Pentacampeão, Cacá aponta “sarrafo altíssimo” desde sempre na Stock Car e revela: “Nunca me vi como o melhor”

Aos 41 anos e na Stock Car desde 2002, Cacá Bueno tornou-se o maior nome da principal categoria do automobilismo brasileiro depois do mítico Ingo Hoffmann. Com números que falam por si só, o pentacampeão, hoje na Cimed Racing, poderia se imaginar como o melhor do seu tempo. Mas não é o que ele diz em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO

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É impossível ficar indiferente a Cacá Bueno. Muito além de filho do icônico narrador Galvão Bueno, o carioca de 41 anos alcançou brilho próprio com uma carreira coroada de êxito, vitórias e títulos na Stock Car, a principal categoria do automobilismo brasileiro. Os números falam por si: 35 vitórias, 37 poles, 77 pódios, 21 voltas mais rápidas, cinco vezes vice-campeão e dono de nada menos que cinco títulos, conquistados em 2006, 2007, 2009, 2011 e 2012. Não à toa, Cacá só está atrás do lendário Ingo Hoffmann, 12 vezes campeão da Stock Car, como o maior nome da história do certame.

 
Cacá faz parte do grid da Stock Car desde 2002, e desde então mostrou ser o melhor, ou então estar entre os melhores da categoria. Mas o piloto, hoje representando o verde e amarelo da Cimed Racing, não se vê assim. Muito pelo contrário.
 
“Nunca me vi como o melhor, nem nos anos em que ganhei”, surpreendeu o piloto em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO no fim de semana da Corrida de Duplas que abriu a temporada 2018, em Interlagos, da qual foi um dos grandes destaques.
Cacá Bueno ostenta histórico vencedor na Stock Car. Mas revela: "Nunca me vi como o melhor" (Foto: Bruno Terena/RF1)
Bueno lembra uma frase atribuída ao pentacampeão da F1, Juan Manuel Fangio, para lembrar que é sempre possível ir além e melhorar, evoluir. Por isso, não se pode pensar que é o melhor no que faz.  
 
“‘Trate sempre de ser o melhor sem nunca acreditar que você seja o melhor’. Sempre tive um desejo incessante pela perfeição, e a gente sabe que isso não vai acontecer. Sempre tive uma dedicação pelo meu trabalho, e isso todos sabem. Muitas vezes, essa dedicação é confundida com arrogância, com irritação excessiva. Mas era e é dedicação, sobre não se conformar com o mediano, com o medíocre. De querer sempre a alta performance. É uma exigência, talvez seja um cara exigente. Mas nunca me achei um cara tão bom assim”, contou o dono do carro #0.
 
Uma das características de Cacá Bueno que chama a atenção é seu apreço pelo automobilismo como um todo. O piloto, que trilhou carreira na Argentina antes de voltar ao Brasil e ser um dos grandes da Stock Car, já disputou etapas do antigo WTCC (hoje renovado como WCTR), Blancpain GT, FIA GT, Super GT Brasil, TC 2000 e provas da Porsche GT3 Cup na Endurance Series. Tudo para buscar novos horizontes, lapidar-se enquanto piloto e elevar o próprio nível técnico.
Muito além da Stock Car: Cacá Bueno busca aperfeiçoar seu talento em outras categorias, como a Porsche Cup (Foto: Bruno Terena/RF1)
“Nunca me acomodei, sempre imaginei as coisas com muita dificuldade. Sei do meu potencial, sim, mas sei do potencial dos outros, e sei que tenho de me superar a cada dia. E por isso mesmo fiz várias categorias no mundo. Achei que era importante fazer três, até quatro categorias no mesmo ano porque precisava me reciclar, enfrentar novos adversários, novos circuitos para melhorar como piloto. Sinto muita falta disso na Stock Car, para ser sincero. Acho que a gente fica pouco tempo num carro de corrida”, lamentou Cacá, numa antiga queixa ao número de etapas ao longo do ano — 12, sendo dez rodadas duplas em 2018.
 
