Stock Car

Cacá declara amor por Tarumã, mas prega segurança e diz que mudança para Londrina é “corretíssima”

Dono de três vitórias em Viamão, Cacá Bueno deixou claro seu apreço pelo circuito gaúcho, mas considerou que o mais importante é a segurança dos pilotos. Por isso, defendeu a mudança de praça da décima etapa, de Tarumã para Londrina entre 19 e 21 de outubro

Warm Up / FERNANDO SILVA, do Velo Città
Durante o fim de semana da rodada dupla no Velo Città, a Vicar, empresa que promove e organiza a Stock Car, surpreendeu ao anunciar, em conjunto com a CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo), a transferência da décima etapa, de Tarumã para Londrina. A jornada, que está marcada para os dias 19 a 21 deste mês de outubro, foi retirada do tradicional autódromo gaúcho — palco da primeira prova da história da Stock Car, em 22 de abril de 1979 — por motivos de segurança. De acordo com a CBA, a administração de Tarumã não cumpriu com o encargo de obras estabelecido para aumentar o nível de segurança.
 
Maior campeão em atividade na Stock Car, Cacá Bueno já venceu três vezes pela categoria em Tarumã: em 2004, 2008 e, a última, em 2015. Em Mogi Guaçu, o pentacampeão e piloto da Cimed falou ao GRANDE PRÊMIO sobre o assunto, demonstrou todo seu apreço pelo veloz circuito gaúcho, mas defendeu a mudança para Londrina. Na visão do carioca, a prioridade deve ser sempre a segurança dos pilotos.
 
“Até achei que a etapa fosse mantida no Rio Grande do Sul, que para mim teria sido o ideal. Sei que não é fácil, mas não ponho a culpa no promotor. Às vezes, os outros autódromos do Rio Grande do Sul têm uma agenda completa e não tem como transferir outros eventos. Achei até que iria voltar ao Velopark para ser na capital, mais perto de Porto Alegre. Achei que isso iria acontecer, mas não”, disse Cacá, feliz por poder correr novamente na terra onde mora o pai, Galvão Bueno.
Cacá Bueno mostrou seu apreço por Tarumã, mas alerta para segurança dos pilotos (Foto: Bruno Terena/RF1)
“Foi para Londrina, o que é ótimo, é mais uma segunda casa, já que minha família mora lá. É bem verdade que nosso carro não andou bem lá, mas a gente tem um bom caminho em Londrina e vamos ver. Fiquei surpreso, mas, pelo que vi, foi porque havia um encargo de obras a ser feito em Tarumã, e o autódromo não cumpriu. Por isso, a CBA não liberou”, comentou o piloto.
 
Cacá, que sempre foi muito crítico em relação à Confederação, apoiou a iniciativa da entidade que gere o automobilismo brasileiro em prol da segurança. “Palmas para a CBA. Bato para a CBA quando tem de bater, mas palmas para a CBA neste momento”, afirmou Bueno, que concedeu entrevista antes da polêmica na corrida 2 da etapa do Velo Città.
 
O pentacampeão lembrou que é algo frequente as promessas feitas por promotores e administradores de circuitos para melhorar a estrutura como um todo e a segurança em particular, mas pouco do que é prometido costuma ser cumprido. “Muitas vezes a gente correu em autódromos que não tinham a menor condição, e era um esforço do promotor, de todo mundo, de políticos, no sentido ‘vamos lá, porque aí eles vão fazer para o próximo ano’. E chegava o próximo ano e não faziam. Isso tem de ser levado a sério”. 
 
“Amo Tarumã, acho sensacional, assim como outros autódromos, mas o que tem de se entender é que nos anos 1970 os carros atingiam determinada velocidade, e agora é outra, completamente diferente. Autódromos dos anos 1970, que não passaram por nenhuma modernização, e hoje os carros não chegam a 180 km/h, mas a 250 km/h, fazem as curvas a 220 km/h, e isso muda muito o impacto, a saída, quando o carro sai da pista, e o corpo humano continua sendo o mesmo de 50 anos atrás, mas os carros de corrida, não. Então precisamos de um aspecto de segurança bem melhor do que algumas praças têm oferecido para a gente. E se a decisão foi defendendo isso, de que as obras não foram feitas, ela foi corretíssima”, defendeu Cacá Bueno.