Seletiva BR

Após 20 edições, Petrobras corta patrocínio em esporte e põe em dúvida sequência de Seletiva de Kart

Criada em 1999, a Seletiva de Kart havia sido disputada ininterruptamente desde então. Mas, em 2019, graças ao Plano de Resiliência anunciado pela Petrobras no começo do ano, o evento não deve acontecer. Segundo a organização, o corte de patrocínio à cultura e ao esporte praticado pela empresa fez com que a Seletiva não obtivesse fundos para a realização do evento na atual temporada e, possivelmente, no futuro

Grande Prêmio / FELIPE NORONHA, de São Paulo
A Petrobras anunciou em março deste ano um Plano de Resiliência, que na prática consiste em "explorar oportunidades de cortes de custos adicionais através da mudança de processos e transformação digital", segundo a nota da oficialização do plano no site da empresa.

E, para o automobilismo nacional, isso significa um baque no já sofrido sistema de base do esporte no país: o corte do patrocínio da Seletiva de Kart, que há 20 anos existia graças ao patrocínio da Petrobras.

O GRANDE PRÊMIO apurou e pode confirmar o encerramento da parceria, que era assinada anualmente desde 1999.
Disputa da Seletiva em 2018 (Foto: Fabio Oliveira/Radical Motors)
Desta forma, a realização do campeonato em 2019 é improvável, e sua sequência a partir de 2020 é colocada em dúvida. Em contato com o GP, o organizador da Seletiva, Binho Carcasci, afirmou que "sendo bem sincero, não tenho muita esperança" na continuidade do evento.

O Plano de Resiliência da Petrobras busca cortes no investimento em projetos esportivos e culturais: "Na prática cortou patrocínio", disse Carcasci. "O que me disseram é: tudo que tinha assinado (a longo prazo), mantiveram. Já na Seletiva eu ia lá todo ano e vendia meu peixe. Então, como não estava, foi cortado."

Carcasci segue em busca de um novo patrocinador para manter a disputa de jovens kartistas viva, mas o tom do organizador mostra que não há muita chance em conseguir: "Estou atrás de um monte de empresas. Mas sendo bem sincero não tenho muita esperança."

"Estamos em maio, é muito difícil, empresas grandes fazem verba de marketing em outubro, setembro. É meu papel, estou tentando, tenho vontade, mas sendo realista, é difícil. Espero que eu plante a sementinha para 2020", seguiu.
Enzo Prando (Foto: Fabio Oliveira/Radical Motors)
Porém, caso não consiga um novo investidor, ele assume que será o fim da Seletiva de Kart: "Tudo tem um fim, não vai durar para a eternidade. Talvez seja o fim, se não der, não deu", lamentou Carcasci.

A Seletiva de Kart foi criada em 1999 e, desde então, revelou nomes do automobilismo brasileiro como Felipe Fraga, Felipe Nasr, Pipo Derani, Bia Figueiredo, Rafael Suzuki e Sérgio Jimenez, entre outros, além de distribuir prêmios importantes para o crescimento dos pilotos participnates - em 2018, por exemplo, levou vencedores para conhecer a sede da McLaren e a testar com um monoposto da Carlin e com simulador da F1 na Europa.

A parceria técnica da Petrobras com a McLaren também está em dúvida: desde fevereiro, a estatal indica quebra de contrato com a equipe inglesa também pela revisão da política de patrocínios promovida pelo Governo Federal; Zak Brown, chefe da equipe, e Gil de Ferran, diretor-esportivo, afirmaram ao GP na oportunidade que é "difícil estabelecer prazo" sobre o uso de todos os produtos desenvolvidos na parceria.

Apoie o GRANDE PRÊMIO: garanta o futuro do nosso jornalismo

O GRANDE PRÊMIO é a maior mídia digital de esporte a motor do Brasil, na América Latina e em Língua Portuguesa, editorialmente independente. Nossa grande equipe produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente, e não só na internet: uma das nossas atuações está na realização de eventos, como a Copa GP de Kart. Assim, seu apoio é sempre importante.

Assine o GRANDE PREMIUM: veja os planos e o que oferecem, tenha à disposição uma série de benefícios e experências exclusivas, e faça parte de um grupo especial, a Scuderia GP, com debate em alto nível.