Multicampeões no kart, irmãos Dirani destacam transição no Brasileiro de Turismo e sonham juntos com a Stock Car

Os irmãos Dennis e Danilo Dirani unem o talento e experiência adquirida no kart e no automobilismo como um todo para colocarem em prática na Stock Car. A dupla planeja passo a passo a carreira e, sem atropelos, mira a evolução enquanto ganha quilometragem no Brasileiro de Turismo. Dennis, inclusive, conta com uma boa estrutura e já luta pelo título no seu ano de estreia

Quem acompanha o automobilismo de perto, sobretudo o kartismo, conhece o histórico vitorioso dos irmãos Danilo e Dennis Dirani. Tanto Danilo, o mais velho, 32 anos, quanto Danilo, de 27, somam inúmeros títulos no kart e construíram uma carreira de sucesso nas pistas do Brasil e do mundo. Acostumados a dividirem as pistas pelos kartódromos mundo a fora, Danilo e Dennis voltaram a se encontrar. Mas, desta vez, nos autódromos. Como adversários, mas sempre um ajudando ao outro. Tudo com o objetivo de um dia colocar o sobrenome Dirani no grid da Stock Car. Mas antes, se faz necessária a transição pelo Campeonato Brasileiro de Turismo.
 
Dono de muita experiência no automobilismo nacional e do exterior, Danilo já foi campeão da F3 Sul-Americana em 2003, correndo pela Cesário, sobrando num campeonato que teve Lucas Di Grassi como vice-campeão. Nos dois anos seguintes, acumulou experiência e venceu corridas na consagrada F3 Inglesa — que hoje só existe nas páginas de história. Em 2006, rumou para a F-Atlantic com a intenção de buscar a Indy. Mas o piloto teve de regressar ao Brasil para retomar sua carreira por aqui.
 
Desde 2009, Danilo Dirani acelera na F-Truck, onde teve a chance de correr para a equipe do seu ‘segundo pai’, o lendário Djalma Fogaça. Mas depois de seis anos correndo de caminhão, o mais velho dos Dirani aceitou o desafio de liderar na pista o projeto Bravar Motorsport, construído por Onassis de Souza e idealizado para levar talentos do kart para os autódromos.
 
Por sua vez, Dennis Dirani é um pouco mais novo. Aos 27 anos, o piloto é dono de nada menos que quatro títulos de campeão brasileiro de kart. Além disso, trabalha ao lado do irmão da DDirani Coach, empresa formada para que os dois emprestem sua experiência como treinadores de jovens pilotos que fazem a transição do kartismo para o fórmula ou o turismo.
 
Ao contrário do irmão mais velho, Dennis vai para sua primeira experiência no automobilismo depois do kartismo. Então, para ele, é tudo um pouco novidade. E chegar ao Campeonato Brasileiro de Turismo, ainda que contando com uma grande estrutura por trás, por parte da Shell Racing, tem sido um grande desafio. Mas ainda assim, Dennis vem fazendo um grande campeonato, já venceu corridas e chega a Tarumã neste fim de semana como vice-líder, sonhando em levar a decisão do título para a etapa final, em São Paulo.
Dennis e Danilo Dirani comemoram no pódio em Cascavel ao lado do pai, José Dirani (Foto: Carsten Horst/Hyset)
De fato, a família Dirani vem fazendo bonito neste ano de estreia no Brasileiro de Turismo. Logo na segunda corrida do campeonato, em Goiânia, Danilo Dirani venceu a prova. Dennis voltou a colocar o sobrenome vencedor no topo do pódio nas corridas 2 de Santa Cruz do Sul e, igualando ao irmão, em Goiânia. E na última prova antes de Cascavel, Danilo voltou a vencer.
 
