Stock Car

De volta à Stock Car, Nonô lamenta ausência de Di Grassi, mas se diz tranquilo para enfrentar “grande desafio”

Nonô Figueiredo vai ter a missão de substituir Lucas Di Grassi neste fim de semana de Stock Car em Santa Cruz do Sul. O experiente piloto vai, aos 47 anos, disputar uma prova ‘solo’ na categoria pela primeira vez desde 2014, embora tenha corrido como convidado de Bruno Baptista na Corrida de Duplas em março. Nonô evitou em falar sobre grande responsabilidade e se mostrou feliz por ter a chance em correr na Stock Car por uma equipe vencedora como a Hero
Warm Up, de Santa Cruz do Sul / FERNANDO SILVA, de Santa Cruz do Sul
 Nonô Figueiredo é o novo diretor-técnico da Hero Motorsport na Stock Car (Foto: Fernanda Freixosa/Vicar)

A mudança de horário da largada do eP de Berlim, marcado para sábado (19) fez com que Lucas Di Grassi tomasse a decisão que considerou ser a mais sensata: deixar a ideia de fazer a ‘insana’ maratona entre a Alemanha e Santa Cruz do Sul para, em pouco mais de 24 horas depois, disputar a quinta rodada dupla da Stock Car. A Hero, equipe de Lucas na principal categoria do automobilismo brasileiro, recorreu a uma solução caseira para preencher a ausência daquele que vem sendo um dos grandes nomes da temporada 2018. Nomeado como diretor-técnico desde o começo do ano, Nonô Figueiredo vai colocar novamente na pista sua experiência de quase 200 largadas e encarar o “grande desafio”, como ele mesmo definiu, de voltar a guiar um carro da Stock Car.
 
Aos 47 anos, o paulista Nonô Figueiredo tem exatas 196 corridas no currículo. A última nem faz tanto tempo assim, uma vez que o veterano foi o convidado de Bruno Baptista no carro #44 da Hero na Corrida de Duplas em março deste ano, em Interlagos. Nos últimos anos, Nonô vinha em atividade plena no Brasileiro de Marcas, sendo campeão em 2016 e vice no ano passado, além de competir regularmente em 2017 no International GT Open ao lado do amigo Márcio Basso.
 
Mas a última vez que Figueiredo fez uma corrida na Stock Car sem ter de compartilhar o volante do seu carro já tem um bom tempo: sua última temporada completa na categoria foi em 2014, encerrando um ciclo marcado por três vitórias e muita experiência. Até que, na última terça-feira, soube que voltaria a correr neste fim de semana no interior gaúcho.
Nonô Figueiredo volta à Stock Car como substituto de Lucas Di Grassi em Santa Cruz do Sul (Foto: Duda Bairros/Vicar/Vipcomm)
Nonô falou ao GRANDE PRÊMIO na noite de quinta-feira em Santa Cruz do Sul. Às vésperas de acelerar o carro de Lucas, agora com o numeral #101 neste fim de semana, o veterano das pistas lamentou a ausência de Di Grassi pelo fato de o campeão da Fórmula E mostrar condições reais de lutar lá na frente e somar bons pontos para a equipe. Por outro lado, Figueiredo destaca o desafio que é poder acelerar por uma equipe que vem consolidando seu trabalho como uma das protagonistas do ano, com duas vitórias — as duas com Di Grassi — em sete provas disputadas.
 
“A Stock Car é a principal categoria do automobilismo brasileiro. Da minha última temporada, que foi em 2014, para agora, só vi a categoria crescer no aspecto técnico, no nível das equipes, no nível dos pilotos. Então, ter outra oportunidade nessa altura da minha carreira, da minha vida, é realmente um privilégio. E é um privilégio ainda maior por ser na Hero. Uma equipe que nasceu ano passado e que, em pouco tempo, vem sendo uma das protagonistas da categoria, tendo já vencido duas provas nesse ano com o Lucas Di Grassi. Então é, sim, uma excelente oportunidade”, destacou o piloto.
 
Entretanto, Nonô não perde de vista sua função como diretor-técnico e, principalmente, a sua missão de servir como grande referência a Bruno Baptista, que estreia em carros de turismo em 2018 depois de passar os últimos quatro anos correndo na Europa, tendo na GP3 sua última jornada antes de regressar ao Brasil para correr tanto na Stock Car como na Porsche Carrera Cup como piloto da Hero.
 
“Mas não posso esquecer de qual é meu papel dentro da equipe. Nesse ano, meu papel vem sendo de colaborar para que tudo funcione da melhor forma, transferindo minha experiência para os pilotos, principalmente para o Bruno Baptista, que é a primeira temporada dele de carros de turismo. Então esse é meu papel principal neste ano aqui na Hero Motorsports”, salientou.
Em março, Nonô foi o convidado do pupilo Bruno Baptista na Corrida de Duplas em Interlagos (Foto: Victor Eleutério)
 
O desafio de substituir Lucas Di Grassi
 
Figueiredo ganhou uma chance improvável para voltar a acelerar na Stock Car. Em teoria, a Hero tinha algumas opções para suprir a ausência de Di Grassi em Santa Cruz do Sul, mas todos os seus outros pilotos contratados têm compromissos na Europa neste fim de semana: António Félix da Costa, também com o eP de Berlim; Augusto Farfus, com a etapa de Lausitzring do DTM; e o argentino Esteban Guerrieri, com a etapa de Zandvoort do WCTR.
 
