Stock Car indica vistoria da CBA e pede a equipes troca de peças de ‘mercado paralelo’

Após diversas polêmicas por punições tardias, a Stock Car solicitou às equipes, em Santa Cruz do Sul, que trocassem anéis de vedação de pinças de freio – conhecidos como 'orings' – irregulares um dia antes de uma vistoria que a entidade faria nos carros

A etapa de Santa Cruz do Sul foi palco de mais uma questão controversa da Stock Car em 2019. A cidade gaúcha foi o local de uma reunião em que a organização da categoria pediu às equipes para que trocassem peças irregulares sabendo que uma vistoria seria realizada pela CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo), apurou o GRANDE PRÊMIO.

Tais peças são os 'orings', ou anéis de vedação, que são utilizados nas pinças de freio dos carros da Stock Car – pinças, estas, centro de outra polêmica: a da desclassificação de Ricardo Zonta na corrida 2 do Velo Città, segunda etapa do ano. 

A reunião aconteceu no sábado daquele fim de semana (20 de julho) e tinha o propósito de falar dos novos carros da categoria. Mais para o fim, no entanto, o assunto veio à tona. Questionou-se quais equipes teriam estes anéis irregulares e quais utilizavam os dentro do regulamento técnico da categoria. Esse pedido foi confirmado por Carlos Col, diretor da Vicar, promotora da categoria, ao GP

"Chegou ao meu conhecimento que havia um fornecimento de peças do chamado ‘aftermarket' – como se diz, do mercado paralelo. Não é uma peça original, é apenas um anelzinho de borracha que vai no êmbolo (da pinça de freio). Eu fui atrás e as pessoas me trouxeram, as equipes, quando fiz a reunião e pedi", afirmou Col.

O GP conversou com diversos chefes e representantes de equipes da Stock Car – todos em condição de anonimato –, que confirmaram que o pedido foi feito na reunião e que ao menos quatro equipes assumiram que não estavam utilizando as peças tais quais o regulamento pede. Na verdade, os anéis são idênticos aos regulamentados, mas vindos de outro fornecedor – mais barato.

Este ponto é importante: as equipes que afirmaram utilizar os anéis regulares se incomodaram com a possibilidade de que adversárias com peças tivessem a chance de trocá-las, evitando assim uma punição que seria supostamente correta, enquanto as equipes que utlizavam os mais baratos se incomodaram com a obrigatoriedade de trocar os 'orings' por versões iguais, mas mais caras – nacionais; as peças de preço menor seriam fabricadas na Argentina.

Outras equipes, na reunião, assumiram usar peças fora do regulamento em um dos carros.

Há consenso, porém, de que foi esta reunião que causou a criação do 'bilhetinho' entregue pela CBA na etapa seguinte, em Campo Grande, na qual equipes puderam indicar peças a serem vistoriadas pela entidade. 

Calor em Campo Grande não foi só na pista (Foto: Duda Bairros/Vicar)

Col disse que a ideia foi evitar punições a várias equipes de uma só vez. "As peças são idênticas em formato, em dimensões e tudo mais, apenas não são da mesma origem, da mesma procedência de fabricante. Para evitar qualquer tipo de punição a quem quer que seja, que é uma coisa indesejável, eu solicitei às equipes que se por acaso estivessem utilizando, digamos assim, do mercado ‘aftermarket’, não original, que por favor trocassem, e eles fizeram isso. Ficou tudo tranquilo", analisou. "Eu fiz essa solicitação preventiva, porque soube, então pedi para que não utilizassem o produto de segunda linha, vamos dizer assim", concluiu o dirigente.

Ao GP, alguns chefes afirmaram que souberam de equipes que trocaram para evitar de fato a punição, enquanto outros disseram que a CBA não verificou por completo o grid após a reunião no Sul.

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A medida veio não só após a punição a Zonta, mas principalmente também a Thiago Camilo e Ricardo Maurício por suposta queima de largada na corrida 1 de Goiânia – punição que causou briga na justiça entre a Ipiranga, de Camilo, e a CBA. A entidade recorreu ao STJD após o piloto e a equipe recuperarem a vitória. Camilo ganhou por 5 a 1.

Outro caso recente é a punição a Pedro Cardoso, da Hot Car. Em texto publicado no próprio site da Stock Car – que funciona sem ligações à CBA –, a equipe afirma que o piloto foi punido por ter utilizado o botão de ultrapassagem, o 'push', em momento não permitido em Campo Grande. Desta forma, ele fica sem os oito botões para a Corrida do Milhão, no próximo domingo (25).

Enquanto a Hot Car recorre da punição, Cardoso afirma que "mais uns 10 pilotos" estão na mesma situação.

Neste cenário, a Stock Car volta às pistas para a Corrida do Milhão já na próxima sexta-feira (23), com os dois primeiros treinos livres. No sábado, ocorre a classificação – ainda sem a definição de como será realizada, com possível troca de regulamento com a inclusão de um Q4 –, e domingo, às 11h30, a largada para a prova mais famosa da categoria.

O GRANDE PRÊMIO cobre tudo in loco em Interlagos com os repórteres Felipe Noronha e Pedro Henrique Marum. Acompanhe aqui

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