“Mas tem muito cara bom, muito cara melhor do que eu, mas talvez eles não tomem as melhores decisões ou não tomaram as melhores decisões, talvez arriscaram de mais ou de menos, não se cercaram das melhores pessoas… Talvez tenha tido uma leitura melhor para chegar ao título que meus adversários”, apontou.
 
 
Nível elevado na Stock Car. Como sempre foi
 
Dentre as novidades para a temporada 2018 da Stock Car está a chegada de dois campeões da Fórmula E. Nelsinho Piquet e Lucas Di Grassi são, reconhecidamente, dois dos melhores pilotos brasileiros nos últimos anos e trazem um ganho técnico considerável ao grid da categoria, que já era de alto nível nos últimos anos. 
 
Cacá Bueno exaltou o “sarrafo altíssimo” do grid atual da Stock Car. Mas lembrou que sempre foi assim, desde o tempo em que passou a fazer parte da categoria. “Acho que, na verdade, isso renova. Se você pensar na época quando entrei na Stock Car, comecei com Chico Serra, Ingo Hoffmann, Xandy Negrão, Paulo Gomes, Raul Boesel, Gualter Salles… Quando entrei na Stock Car, pensei: ‘Pô, o sarrafo é altíssimo! Onde esse moleque está se metendo?’ [risos]”.
Cacá Bueno destacou a chegada de nomes vitoriosos como Nelsinho Piquet e Lucas Di Grassi (Foto: Fernanda Freixosa/Vicar)
“Eles [os pilotos da Stock Car na atualidade] estão no auge. Mas será que Rubens Barrichello, Marcos Gomes, Felipe Fraga, Daniel Serra, Nelsinho Piquet, Lucas Di Grassi… será que são melhores do que eram Ingo Hoffmann, Paulo Gomes, Chico Serra, Xandy Negrão? Acho que é uma questão de perspectiva. Já passei por muitos momentos na Stock Car desde o ano em que fiz minha estreia lá na Stock B, em 1996, mas sempre juntos. Então corri contra nomes tão fortes, e agora corro com outros nomes muito fortes. Então, [a Stock Car] vai se renovando”, avaliou.
 
No fim das contas, Cacá entende que a Stock Car sempre primou pela sua qualidade e nível técnico. Às vezes com mais, às vezes com menos, mas sempre com pilotos da maior capacidade para competir. 
No molhado em Interlagos, Cacá provou novamente seu alto nível na Stock Car (Foto: Bruno Terena/RF1)
“Talvez em alguns períodos a safra pode ter diminuído, mas como falei: são gigantes da Stock Car, Depois, na entressafra, corri com nomes como Antônio Jorge Neto, Beto Giorgi, Luciano Burti, Christian Fittipaldi, Enrique Bernoldi, Hoover Orsi, Tarso Marques. E quando você vai trocando os nomes e vai olhando para trás, dez, 20 anos, você vê: tinha nomes fortes há dez, 20 anos”, salientou Bueno, feliz por provar seu alto nível contra os pilotos da sua geração.
 

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“O sarrafo está altíssimo. Acho que, talvez, na quantidade de gente boa que está maior que antigamente, não na qualidade. E os dois novos que entraram que, além de ser muito bons, entraram em equipes fortíssimas: o Di Grassi na atual campeã, o Nelsinho na equipe campeã em 2014. Eles entram em equipes muito vitoriosas, vão dar muito trabalho… são mais dois caras candidatos ao título”, pontuou. 

 
“Mas estou preparado, sempre tive, em todos os campeonatos que fiz sempre soube que tinha nomes fortíssimos. Disso não tenho medo. Tenho medo de não encontrar o caminho com meu carro, de não encontrar a consistência necessária… tenho mais preocupação com nosso trabalho do que com os outros”, complementou.
 
E a julgar por toda sua atuação na Corrida de Duplas no início de março, quando partiu de 11º e chegou a andar em terceiro, na chuva, em condições críticas — de asfalto e visibilidade —, Cacá ainda tem muita lenha para queimar e mostrar porque é um dos maiores da história na Stock Car.
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