard de Rooy e Peter Versluis podem aprontar. 
Depois de um ano, a Kamaz voltou a dominar o Dakar nos caminhões em 2013 (Foto: ASO/DPPI)