Granado abre nova porta para futuro e estreia no Mundial de Superbike em Portugal

Piloto brasileiro vai fazer seu debute na série das motos de produção defendendo a equipe satélite MIE. Será a primeira vez de Eric com a CBR 1000RR-R Fireblade SP

Eric Granado vai estrear no Mundial de Superbike neste fim de semana. Com o apoio do braço brasileiro da Honda, o campeão de 2017 do Europeu de Moto2 vai disputar a etapa do Estoril do fim de semana pela equipe satélite MIE.

Atualmente, o piloto de 24 anos se divide entre a Copa do Mundo de MotoE, que encerrou a segunda temporada no último domingo como título de Jordi Torres, e o SuperBike Brasil, categoria pela qual é tricampeão e lidera a disputa deste ano com 18 pontos de vantagem para Pedro Sampaio, o segundo colocado.

Na rodada de Portugal, Eric vai guiar a CBR 1000RR-R Fireblade SP, o modelo que a Honda estreou neste ano em competições. Vai ser a primeira vez de Eric com essa moto. O piloto de São Paulo terá Takumi Takahashi como companheiro de equipe.

Eric Granado encerrou a temporada 2020 da MotoE com a Avintia no fim de semana(Foto: MotoE)

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Em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO, Granado mostrou animação para a estreia, mas ressaltou que será um fim de semana de aprendizado e adaptação.

“A expectativa é ótima, estou muito feliz em poder participar de uma etapa do Mundial de Superbike”, disse Eric. “Antes de tudo, gostaria de agradecer muito a Honda Brasil e a MIE Racing Honda Team pela oportunidade de estar nessa etapa do Mundial e de poder conhecer a nova CBR 1000RR-R Fireblade SP. Acredito que vai ser uma experiência inesquecível para mim. Com certeza vai ser algo que vai trazer muita bagagem para a minha carreira, principalmente para o futuro. A expectativa é ótima, não vejo a hora de começar”, seguiu.

Questionado sobre qual espera que seja o maior desafio desta estreia, Granado respondeu: “Acredito que a minha principal dificuldade será a adaptação à eletrônica da nova moto, que é bem diferente da que eu uso no Brasil”.

“Quando eu falo de eletrônica, estou me referindo a recursos como controle de tração, anti-wheeling, entrega de potência, etc. Atualmente, saber usar a eletrônica da moto é algo fundamental para o piloto conseguir se adaptar às condições climáticas da prova, se o asfalto está seco ou molhado, e ser rápido na pista, principalmente no final de corrida, que é quando os pneus começam a se desgastar. Vou precisar me adaptar muito rápido a essa nova situação, apontou.

Neste processo de adaptação, Eric terá uma ajuda importante: a presença de Reinaldo Campos, o chefe de equipe da Honda na categoria nacional. Com a participação no Mundial, aliás, os dois vão perder a quarta etapa do SuperBike Brasil, em Interlagos.

“[Isso] vai ser muito importante. O Reinaldo Campos me conhece há muitos anos, desde o início da minha carreira, e trabalhamos juntos na Honda Racing há quatro temporadas. Temos uma sintonia muito legal, a gente se entende muito bem em termos de linguagem de pista. Eu falo o que eu sinto e ele sabe entender e passar isso para a moto”, contou Granado ao GP. “O Reinaldo estando comigo vai ser fundamental para encontrarmos o acerto ideal da moto, o caminho mais rápido para termos o melhor rendimento na prova. Ele me conhece e conhece bem as pessoas da MIE Racing Honda Team, então será muito importante. Mais uma vez, agradeço a Honda por tornar tudo isso possível, inclusive a ida do Reinaldo, já que temos a etapa do SuperBike Brasil na mesma data. Estou muito feliz com isso, com certeza ele vai me ajudar bastante”, frisou.

Além da presença de Reinaldo, Eric espera que o fato de conhecer o traçado do Estoril, onde venceu duas etapas do Europeu de Moto2 em 2017, vai ajudar a abreviar a fase de adaptação.

“Isso sem dúvidas é um ponto muito positivo para mim, vai ser bem importante. Estou feliz que a prova vai ser em Portugal e numa pista que eu gosto. Eles asfaltaram novamente a pista no ano passado, então está até melhor do que quando eu fui”, comentou. “Vai ser interessante poder aproveitar esse ponto positivo, mas ao mesmo tempo isso não deve ser uma grande vantagem com relação aos pilotos que não conhecem a pista, porque todos os competidores do Mundial são habilidosos e não têm dificuldades em se adaptar a um novo circuito”, ponderou.

