Coluna Power Stage, por Fernando Silva: Grande Rio Grande do Norte
Competições como o RN 1500 mostram que há vida no automobilismo brasileiro além dos autódromos. Cada vez mais, novos valores vão surgindo e deixam o cross country nacional mais forte e consistente
Quando tive, em parceria com o comandante Victor Martins, a ideia de escrever uma coluna sobre rali, a primeira ideia era abordar os assuntos que cercam o Mundial de Rali, um dos principais campeonatos de automobilismo do planeta. Mas também gosto de usufruir desta tribuna para escrever um pouco acerca do que acontece por aqui no Brasil. E assim como nas últimas semanas, a coluna desta sexta-feira aborda uma das mais importantes e especiais provas do cross country brasileiro, que chegou ao 16º ano de sua história.
Terminou no último sábado (13) o Rali RN 1500, prova que integra o calendário do Campeonato Brasileiro de Rali Cross Country. A prova, como o próprio nome indica, é disputada no Rio Grande do Norte e cruza muitos trechos de dunas e paisagens típicas do sertão nordestino durante quatro dias. De certa forma, o RN serve para pilotos e equipes como preparação para o Rali dos Sertões, que será disputado entre 25 de julho e 4 de agosto e terá cobertura ‘in loco’ aqui do Grande Prêmio.
Mas vamos ao que aconteceu de bom lá na pista no RN 1500. A competição, promovida e organizada pela KTC Produções, compreendeu disputas em quatro categorias: carros, motos, quadriciclos e UTVs e suas respectivas subcategorias, que passaram por Currais Novos, Mossoró, São Miguel do Gostoso e a paradisíaca Natal, local da chegada.
A prova das motos teve, assim como no Sertões do ano passado, amplo domínio da Honda, que monopolizou o pódio na classificação geral.
Ainda sem Felipe Zanol, que segue se recuperando em BH, Jean Azevedo conquistou um resultado histórico no RN 1500 em sua estreia pela montadora japonesa e faturou o pentacampeonato. O veterano e cada vez melhor piloto paulista destacou a complexidade do rali, considerado completo em termos de terreno, e liderou o domínio da Honda. Parece que esse casamento Honda-Jean Azevedo tem mesmo tudo para dar certo.
Como prova do poderio da marca japonesa, Dario Julio e Ike Klaumann, outro recém-contratado, completaram o pódio lá no Rio Grande do Norte. Resultado maiúsculo para a Honda, que repetiu o que aconteceu no Sertões do ano passado, quando também foi 1-2-3, mas com Zanol ao lado de Dario e Nielsem Bueno, que está na disputa dos X Games neste fim de semana.
Aliás, falando sobre Zanol, todos os pilotos do RN fizeram uma bela e emocionante homenagem ao mineiro. O clamor foi um só: “Vai Zanol!”, disseram todos, que anseiam em ter de volta Felipe no meio do rali. A julgar pelas mensagens postadas pelo piloto em seu Facebook, vontade de retornar às competições está sobrando e sua recuperação física avança a cada dia. É o campeão que se aproxima cada vez mais da volta.
Independente de quem vier do exterior para disputar o Rali Sertões deste ano, Jean pinta como um dos favoritos à vitória em agosto. Vale lembrar que a prova voltará a fazer parte do Mundial de Cross Country da FIM e terá um grid fortíssimo em 2013. Então a promessa é de um grande rali, certamente.
A vitória do RN 1500 na disputa dos quadriciclos ficou com Rodolfo Pereira, com Felipe Abner e Jeferson Nobre completando o pódio. E nos UTVs, categoria que mais cresce no rali brasileiro, Marcos Túlio chegou ao título ao lado do navegador Andrews Gustavo. Alberto Carlos e Daniel Rodrigues chegaram em segundo, com Tulio Bezerra e Eduardo Queiroga fechando o top-3.
Na competição dos carros, a disputa ficou um pouco esvaziada por conta da ausência de três fortíssimos pilotos que estavam do outro lado do planeta para a disputa do Abu Dhabi Desert Challenge, segunda etapa do Mundial de Cross-Country da FIA. Guilherme Spinelli, em parceria com Youssef Haddad, Reinaldo Varela e o fiel navegador Gustavo Gugelmin, além de Marcos Moraes e Du Sachs se aventuraram pelo deserto dos Emirados Árabes no último fim de semana.
Ainda assim, a luta pela vitória no belo Rio Grande do Norte teve grandes nomes do rali brasileiro. Mas um jovem valor despontou e conquistou a segunda vitória no Brasileiro de Cross Country. Lucas Moraes, de apenas 23 anos, repetiu o triunfo do Rali de Barretos, dominou a prova e conquistou também o RN 1500. Na categoria principal dos carros, a T1, Moraes e o experientíssimo navegador Beco Andreotti venceram com certa tranquilidade com o protótipo Sherpa, colocando João Cardoso e Emerson Cavassin e o belo Evoque na segunda posição.
Competições como o RN 1500 mostram que há vida no automobilismo brasileiro além dos autódromos. Cada vez mais, novos valores vão surgindo e deixam o cross country nacional mais forte e consistente. Prova disso é o número cada vez mais crescente de pilotos e navegadores daqui que chegam preparados para lutar de igual para igual com os grandes do rali cross country em provas importantes pelo mundo.
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