Sertões finaliza edição dos 20 anos com proposta de manter etapas de areia e desafio de consolidar UTVs

O 20º Rali dos Sertões da história chega à etapa final, em Fortaleza, mas sua organização já visa 2013. De acordo com Du Sachs, diretor-técnico da prova, a tendência é que o ‘areião’, grande novidade deste ano, seja mantida na próxima edição. E também há o desafio de consolidar os UTVs e evoluir nas provas dos caminhões

Depois de quase um ano de preparação e dez dias de prova na pista, o Rali dos Sertões chega ao seu final nesta terça-feira (28), na paradisíaca Fortaleza, capital do Ceará. Foram quase 5 mil km com a caravana da prova cruzando parte de cinco estados: Maranhão, Tocantins, Piauí, Pernambuco e Ceará. Durante esse percurso, pilotos, navegadores e equipes de apoio foram exigidos ao máximo, particularmente em duas especiais disputadas apenas em piso de areia, bem distintas de tudo o que já aconteceu na história do Rali dos Sertões, fato que agradou boa parte dos pilotos.

Por outro lado, a organização da prova enfrentou dificuldades com os UTVs e com os caminhões, já que, em alguns trechos de especiais, os ‘brutos’ tinham muita dificuldade para completar o trajeto, sendo que, em alguns casos, etapas foram canceladas ou encurtadas para garantir a segurança dos seus competidores.

Em entrevista ao Grande Prêmio após o último briefing do Rali dos Sertões, em Iguatu, Du Sachs, diretor-técnico da prova, se disse “feliz pela sensação de dever cumprido, mas triste ao mesmo tempo por não saber quando vai voltar ao Jalapão”. O dirigente, de Piracicaba, deixou claro que as etapas de areia devem seguir para 2013.

Du Sachs avaliou a edição dos 20 anos como a mais bela e técnica da história do Rali dos Sertões (Foto: Marcelo Maragni/Fotoarena)

“Nós nunca andamos tanto em areia. E isso dá certa preocupação às equipes, que não sabem se o motor vai aquecer, se o motor vai aguentar. Essa foi a grande dificuldade. Mas foi uma receita que agradou. E se agradou, vamos continuar mantendo”, avisou Sachs, que foi o responsável por fazer todo o levantamento do roteiro desta edição do Sertões.

Satisfeito por terminar mais um Rali dos Sertões, principalmente por ser uma edição comemorativa, o dirigente disse também que conseguiu casar dificuldade, técnica e beleza no trajeto para agradar ao máximo os competidores, que fazem o espetáculo dentro das trilhas pelo sertão brasileiro.

“É uma sensação muito boa, sensação de dever cumprido. Ao mesmo tempo, também é uma preocupação. Será que vamos conseguir fazer uma prova igual ou melhor no ano que vem?”, sorriu Sachs. “Não creio que tenha sido o rali mais duro de todos os tempos, mas certamente foi o mais técnico e o mais belo. A prova é dura, é técnica e é bela. E é essa receita que está agradando a todos”, avaliou.

Dimas Mattos, lenda viva do motociclismo brasileiro, aprovou a inclusão de etapas com terreno arenoso predominante. Foram duas especiais: entre São Luís e Barreirinhas e depois, partindo do interior maranhense rumo a Bacabal. Na opinião de Dimas, chefe de equipe da Brasil Moto Tour e com várias participações no Dakar e encerrando seu 16º Sertões, as provas em areia são mais exigentes, mas também preparam melhor os pilotos brasileiros.

“Esse ano o Sertões começou de maneira diferente. Antes era mais light, com os pilotos ‘esquentando’ aos poucos. Essas primeiras especiais foram muito difíceis”, avaliou Dimas. “Eu, particularmente, gostei muito, e acho que a gente tem mesmo é que puxar o nível do rali brasileiro, até para podermos enfrentar outros ralis lá fora de igual para igual [com os estrangeiros]. O pessoal sofre um pouco, mas eles já estão se tocando que é preciso se preparar melhor. Acho muito positivo isso”, aprovou o piloto, que está a caminho dos 50 anos.

Se por um lado a organização do Rali dos Sertões empolgou com a novidade do ‘areião’ em 2012, um dos pontos de controvérsia da prova deste ano foi a disputa dos caminhões. Pesos-pesados do rali brasileiro, como Guido Salvini e André Azevedo, mostraram insatisfação por muitas vezes não poderem andar no mesmo trecho de todas as outras categorias. A etapa de abertura foi cancelada e outras foram encurtadas.

Competição dos UTVs foi marcada por incêndios e baixa resistência (Foto: Marcelo Maragni/Fotoarena)

Salvini, que está próximo de garantir mais um título, disse que a organização da prova precisa rever o roteiro de modo a que este seja adequado também aos ‘brutos’.

“Esse Rali dos Sertões foi bastante duro para os caminhões. O fato é que o tamanho do caminhão às vezes impossibilita de se cumprir uma etapa inteira, o que seria fantástico. Às vezes, por causa de um trecho de 20 ou 30 km, você perde uma especial de 200 ou 300 km. Então é difícil de fazer alguma coisa, mas eles estão se atentando a isso, eles vão fazer algo para mudar essa situação”, comentou o carioca.

Outro grande desafio da 20ª edição do Rali dos Sertões foi a inclusão, pela primeira vez na história, dos UTVs. Os veículos, derivados dos quadriciclos, mas com inclusão de gaiola e espaço para o banco do navegador, foram uma alternativa aos quadris, e muitos pilotos resolveram abraçar a mudança, como Robert Nahas, Carlo Collet, Sylvio de Barros e Carlinhos Ambrósio.

Ao Grande Prêmio, Barros, que também é piloto do Porsche Challenge, disse que muita coisa deve mudar na concepção dos UTVs para oferecer resistência maior para encarar uma prova tão longa, como é o Sertões. Neste ano, três UTVs ficaram destruídos em decorrência de incêndios. Por pouco, Sylvio não teve seu veículo incendiado também. Mas na opinião do experiente piloto, tudo faz parte de um aprendizado visando as próximas edições da prova.

“É tudo muito experimental nos UTVs. O fato é que o Sertões é uma prova muito dura, e o carro ainda é muito novo. Ele tem feito [campeonatos de] baja lá fora, que são provas mais curtas, de um dia. Estamos vendo o que está acontecendo no carro, estamos aprendendo”, disse o paulista, que sugeriu mudanças para que o UTV fique mais resistente. Neste ano, dos 11 que largaram, em São Luís, apenas três vão chegar à rampa da vitória, em Fortaleza.

“Já vimos que não dá para andar com essa roda no Sertões, é preciso de um pneu de carro. O câmbio é algo que também precisaria ser revisto. Tive problema com fusível também, fiquei 12 horas no meio do nada por causa de fusível. Tem muita coisa para mudar. Sem dúvidas, é muito divertido para andar, mas tem de melhorar bastante”, concluiu Barros, que venceu a penúltima especial, entre Petrolina e Iguatu.

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