Stock Car

Conta-giro: chefe de equipe da Stock Car vive de autódromo e sambódromo para comandar bateria

Carlos Alves se divide entre os autódromos e o sambódromo para comandar sua equipe na Stock Car e a bateria da Tom Maior. O GRANDE PRÊMIO conversou com o Mestre Carlão para saber de sua vida dupla
Warm Up / GABRIEL CURTY, de São Paulo
 Mestre Carlao comanda a bateria da Tom Maior (Foto: Rafael Beserra / Tom Maior)
Carlos Alves é conhecido no mundo do automobilismo pela longa carreira que teve como piloto e por ter uma equipe com o seu nome na Stock Car. O que pouca gente sabe é que o empresário também é, há 17 anos, o mestre de bateria da Tom Maior, escola do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo.
 
Em entrevista ao GRANDE PRÊMIO, o dirigente revelou que sempre foi um grande amante do Carnaval por ter crescido em uma casa muito próxima da quadra da Cabeções de Vila Prudente, escola que teve muito sucesso no Carnaval paulista especialmente nos anos 70, mas que teve no samba-enredo de 1981 um dos maiores hinos da história da festa da Terra da Garoa. Na Tom Maior, está desde o início dos anos 90.

E a vida entre autódromo e sambódromo se complementa. "A corrida me ajuda na bateria porque eu levo a liderança que tenho nas pistas para lá. E o samba me ajuda nas corridas porque me ensinou muito a lidar com as pessoas", declarou o piloto e baterista.

Mas as sensações são diferentes. "O automobilismo tem aquilo de sempre entrar para vencer, isso serve desde os meus tempos de piloto até hoje, como chefe de equipe e não tem tanta gente envolvida. Na bateria são 300 pessoas, também sou diretor da escola, então já coloca 3.000 componentes na conversa", completou.
 
Mestre Carlão, como é conhecido na vermelha e amarela do Sumaré, contou como faz para conciliar as duas funções, os desafios encontrados nas pistas e na avenida e quais são as suas expectativas para a temporada 2015 da Stock Car e para o desfile da Tom Maior, que acontece nesta sexta-feira (13).
 
A Tom Maior é a terceira escola a desfilar na primeira noite de desfiles do Carnaval 2015, entrando na avenida a partir da 1h35.
Carlos Alves é dono de equipe na Stock Car (Foto: Divulgação/Nova Schin)
GRANDE PRÊMIO — Como começou sua relação com o carnaval e com a Tom Maior? 
 
Carlos Alves — Minha história no Carnaval começou muito cedo. Eu ainda era criança e, perto de onde morava, havia uma escola de samba: Cabeções de Vila Prudente. Então, desde muito cedo sou apaixonado pelo Carnaval. E com o tempo eu comecei a tocar. Cheguei na Tom Maior de 1990 para 1991 e comecei tocando na bateria. Após um tempo, assumi como mestre de bateria.
 
GP — Quando e como surgiu a oportunidade de ser diretor de bateria da escola do Sumaré?
 
CA — Como ritmista, eu já exercia certa liderança sobre os meus companheiros, sempre gostei de ajudar, tinha bom conhecimento da prática musical, e aí pintou a oportunidade – ainda que de uma forma não muito legal, já que o mestre de bateria que nós gostávamos foi embora. Eu assumi a bateria, e graças a Deus estou lá até hoje alcançando grandes resultados.
 
GP — É fácil conciliar as duas funções considerando corridas, testes, desfile e ensaios. Elas acabam se misturando?
 
CA — A corrida me ajuda na bateria porque eu levo a liderança que tenho nas pistas para lá. E o samba me ajuda nas corridas porque me ensinou muito a lidar com as pessoas, a resolver muitos problemas. É uma mistura muito interessante. O tempo é tranquilo. Já é tradicional que os ensaios da bateria da Tom Maior aconteçam terça-feira no período da noite. Quando tem corrida, viajo sempre na quinta-feira, ou seja, não me atrapalha em nada. E assim que acaba o campeonato, ali para dezembro e janeiro, já acrescento também os sábados para serem datas também dos nossos ensaios.
 
GP — O que te dá mais prazer: estar no autódromo, comandando a equipe ou estar na avenida comandando a bateria?
 
CA — As duas coisas dão prazer, mas são sensações diferentes. O automobilismo tem aquilo de sempre entrar para vencer, isso serve desde os meus tempos de piloto até hoje, como chefe de equipe e não tem tanta gente envolvida. Na bateria são 300 pessoas, também sou diretor da escola, então já coloca 3.000 componentes na conversa. De tudo isso, no máximo 3%, 4% são profissionais, o resto está ali para colaborar sem nenhuma ajuda de custo. São sensações diferentes.
 
GP — Existe uma diferença entre encontrar o entrosamento com os ritmistas e com os mecânicos? Qual das duas coisas é mais complicada?
 
CA — Com os mecânicos é uma coisa mais profissional, eles trabalham com isso. Com os ritmistas é mais paixão, são pessoas que gostam da escola assim como eu e tão ali para defender as cores da escola sem nenhuma gratificação. A única gratificação vem quando eles entram na avenida com suas fantasias, com seus instrumentos e conquistam um bom resultado.
Mestre Carlao comanda a bateria da Tom Maior (Foto: Rafael Beserra / Tom Maior)
GP — Aproveitando a deixa do enredo da Tom Maior para 2015: a adrenalina nas pistas é a mesma que você sente na avenida?
 
CA — Na avenida é um pouco diferente. Nas corridas você tem a oportunidade de sentir a adrenalina 12 vezes por ano. No samba é uma vez só. No geral, a adrenalina é a mesma, mas como no automobilismo ela é fragmentada em 12 e no Carnaval é uma vez só, a última acaba sendo bem maior.
 
GP — A Tom Maior escolheu o enredo ‘Adrenalina’ após passar por dificuldades com o abre-alas no último carnaval. Para você, a escola está pronta para voltar ao Desfile das Campeãs?
 
CA — O Carnaval ele se ganha ou se perde dentro da faixa amarela (demarcação que mostra aonde começa e aonde terminam os desfiles). O Carnaval de São Paulo evoluiu muito, todas as escolas estão bem preparadas, mas nós estamos com chances. Temos tudo praticamente pronto, temos um samba muito bom, a escola toda está cantando, então nós estamos preparados para ir para o Desfile das Campeãs. Vai depender tudo da execução, do momento, de dar tudo certo na hora.
 
GP — Na temporada 2014, a Carlos Alves venceu uma prova com o Marcos Gomes e ficou na 12ª colocação entre as equipes. Acredita que em 2015 o time possa melhorar? É possível sonhar em brigar com as equipes de ponta?
 
CA — A nossa classificação final não reflete bem a realidade. O Marcos fez, em 12 corridas, oito Q2. Em cinco delas ele acabou batendo, isso foi uma infelicidade muito grande e acabamos perdendo boas chances de pontos. O companheiro dele, Fábio Fogaça, infelizmente não teve um ano muito legal. Acredito que esse ano, se tudo correr direitinho como já foi nos testes coletivos, com o Rafa e com o Lapenna, acredito que a equipe tem condições para disputar as cinco primeiras posições de equipes no final do ano. Uma equipe como a nossa sempre está credenciada a brigar. Estou confiante em um bom desempenho em 2015.