Rali

Entre “sonho realizado” e foco no título em 2020, brasileiros festejam chance de terminar Dakar no Peru

Sete competidores brasileiros terminaram entre os dez primeiros na classificação geral do Dakar nos UTVs. Além de Lourival Roldan, que correu ao lado do português Miguel Jordão, Reinaldo Varela e Gustavo Gugelmin lutaram pelo título até as etapas finais, enquanto as duplas Cristian Baumgart e Beco Andreotti e Marcos Baumgart e Kleber Cincea também foram bem

Warm Up / Redação GP, de Sumaré
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O grande êxito de pilotos e navegadores brasileiros nos dois primeiros anos de disputa do Rali Dakar nos UTVs (ou SXS), com os títulos de Leandro Torres e Lourival Roldan em 2017 e Reinaldo Varela e Gustavo Gugelmin no ano passado, atraiu ainda mais o interesse de vários competidores do país à maior prova de off-road do planeta. Tanto que nada menos nove participantes estiveram entre os inscritos na categoria na 41ª edição do Dakar, que se encerrou nesta quinta-feira (17) no Peru. 
 
Lendário navegador, Roldan formou dupla com o português Miguel Jordão. Reinaldo Varela e Gugelmin voltaram para defender o título enquanto Bruno Varela — filho de Reinaldo — fez sua estreia no Dakar ao lado do experiente copiloto Maykel Justo, antigo parceiro de André Azevedo na disputa da prova nos caminhões. A X-Rally, equipe tricampeã do Rali dos Sertões, alinhou entre os UTVs pela primeira vez com Marcos Baumgart e Kleber Cincea, além de Cristian Baumgart e Beco Andreotti.
 
Ao todo, entre os trechos cronometrados e o percurso total, o Dakar 2019 compreendeu nada menos que 5.600 km pelo Peru. Com tantos desafios, como o extremo calor, a altitude, as enormes dunas ao longo do caminho e os quase inevitáveis problemas mecânicos, chegar ao fim da prova é uma dádiva. Entre os inscritos nos UTVs, sete brasileiros chegaram a Lima, completando a prova no top-10 da classificação geral. 
Reinaldo Varela e Gustavo Gugelmin terminaram o Dakar 2019 no top-3 (Foto: Vinícius Branca/photosdakar.com.br)
A vitória ficou com a dupla chilena formada por Francisco ‘Chaleco’ López e Álvaro Quintanilla. Reinaldo Varela e Gugelmin lutaram pelo título até o antepenúltimo dia, quando tiveram de lidar com a quebra de uma peça da suspensão. Ainda assim, o conjunto do Can-Am #340 terminou em terceiro na classificação geral. Marcos Baumgart e Cincea ficaram em sexto lugar, logo à frente do luso Jordão, companheiro de equipe de Roldan. E Cristian Baumgart e Beco Andreotti finalizaram em nono. Bruno Varela e Justo abandonaram. Os dez primeiros colocados correram com o modelo Maverick X3 da marca Can-Am.
 
Logo após o término da prova, Reinaldo Varela destacou o fato de ter chegado ao fim do Dakar, mas já começa a pensar no ano que vem, traçando como meta o bicampeonato. “Estamos felizes por completar o Dakar entre os primeiros, mas agora vamos começar a nos preparar para 2020. Queremos buscar esse título novamente”, comentou o piloto campeão do ano passado.
 
Gugelmin, por sua vez, destacou o nível técnico cada vez maior na prova dos UTVs. “Foi uma prova extremamente desgastante, com muitas dunas, pedras e poeira, e nós superamos todos esses desafios. É incrível o que o Can-Am Maverick X3 aguenta nas dunas, a forma como o veículo sobe, o que faz nas situações mais adversas. É impressionante como o equipamento nos ajuda nas provas”, salientou.
Marcos Baumgart, Kleber Cincea, Cristian Baumgart e Beco Andreotti foram destaque nos UTVs (Foto: Victor Eleutério/José Mário Dias/photosdakar.com)
Marcos Baumgart e Cincea, que já disputaram o Dakar de 2013 nos carros, tiveram a experiência de competir com os UTVs no maior rali do mundo. Um grande desafio que foi vencido. “Para ser sincero, eu não imaginava que iríamos terminar. O Dakar é muito difícil com equipamento, com o corpo e com o psicológico da gente. É demais chegar ao final, um sentimento incrível de realização. Dakar é Dakar, e só estando aqui para saber. Chegar é uma vitória, um sonho realizado, uma classificação excelente. Aprendemos muito e fizemos história”, disse Baumgart.
 
“Neste ano nós cumprimos o objetivo, que era terminar. Estarmos juntos, como equipe, nos tornou mais fortes e possibilitou que pudéssemos chegar ao final. Realização é pouco para definir o que sinto. É demais, demais”, complementou Cincea, responsável pela navegação do UTV #412.
 
Para Cristian Baumgart e Beco Andreotti, chegar ao fim do Dakar foi ainda mais especial: foi a estreia da dupla na principal competição de off-road do planeta.
 
“Muito legal poder completar o nosso primeiro Dakar, ainda mais entre os dez primeiros. Ficou um grande aprendizado, uma bagagem enorme. Muito bacana. A equipe toda foi sensacional. Foi inesquecível para todos nós, e a emoção de estar aqui no final é gigante, assim como a vontade de voltar. Antes eu tinha medo de andar nas dunas, porque elas são muito altas e imponentes, e agora deixou de ser um desafio para se tornar um prazer. Mais um sonho realizado”, salientou Cristian.
 
Por fim, Andreotti ressaltou as dificuldades com todo tipo de terreno e o crescimento obtido ao participar do seu primeiro Dakar. 
 
“Foi um rali muito duro, mais difícil do que imaginávamos, em um terreno com o qual não éramos tão familiarizados. Muita areia, muita duna. Foi um grande aprendizado, e poder concluir o Dakar na nossa primeira participação é uma grande conquista da equipe. Estamos muito felizes com isso e agora só queremos comemorar, porque tivemos um ano de planejamento muito intenso e, felizmente, conseguimos colocar tudo em prática”, complementou.