Lendas do Rali dos Sertões: Jean Azevedo

Na quinta entrevista da série ‘Lendas do Rali dos Sertões’, o Grande Prêmio traz a íntegra da entrevista com Jean Azevedo, o primeiro pentacampeão do maior rali do mundo disputado em um só país

Vencer uma prova tão longa e difícil como o Rali dos Sertões é para poucos. Conquistá-lo cinco vezes é tarefa tão hercúlea que somente uma lenda do esporte pode fazê-lo. E Jean Azevedo foi o primeiro a alcançar tal façanha. Mostrando ter a estrela que sempre acompanhou a família Azevedo, o irmão mais novo do pioneiro André estreou no Sertões em 1994, e, um ano depois, já faturou o título geral nas Motos.

Desde então, Jean, nascido em São José dos Campos — assim como irmão André Azevedo —, e hoje com 38 anos, trilhou uma rota vencedora que teve como ápice a década passada. O paulista foi campeão também em 2000, 2002, 2004 e 2005, alcançando um inédito pentacampeonato do Rali dos Sertões àquela época, feito que seria igualado, quatro anos depois, por Zé Hélio Rodrigues.

Na quinta entrevista da série ‘Lendas do Rali dos Sertões’, parte da reportagem especial publicada na Revista WARM UP 28, Jean Azevedo falou, sobretudo, sobre seu retorno à competição das motos, quatro anos depois de ter disputado o Sertões sob duas rodas. Em sua ‘volta às raízes’, o pentacampeão elegeu os potenciais rivais na luta pelo inédito hexa, mas garantiu que não desistiu de correr novamente nos caros. Confira.

Grande Prêmio: Quando começou sua história no Rali dos Sertões?

Jean Azevedo: Comecei a fazer ralis menores nos anos de 1993 e 1994. Em 1995 conquistei o título do Rali dos Sertões e depois vieram 2000, 2002, 2004 e 2005.

GP: Desde o seu primeiro título no Sertões, em 1995, até a sua última participação, o que você notou de diferença na competição? Tanto em termos esportivos, de competitividade, de organização, enfim.

JA: O rali conseguiu evoluir profissionalmente a cada edição, atraindo grandes equipes e grandes patrocinadores. Lembro-me que no começo não havia grandes equipes. Para se ter uma ideia, o primeiro rali que participei, em 1994, fui sozinho e sem apoio algum. Na época, a organização tinha um caminhão que levava a bagagem dos competidores. Hoje em dia contamos com veículos muito mais preparados para o rali, e o nível técnico também se elevou muito.

Jean Azevedo luta para ser o primeiro hexacampeão do Rali dos Sertões (Foto: Divulgação/Brasil Dakar)

GP: Você tem uma trajetória com cinco títulos nas Motos e mais um nos Carros (na Protótipo, em 2009). Qual deles mais marcou a sua carreira? Qual o mais difícil deles?

JA: O primeiro da moto foi marcante na minha carreira, foi a menor diferença que venci aquele Sertões, talvez da história da competição: seis segundos para o segundo colocado. Quando conquistei o pentacampeonato do Sertões também foi incrível, já que na época era o maior número de vitórias de um piloto de moto (hoje já tem outro piloto que alcançou esse número). Já nos carros carrego comigo a alegria de ter sido o primeiro a vencer em duas categorias.

GP: Quais foram seus adversários mais duros em toda essa trajetória no Sertões?

JA: No primeiro rali foi o Juliano Sacioto. Nos outros, o José Hélio.

GP: Em todos esses anos de Rali dos Sertões, com exceção dos títulos, o que mais marcou para você? Você teve alguma história curiosa ou inusitada nesse tempo?

JA: Foi o de 2003 quando logo no primeiro dia, largando em primeiro, peguei uma porteira fechada no meio da especial. Não consegui parar a tempo e bati nela. Tive problemas no ombro e fiquei quatro meses parado.

GP: Abrindo um parêntese sobre o Sertões, você participou de uma rodada tripla do Mini Challenge em Londrina, no mês passado. Como foi essa experiência de correr em um circuito fechado? Veremos mais vezes o Jean Azevedo nos autódromos do Brasil?

JA: Foi muito legal, totalmente diferente. Na hora pensei: “Jean esquece tudo que apreendeu na terra e começa de novo”. Achei interessante e agradeço a Mini pelo convite. E se tiver outro, com certeza estarei novamente nos autódromos.

GP: Voltando ao rali, neste ano você fez uma boa prova correndo de carro ao lado do Emerson ‘Bina’ Cavassin no Dakar. O que motivou essa “volta às raízes” e assim disputar o Sertões nas motos?

JA: A parceria com o Bina foi maravilhosa, uma pessoa muito legal e profissional. A volta para as motos foi porque não renovamos com nosso patrocinador master — Petrobras — e com isso ficou inviável manter o carro pelo custo da categoria. Mas este retorno para as motos está me motivando bastante, sou movido a desafios, e tentar o sexto título no Sertões me deixa bem animado, embora não tenha desistido dos carros.

Jean teve sua primeira experiência correndo em um autódromo no Mini Challenge em Londrina (Foto: Facebook)

GP: Levando em conta que você teve um grande desempenho no Dakar 2011 competindo com moto, você acredita que poderá lutar pelo título neste ano? Quem você aponta como grande rival?

JA: Foi uma surpresa boa meu desempenho no Dakar 2011 após quatro anos sem competir de moto. Isso deixou aberta essa possibilidade de tentar o sexto título no Sertões. Hoje temos novos pilotos nos ralis e acredito que os nomes de Felipe Zanol, Dario Julio, Ike Klaumann, Ramon Sacilloti, entre outros, vão ser grandes adversários nesse Sertões.

GP: Sobre esse novo percurso do Sertões, agora partindo de São Luís e com a prova baseada no Norte-Nordeste, pelo que já foi noticiado, qual é a sua opinião?

JA: Vai ser bem legal, 80% em areia, e isso me agrada muito. Acredito que esta mudança vai ser boa para o evento.

GP: Por fim, gostaria de saber a sua opinião sobre o atual estágio do rali no Brasil?

JA: Está cada vez melhor, embora eu ainda sinta falta de uma maior exposição na mídia para que os patrocinadores notem mais a visibilidade dos eventos.

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