Stock Car

Final de semana enxuto da Stock Car é “igual para todos”, mas “cansativo para pilotos e intenso para mecânicos”

A Stock Car terá, em 2019, quatro etapas com o final de semana sem os treinos de sexta-feira. A estreia foi no Velo Città, mas Goiânia, a etapa seguinte, volta ao 'normal'. Qual a análise dos pilotos sobre esse 'corte' nos treinos? O GRANDE PRÊMIO descobriu

Grande Prêmio / FELIPE NORONHA, de São Paulo
Na mais recente etapa da Stock Car, no Velo Città, Rafael Suzuki bateu o carro no final do segundo treino livre. Em uma etapa normal da categoria, a Hot Car, sua equipe, teria até o começo da tarde de sábado para arrumar tudo, já que o treino de classificação só seria realizado quase 24 horas depois. Em Mogi Guaçu. porém, a Stock Car fez a primeira experiência, entre as quatro que fará neste ano, de um final de semana 'enxuto', com treinos livres já no sábado de classificação. E aí os mecânicos de Suzuki tiveram uma hora para consertar todos os problemas.

Deu certo, mas foi exaustivo para os membros da equipe. E também para o piloto, que ficou tenso, sem saber se poderia participar do momento que define estratégias para toda a rodada dupla. Mas é assim que foi no Velo Città, e como será em outras três etapas do ano, com a mudança, por economia, de três dias para dois de trabalhos em pista.

Em Goiânia, a partir desta sexta-feira (17), a programação volta ao normal: um dia para treinos livres, classificação no sábado, corridas no domingo. Para alívio de mecânicos e de pilotos, segundo apurou o GRANDE PRÊMIO. Apesar da compreensão de que encurtar o final de semana diminui os custos para as equipes, o grid da Stock Car, no geral, prefere ir para a pista desde mais cedo.
Pedro Cardoso acelera no Velo Città (Foto: Vanderley Soares)
Pedro Cardoso, companheiro de Suzuki na Hot Car, comentou sobre como os mecânicos da equipe sofreram por causa do tempo menor: "Para eles eu tenho certeza que influencia. É um trabalho mais intenso. Eles tiveram que reconstruir o carro em uma hora. É muito mais intenso."

Gabriel Casagrande, da Crown, seguiu a linha do novato. Segundo ele, para o trabalho da equipe é uma situação pior: "Porque a gente fica numa correria alucinante."

"Não dá nem tempo de fazer uma reunião com a equipe inteira, já tem que pular no carro de volta. Ter treino na sexta-feira torna mais tranquilo para trabalhar. Mas o pessoal da promoção do evento que vai dizer o que foi melhor ou pior. Eu acho que, para o trabalho, ficou pior."
Gabriel Casagrande no Velo Città (Foto: Bruno Terena/RF1)
A frase mais escutada, porém, foi "é igual para todo mundo". De fato, é: ninguém anda menos ou mais do que os adversários, então a disputa segue a mesma. Mas há também a vontade de estar na pista, como disse Cacá Bueno, da Cimed:

"Quero andar mais, por mim se desse começava na quarta. Eu amo andar, quanto mais quilômetros, melhor. Mas esse é o desejo pessoal. Tem que ver o que é melhor ou pior para a categoria e para todo mundo. Eu gostaria de andar mais. Mas não é um problema."

Ele lembrou que no Jaguar i-Pace eTrophy, o qual disputa, e na Fórmula E, a situação é a mesma, e também citou a questão dos valores gastos pelas equipes com esse dia a menos. Tal linha foi seguida pelo companheiro de Bueno, Felipe Fraga:

"É correria, é bem mais corrido, mas eu não reclamo.  Acho que é igual para todo mundo. Não cabe a um piloto reclamar disso. Ninguém sofre ou ganha com isso. E é bom para as equipes, que podem economizar. Esse dinheiro pode ser gasto com outras coisas para melhorar a categoria. Muitas categorias no mundo são assim. Nada que me preocupe."
Felipe Fraga (Foto: Bruno Terena/RF1)
Curiosamente, a frase "é igual para todo mundo" foi dita tanto pelo atual bicampeão, Daniel Serra, como por novatos, como Gaetano di Mauro e Marcel Coletta. "Prejudica, mas prejudica todo mundo", como afirmou Serra, pois o principal problema é a "diminuição da carga de treino", como completou Coletta.

Por fim, uma opinião única foi a de Thiago Camilo, que vem de duas poles em duas etapas e uma vitória, exatamente na primeira corrida após um final de semana mais curto. Desta forma, não havia como ele reclamar.

"Influencia a concretizar o trabalho das equipes mais sincronizadas. No final de semana com mais dias, você tem mais oportunidades de testar coisas no carro. Então você entende melhor o carro e busca novas saídas. Com treino atrás de treino, é pouco tempo para fazer uma análise minuciosa e conseguir chegar a um resultado. Então as equipes que têm essa sinergia entre piloto e engenheiro consegue mais facilmente, o resultado vem mais fáicl. Para nós nessa fase seria até melhor", concluiu Camilo.

Em um final de semana com três dias de trabalho, a Stock Car volta às pistas nesta sexta-feira, em Goiânia. GRANDE PRÊMIO cobre ‘in loco’ com o repórter Felipe Noronha.

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