Nonô, apesar de estar feliz com o desafio que se avizinha, deixou claro que gostaria de contar com Di Grassi no carro da Hero neste fim de semana, mas o conflito de horários definitivamente não ajudou. “Essa questão de correr em Santa Cruz nasceu, infelizmente, e digo isso com sinceridade, porque a gente queria muito que o Lucas estivesse aqui. Inclusive tentamos no começo do ano, de algumas formas, que o Lucas não perdesse essa prova, tamanha é nossa vontade e tamanha é nossa confiança de que ele poderia, e pode ainda — óbvio que as dificuldades agora aumentam — ser um protagonista até o fim pela disputa do título”.
 
“É uma pena que ele não está aqui. Ele vem de um começo de temporada fantástico para quem vem de um primeiro ano. A gente fez de tudo para que ele estivesse aqui, mesmo que fosse para chegar apenas no domingo. Mas que acabou se tornando inviável por conta de uma mudança de horário que aconteceu na Fórmula E”, disse.
Nonô destacou a grande temporada que vem fazendo Lucas Di Grassi na Stock Car (Foto: Fernanda Freixosa/Vicar)
“E aí, no fim das contas, acabou ficando para mim a missão de substituí-lo. Diria que é um grande desafio. Me sinto tranquilo de que posso enfrentá-lo de uma forma digna para a equipe que estou representando. Se te disser que tenho algum objetivo agora, é o de, ao começar os treinos, entender como vou me adaptar ao carro, apesar de ter corrido a prova de duplas, então não é algo novo para mim nesse ano. E aí, a partir de então, estipular algumas metas para que possa cumprir essa etapa de forma realmente a representar à altura o trabalho que a Hero vem fazendo neste ano”, complementou.
 
Experiente, Nonô evita jogar nas costas o peso de uma teórica responsabilidade por guiar o carro da última vitória na Stock Car, conquistada por Di Grassi na corrida 2 em Londrina, há quase duas semanas.
 
“É um desafio, mas não levo muito por esse lado. Jogar muita responsabilidade sobre si acaba se tornando um peso ruim. Sei o que tenho de fazer, a Hero está preparada para eu estar dentro do carro, então é não deixar que o sentimento de ‘o Lucas ganhou uma corrida, o Lucas ganhou duas corridas’ impactar de forma negativa. Mas sim de forma positiva, por ter a certeza que estou numa excelente equipe, com excelentes mecânicos, excelentes engenheiros e um excelente suporte de toda a Hero. Não só para mim, mas também para o Bruno, estar neste ambiente é o que todo piloto um dia sonha”, destacou.
 
Para Nonô, que vai alternar os trabalhos deste fim de semana como piloto e diretor-técnico da Hero, vai ser um desafio e tanto. Contudo, o veterano garante estar mais do que preparado.
Nonô destacou a missão de emprestar sua experiência para ajudar o novato Bruno Baptista (Foto: Duda Bairros/Vicar/Vipcomm)
“É uma chavinha que você tem de virar, sobretudo quando se vem para uma corrida sabendo que vou participar dela, não apenas do lado de fora. O que, tenho de dizer, também é uma responsabilidade muito grande. Você, de fora, pensar nas estratégias, tomar decisões rápidas... é um desafio muito grande. Estando fora neste ano, como estou, dou ainda mais valor às pessoas que trabalham na equipe nessas funções”, comentou o piloto.
 
“Agora, sobre virar essa chavinha para correr, na verdade nunca deixei de correr de carro... saí da Stock Car, mas fui correr no Marcas, mas também em outras categorias, como Porsche, GT Open, carros também muito bons. Então é só manter o foco. Estou bem satisfeito de poder, mais uma vez, poder correr de Stock Car, e focado para fazer meu melhor e o melhor para a Hero”, complementou Nonô.
 
Por fim, o veterano destacou o trabalho feito como uma espécie de ‘guru’ de Bruno Baptista para ajudá-lo a se ambientar da forma mais rápida possível à Stock Car como um todo e de “encurtar o aprendizado para o Bruno em outra pista que ele não conhece. E todo mundo sabe que, para um piloto que nunca correu de turismo, na Stock Car, em uma pista que não conhece, é extremamente difícil. E no meu entender e no entender de toda a Hero ele vem desempenhando um papel à altura do que a gente quer que ele faça”, finalizou.
 
Nonô Figueiredo vai à pista a partir desta sexta-feira para acelerar nos dois primeiros treinos livres do fim de semana em Santa Cruz do Sul. O GRANDE PRÊMIO cobre ‘in loco’ a quinta etapa da temporada 2018 da Stock Car com os repórteres Fernando Silva e Vitor Fazio. Acompanhe tudo aqui.
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