Stock Car
01/08/2018 06:00

Átila lembra vitória “importante e que deu tranquilidade” e tem meta: conquistar o 'Milhão'

A primeira parte da temporada 2018 da Stock Car se desenhava bastante difícil para Átila Abreu, que mostrou boa performance, mas teve de lidar com uma maré de azar que o impediu de marcar uma grande pontuação. Só que a sorte virou justamente na última prova antes das férias para a Copa do Mundo. O sorocabano levou a Shell Racing ao topo do pódio em Santa Cruz do Sul, resultado que o enche de confiança para a retomada do campeonato neste mês de agosto
Warm Up / FERNANDO SILVA, de Sumaré
 Renata Fan abraça Átila Abreu após a vitória do #51 em Santa Cruz do Sul (Foto: José Mário Dias)
Átila Abreu começou sua 11ª temporada completa na Stock Car com a expectativa real de brigar pelo título depois de um 2017 forte, marcado por duas vitórias, seis pódios e uma presença constante no top-3 do campeonato até a corrida derradeira, em Interlagos. No entanto, a mesma Interlagos mostrou que 2018 viria a ser um ano marcado por muita velocidade, mas também muitas dificuldades. Talvez, para provar a resiliência do sorocabano, hoje com 31 anos. De fato, Átila encarou uma série de infortúnios ao longo do caminho nesta primeira parte do campeonato, mas aprendeu com o sofrimento e sorriu no fim e no topo do pódio. A vitória veio na última corrida antes das férias da Stock Car, em Santa Cruz do Sul, e deu um novo ânimo ao piloto da Shell Racing.
 
“Foi muito importante”, comentou Átila em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO durante o período de férias da Stock Car. Um tempo que o piloto usou para refletir sobre o que deu certo e errado para voltar ainda mais forte para um segundo semestre que promete ser muito melhor. O problema elétrico antes da classificação para a Corrida de Duplas, ao lado do australiano Mark Winterbottom em Interlagos; as três quebras seguidas no câmbio e a falha no procedimento no pit-stop na corrida 2 em Londrina, quando liderava e despontava com totais condições de vencer, foram listadas por Átila. 
 
“A gente começou o campeonato com a expectativa de lutar pelo título. O carro melhorou muito em termos de performance em relação ao ano passado, quando a gente brigou pelo título até as últimas etapas, porém não tínhamos um carro tão rápido. E nesse ano a competitividade apareceu, temos sim um carro mais competitivo. Não estamos onde gostaríamos, mas é um carro que te permite lutar por uma pole, por vitórias, é um carro que tem esse potencial”, analisou Abreu, que lamentou os azares que bateram à sua parte em boa parte das corridas iniciais do campeonato.
A útima corrida antes das férias da Stock Car teve a Shell Racing no topo do pódio (Foto: José Mário Dias)
“Muitas coisas aconteceram desde a primeira etapa: chicote queimado, várias quebras... Então a gente perdeu muitos pontos no começo. Mesmo em Londrina, onde poderia ter sido uma arrancada nossa e ter pontuado muito bem, na corrida 2 houve o erro no pit-stop. De fato, a gente infringiu o regulamento, e com a punição acabei perdendo a vitória e pontos preciosos. Aí ficamos muito longe de ter uma chance de poder brigar pelo título”, pontuou.
 
Se é verdade que Átila saiu de Londrina, onde tinha chances reais de vencer pela primeira vez no campeonato, com um gosto amargo na boca, o esporte revelou novamente sua faceta mais incrível: de que tudo pode mudar de um fim de semana para outro. E, 15 dias depois, lá estava Abreu no topo do pódio festejando com toda a Shell Racing, equipe capitaneada por Thiago Meneghel. Um triunfo que representou, de fato, a redenção.
 
