Stock Car
19/03/2015 08:30

Campeão na Indy e na F1, Villeneuve vê em corrida da Stock Car a mais importante da vida. Foi onde conheceu Camila

Engana-se quem pensa que Jacques Villeneuve tem um dilema quando tem de escolher a corrida de maior valor na vitoriosa carreira. Não se trata na vitória na Indy 500 nem de qualquer uma no ano em que foi campeão na F1. Foi em Interlagos, mas não no GP do Brasil. E na Stock Car
Warm Up / VICTOR MARTINS, de São Paulo
 Jacques Villeneuve treina em Goiânia (Foto: Bruno Gorski/Hyset)
Foi em 1994 que o filho de Gilles Villeneuve começou a se mostrar para o mundo com as atenções devidas e as comparações prontas para serem feitas. O início se deu com aquele carro azul claro com patrocínio da Player's na já falecida equipe Forsythe em Laguna Seca pela Indy. A primeira vitória acabou vindo naquele mesmo ano em Elkhart Lake. No ano seguinte, Jacques fez a festa, ganhando as 500 Milhas de Indianápolis e o campeonato. Foi o que abriu o caminho para chegar à Williams na F1.

O Villeneuve filho então treinou como nunca mais se viu na F1 — até porque a categoria acabou posteriormente limitando os testes particulares. Com o melhor carro do grid, Jacques estreou na Austrália com uma pole e liderava a corrida aguentando a pressão do companheiro Damon Hill até seu carro apresentar problemas. Teve de tirar o pé para completar em segundo. Ali já caía nas graças da torcida. A primeira vitória acabou vindo rápido, na quarta etapa. Na temporada seguinte, Jacques só foi fazer a festa na prova final em Jerez de la Frontera, aquela em que foi pole marcando o mesmo tempo de Michael Schumacher e Heinz-Harald Frentzen — 1min21s071 — e que o alemão jogou o carro para cima do canadense assim que se viu superado.
Schumacher jogou o carro sobre Villeneuve em Jerez 1997 (Foto: Getty Images)
De 1998 em diante, a carreira de Villeneuve na F1 mudou. A Williams caiu de rendimento, mote para que se aproximasse do projeto iniciado por seu empresário, Craig Pollock, de ter uma equipe. Pollock convenceu a British American Tobacco (BAT) a comprar a Tyrrell. Em 1999, nascia a BAR, com apoio da Reynard e Jacques ao volante. Seu primeiro companheiro foi Ricardo Zonta.

Nunca que Villeneuve conseguiu algo melhor que dois terceiros lugares em mais de cinco anos. O projeto não havia dado certo e Jacques já não era o mesmo, tanto que nem iria mais correr em 2004. Nas provas finais daquele ano, acabou sendo chamado pela Renault para o lugar do defenestrado Jarno Trulli. Sem se ambientar ao carro, foi mal demais.

Em 2005, conseguiu um lugar na Sauber para correr ao lado de Felipe Massa e lá permaneceu quando a equipe foi comprada pela BMW. Mas os alemães o sacaram no meio da temporada, e Villeneuve chegava ao fim da carreira na F1 melancolicamente.

A partir daí, Villeneuve foi o mais eclético possível. Além de arriscar como cantor, foi correr em Le Mans, na Nascar, no GT, na V8 Supercars, de rali e até mesmo em uma categoria asiática. Até receber um convite para participar da Corrida do Milhão da Stock Car, isso em 2011.

Foi o que mudou a vida de Jacques.
Jacques Villeneuve e a mulher Camila Lopes (Foto: Divulgação)
Tanta corrida que o cara fez no mundo, e justamente a Corrida do Milhão. Mas não foi a prova em si, até porque Villeneuve esteve bem longe de disputar a vitória e o prêmio máximo. "Esta é provavelmente a corrida mais memorável para mim e a mais importante também: conheci minha mulher nesta prova da Stock Car em Interlagos", falou o canadense.

Desde então, Villeneuve seguiu na sua vida nômade de corridas, passou a comentar e fazer reportagens nas etapas da F1 para a TV Sky Italia e vem frequentemente a São Paulo para ficar na casa de Camila Lopes, com quem se casou em junho de 2012. A relação já gerou dois filhos, Benjamin e Henri.

A partir desta quinta-feira (18), Villeneuve volta às pistas brasileiras, mas agora em Goiânia. O piloto vai participar da Corrida de Duplas da Stock Car. Seu companheiro? Ricardo Zonta. "Certamente será uma primeira corrida inesquecível, formando dupla com o Jacques, reeditando os tempos de F1 quando dividimos juntos a mesma equipe. Só que, desta vez, nós corremos com um único carro e vamos lutar juntos pelo mesmo resultado", falou Zonta.

Segundo Zonta, Villeneuve "tem se mostrado bastante interessado, com contato direto com a equipe e comigo". "Tenho certeza de que seremos competitivos", disse.

Competitivo ou não, Villeneuve vai contar na pista uma nova história. Fora dela, sempre dá um jeito de algo faça parte da sua.
Jacques Villeneuve treina em Goiânia (Foto: Bruno Gorski/Hyset)