Na tabela do campeonato, Dennis soma 134 pontos e ocupa a vice-liderança, 19 pontos atrás de Marcio Campos. Assim, ele ainda tem chance de, dependendo dos resultados, seguir para São Paulo para tentar o título. Danilo, por sua vez, está em oitavo lugar, mas não corre neste domingo em Tarumã em virtude da falta de orçamento. Entretanto, espera estar em Interlagos para fechar a temporada em 13 de dezembro.
 
Ao GRANDE PRÊMIO, os irmãos Danilo e Dennis Dirani falaram sobre a entrada no ‘mundo Stock Car’ pelo Campeonato Brasileiro de Turismo e os desafios de correr em uma primeira temporada, para ambos, em carros fechados. Tudo com o objetivo de, muito em breve, fazer parte do grid da principal categoria do automobilismo brasileiro.
 
“Tem sido bem legal. Não esperava disputar o título logo na primeira temporada. A gente chega a Tarumã 19 pontos atrás, então ainda temos chance. É algo surpreendente para mim”, vibra Dennis, feliz com a forma e com os novos horizontes que 2015 lhe apresentou, incluindo aí a chance de representar a Shell, dona de presença marcante na Stock Car.
 
“Claro que várias coisas encaixaram. A equipe teve paciência e, mesmo considerando que é minha estreia, sou um pouco ‘velho’ [risos]. Como já fiz a transição dos meninos do kart para o fórmula como coach, acho que isso fez com que eu pudesse entender esse processo. Dá para ir com mais calma e puxar um pouco do meu feeling como coach, principalmente sobre a calma, não se apressar… tudo para ir puxando e evoluindo”, comenta.
 
Mesmo fora do grid em Tarumã, Danilo está bastante satisfeito com sua primeira temporada no Brasileiro de Turismo. “Foi um caminho novo que eu escolhi. Sempre fiz minha carreira em kart, fórmula e depois na Truck, então essa foi minha primeira temporada em carro. Tenho quase 25 anos de experiência em pista, desde pequenininho, mas nunca tinha feito uma temporada completa em carro fechado.”
 
“Então foi bem bacana, com uma equipe nova, com o Duda Pamplona, que estava na V8 e veio para o Turismo com a Bravar. Ganhamos corrida, fizemos pole… pena que deu uma travada por conta de orçamento, mas o resultado em si foi bem bacana. Se você olhar para os resultados como um todo, foi muito legal”, comemora Danilo.
Danilo Dirani conquistou pole e vitória na etapa de Cascavel do Brasileiro de Turismo (Foto: Fernanda Freixosa/Vicar)
O mais velho dos Dirani fala com carinho sobre a F-Truck, onde teve a chance de correr pela equipe do ‘monstro’ Djalma Fogaça. Mas entende que o caminho da Stock Car lhe apresenta mais possibilidades de viver do automobilismo.
 
“A escolha para mudar para cá foi totalmente minha, totalmente pessoal. Por querer estar aqui, no mundo da Stock Car. Falando em campeonato, acho que é o mais profissional que nós temos aqui. A Truck sempre me abraçou muito bem. Corri na equipe do Djalma Fogaça, na Volvo… o Djalma é sensacional, meu segundo pai. Depois, na equipe do Roberval no ano passado. Mas aqui vejo que o cenário está mais seguro para o cara que vive de corrida”, avalia.
 
 
Adversários, sim, mas sempre irmãos
 
Embora lutem desde o kart pelo mesmo objetivo, que é figurar no topo do pódio sempre, os irmãos Dirani buscam se ajudar o tempo todo. Mais experiente e com amplo conhecimento das referências dos autódromos brasileiros, Danilo serve como referência a Dennis, que vai aprendendo os traçados aos poucos e nos finais de semana de corridas do Brasileiro de Turismo. O irmão mais velho também conta ao GP que já conseguiu ajudar Dennis ao vencer corridas e evitar a ascensão de Marcio Campos, líder do campeonato.
 