“A vitória em Santa Cruz do Sul, numa pista onde a gente não tinha vencido ainda, te ajuda a ir para a pausa no campeonato com mais tranquilidade, ainda mais numa época de renovação de patrocínios. São dois meses e meio para a próxima corrida e sou o último vencedor. Então foi positivo por vários fatores. Mesmo para a equipe, ajuda a fazê-la trabalhar com o ânimo um pouco mais tranquilo em relação à pressão que a gente vinha se colocando antes desta vitória”, salientou o dono do carro #51.
Átila Abreu tirou a zica e fez a festa no pódio em Santa Cruz do Sul (Foto: Fernanda Freixosa/Vicar/Vipcomm)
Depois de ter conquistado a 11ª vitória da carreira na Stock Car, Átila sabe que tem um longo caminho a percorrer. Com os pés no chão, o piloto entende que o título ficou muito distante em razão dos pontos perdidos por problemas nas primeiras corridas do ano, mas que talvez seja possível recuperar a larga diferença para o líder, Daniel Serra, que hoje é de 87 pontos. Mas o nono colocado traçou uma meta mais realista para o segundo semestre: lutar pelo vice-campeonato. Entre Átila e Marcos Gomes, que ocupa o segundo lugar na tabela, são 44 tentos de margem.
 
“Quanto ao campeonato, é difícil falar. Acho muito difícil brigar pelo título. O Serra, além de estar num ano excelente, também está muito distante [na pontuação] não só de mim, mas do segundo colocado, com uma vantagem muito considerável. Então ele precisaria ter uma sucessão de erros para que todos comecem a ter chances. Acho que, na atual posição em que eu estou, dá para sonhar com o vice-campeonato. Estou longe ali do segundo, mas é uma pontuação que dá para tirar. Se não fosse pela punição em Londrina, já estaria ali entre os cinco no campeonato e muito próximo do segundo colocado”, disse.
 
Da vitória em Santa Cruz do Sul para a Corrida do Milhão, que acontece neste fim de semana, foram dois meses e meio. Tempo bom para ajeitar a casa, refletir sobre o que foi a temporada até aqui, descansar e trabalhar para manter o preparo físico. Átila chega a Goiânia com muita gana até pelo fato de não ter disputado nenhuma corrida durante as férias. Assim, além da vontade de acelerar novamente, Abreu leva na bagagem para o Planalto Central um objetivo claro: ser mais um piloto a faturar o milionário prêmio da Stock Car.
Meta do sorocabano para o fim de semana em Goiânia é uma só: vencer a Corrida do Milhão (Foto: José Mário Dias)
“Então a gente volta, depois dessas férias, com a meta de ganhar a Corrida do Milhão: por ser a prova mais importante do ano e também pelo prêmio que ela oferece, mas também por ser uma etapa de uma corrida só. Então, se você vai muito bem nela, dá para tirar muitos pontos dos adversários. Não há a chance da segunda corrida. E aí, tendo um bom resultado na Corrida do Milhão, a gente vai partir para uma sequência de corridas partindo para lutar pelo vice-campeonato”, comentou. 
 
“E se, nesse meio tempo, o Serra tiver alguns azares, quem sabe a gente não briga pelo título? Mas é caminhar um passo de cada vez, e hoje o que está mais palpável para nós seria o vice-campeonato ou ficar entre os três primeiros”, ressaltou o piloto.
 
Mais do que nunca, Átila reforça a ansiedade para voltar a acelerar e, principalmente, se manter no caminho das vitórias na Stock Car depois de uma pausa muito providencial. 
 
“Dá muita saudade. Passa muito rápido, a sensação da vitória passa muito rápido. Mas foi uma pausa boa. Durante a sequência das corridas, os mecânicos da equipe descansaram muito pouco, não tiveram muito tempo para ficar com as famílias. E ainda teve a greve dos caminhoneiros, então os caminhões das equipes ficaram presos por um tempo lá no Sul. Então tivemos tempo agora para revisar os carros, colocar a casa em ordem, desmontar o carro inteiro, analisar todas as peças antes de encarar essa segunda metade do campeonato”, complementou Átila Abreu.
 
A Stock Car retoma a temporada neste fim de semana com a disputa da Corrida do Milhão em Goiânia. O GRANDE PRÊMIO cobre ‘in loco’ a temporada 2018. Siga toda a cobertura aqui.