O debute no Mundial de Superbike acontece na semana seguinte da rodada da França da MotoE, onde Granado finalizou a temporada com a sétima colocação no campeonato.

“Ir da MotoE direto a superbike não será a minha principal dificuldade, já venho fazendo isso há dois anos. Acho que o maior desafio será a adaptação à motocicleta do Mundial, que é diferente da que eu uso no SuperBike Brasil. Mas o fato de ir de uma moto elétrica para a superbike é algo natural para mim, que eu venho fazendo nos últimos anos. Sempre que subo numa moto ou outra eu mudo o ‘chip’ da minha cabeça e fica tudo muito natural”, explicou ao GP.

“A preparação, basicamente, é a que eu venho fazendo sempre, tenho treinado muito. Eu sempre digo que me preparo para estar pronto para o desafio que surgir. Além da parte física, faço treinos com moto e de bicicleta e o foco sempre é estar preparado para um desafio maior”, declarou. “Eu me sinto muito bem física e psicologicamente, claro que será uma experiência diferente, a motocicleta do Mundial de Superbike traz mais potência e inovações tecnológicas por conta da preparação permitida no regulamento do campeonato. Com certeza a moto vai exigir muito fisicamente, mas acredito que vou lidar bem com isso. O importante será trabalhar duro com a equipe na etapa em Portugal, principalmente na sexta e no sábado, para encontrar o acerto ideal para mim, para que eu esteja mais à vontade na moto. Então a melhor forma de me preparar para a etapa em si será em cima da moto, para entender como funciona e tirar o melhor dela e de mim durante o fim de semana”, continuou.

A CBR da MotoGP

A temporada 2020 marcou a estreia de uma nova CBR1000RR-R Fireblade SP, uma moto onde a Honda incorporou a tecnologia usada na MotoGP. Foi uma tentativa da HRC, que voltou ao WSBK como time de fábrica após 18 anos de ausência, de encerrar o domínio da Kawasaki e de Jonathan Rea no campeonato, mas a tática não funcionou: o norte-irlandês se aproxima do hexacampeonato e lidera a classificação com 59 pontos de vantagem para Scott Redding, o segundo colocado.

Álvaro Bautista é o melhor colocado entre os pilotos da Honda no Mundial de Superbike 2020 (Foto: Honda)

“Pelo que eu tenho visto, por meio das especificações técnicas e pelo o que eu me informei, a moto tem uma evolução com relação ao modelo que utilizo no Brasil, a CBR 1000RR Fireblade SP. Acredito que eu vou me surpreender positivamente. A minha moto do Brasil já conta com um pacote de recursos muito bom, me sinto muito bem nela. Pelo que apurei, a moto nova tem mais potência, além de freios, chassi e eletrônica diferentes”, indicou. “No Mundial, é possível usar outra balança ― o que não é permitido no regulamento do SuperBike Brasil, que exige a balança original. Ou seja, será um fim de semana de adaptação e estou muito animado em acelerar a CBR 1000RR-R Fireblade SP”, falou.

Mundial de Superbike: uma opção para o futuro?

Até agora, a carreira de Eric esteve sempre direcionada ao Mundial de Motovelocidade, com passagens por Moto3 e Moto2, por exemplo.

Questionado pelo GRANDE PRÊMIO se essa participação no Estoril significa que a série das motos de produção é uma alternativa para a sequência da carreira, Granado respondeu: “O Mundial de Superbike é um campeonato de alto nível, vemos ótimos pilotos na categoria e estou aberto a avaliar as oportunidades que surgirem”.

Granado fez, também, uma avaliação bastante positiva do certame que, em 2020, teve vitórias de Rea, Redding, Chaz Davies, Alex Lowes, Toprak Razgatlioglu, Michael van der Mark e Michael Ruben Rinaldi.

“Na minha opinião o campeonato nunca esteve tão competitivo e com tantas marcas brigando pela ponta. Acho que vai ser um fim de temporada bem interessante, vimos vários pilotos brigando pela vitória no decorrer do ano”, opinou Granado. “A Honda entrou forte em 2020 com a equipe oficial de fábrica, a Team HRC, e com a nova moto CBR 1000RR-R Fireblade SP. O trabalho foi muito bom esse ano e tenho certeza de que a Honda estará ainda mais forte no ano que vem. Espero que, de uma forma ou de outra, mesmo que com um grão de areia, eu consiga ajudar nesse processo de evolução da Honda que tem como meta o título do Mundial de Superbike no futuro. Além de ajudar no que for possível, quero aprender muito junto com eles”, encerrou.

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