“É só um que sobe no topo do pódio, mas a gente sempre se ajudou, e aqui é a mesma coisa. Agora, no fim do ano, ele está disputando o campeonato, enquanto eu tive uns problemas. Na última etapa, lá em Cascavel, indiretamente dei uma ajuda para ele: larguei na pole, venci a corrida e tirei pontos dos pilotos que estavam na briga com ele. Então a gente se ajuda, mesmo sendo indiretamente”, diz Danilo.
 
Dennis, tão acostumado a ser coach dos jovens pilotos que estão iniciando no automobilismo, desta vez conta com as instruções de Danilo neste fim de semana. 
Dennis Dirani também venceu corrida e luta pelo título no seu ano de estreia na categoria (Foto: Duda Bairros/Vicar)
“A gente sempre se ajuda, mas na primeira ‘andada’ eu vou sempre no escuro. Apesar de ter as referências, andando é sempre um pouquinho diferente. E depois que ando a primeira vez, a gente troca muita informação. Nessa corrida ele não está no grid, mas está no rádio comigo e sendo meu coach, me acompanhando, e é sempre bom ter alguém que confia e tá sempre junto”, aprova o mais jovem dos Dirani.
 
Neste domingo, Dirani tem uma missão difícil ao tentar adiar a decisão do título para São Paulo. Isso porque Marcio Campos vai largar na pole e terá ao seu lado o companheiro de equipe na Motortech, o piloto da casa Gabriel Robe. Dennis larga em quarto e busca um bom resultado para seguir na briga.
 
 
O presente no Brasileiro de Turismo e o futuro na Stock Car
 
O fato é que tudo faz parte de um planejamento que visa a entrada de vez na Stock Car. Danilo, mais experiente, já almeja subir para a categoria principal o quanto antes. Dennis projeta chegar ao grid em 2017. No fim das contas, o objetivo dos irmãos é colocar na Stock Car o mesmo sobrenome que fez e continua fazendo história no kartismo.
 
“A gente tem de fazer o caminho e aproveitar as oportunidades que aparecem. Seria muito bacana se a gente subisse na mesma hora”, torce Danilo. “Mas acredito que a nossa hora vai chegar. Então, se for junto, ótimo. Se não for, quem for primeiro, seja quem for, um vai torcer pelo outro. E se a gente dividir uma equipe, vai ser muito bacana. Se a gente conseguir dar esse passo, temos boas chances de obter bons resultados”, diz o experiente piloto da Bravar.
No 'mundo Stock Car', Dennis e Danilo Dirani almejam a ascensão ao grid da categoria em breve (Foto: Fernanda Freixosa/Vicar)
Embora deixe claro que já tinha o desejo de estar na categoria nesta temporada, Danilo entende que é importante ver e ser visto, estar na vitrine e no radar das equipes da Stock Car. Mas lembra que, ainda mais em tempos como os atuais, é o dinheiro que faz tudo acontecer.
 
“Eu já pretendia entrar na Stock Car. Já tenho experiência suficiente para estar lá. Entrei no Turismo porque não tenho orçamento para correr na Stock Car. Então foi um ano para entrar na categoria e fazer a roda girar. A gente tem de se dar o valor, em todas as categorias que disputei fui vitorioso. Muita gente que corre hoje na Stock Car correu comigo de kart, de fórmula, então já tinha condição de entrar na categoria principal. Mas é uma questão 100% de orçamento. Tive a chance de entrar no Turismo pela Bravar, foi a porta de entrada para mim. Se tiver de ficar mais um ano no Turismo, ok, mas estou vendo a principal e é o que eu quero”, comenta Danilo.
 
Por sua vez, Dennis segue com a Shell como parte de um projeto de longo prazo e que promete trazer bons frutos para ambos. “Vamos repetir o pacote para 2016. Mesmo se for campeão, vamos continuar no Turismo no ano que vem para acumular experiência, ter mais largadas, e aí no outro ano buscar uma equipe de acesso para brigar por uma vaga na Shell. É um projeto de, contando esse ano, quatro anos para buscar disputar alguma coisa pra valer na Stock. É um projeto longo e bacana”, complementa.

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