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Com 36 anos de automobilismo, Fogaça cita falta de recursos e fala em deixar as pistas: “Estou aqui por paixão”

Djalma Fogaça pode ter feito sua última corrida com caminhões em Interlagos, na etapa de abertura da Copa Sudeste. O experiente piloto diz que a falta de apoio tem tornado sua permanência difícil dentro as pistas

Warm Up / VINÍCIUS PIVA, de São Paulo

Djalma Fogaça viveu uma verdadeira saga para chegar a Interlagos e participar na etapa de abertura da Copa Sudeste. Problema de última hora no caminhão dentro da oficina, poucas horas de sono, alarme falso de bloqueio na rodovia pelos caminhoneiros e até uma chave quebrada do veículo de transporte fizeram Fogaça perder a sexta-feira de treinos no circuito da capital paulista. 
 
O #72 só conseguiu deixar os boxes no TL3, na manhã de sábado, para dar quatro voltas e amaciar o motor. E no classificatório, horas depois, acabou ficando sem tempo ao abortar a volta rápida depois que soltou um garfo da embreagem de seu Ford. No domingo, foram apenas cinco voltas completadas na corrida 1.  
 
Para Fogaça, a falta de apoio de tornado sua vida bem mais difícil especialmente nos últimos dois anos. Desde 2017, o piloto não conta com apoio oficial de fábrica. Logo, faltam recursos e mão de obra nos boxes.
Djalma Fogaça durante fim de semana em Interlagos (Foto: Vanderley Soares)

“Com a grana na mão você faz as coisas com muito mais facilidade, compra o que precisa. A gente não. Fazemos três ou quatro orçamentos, acaba tendo diferença, um atraso. Esse é o grande diferencial de quando era uma equipe de fábrica. Agora não, somos uma equipe pequena. Tudo se torna mais difícil”, admite o experiente piloto. 
 
“Estou aqui por paixão total. Vivo disso. Se eu vivo disso e não tenho grana, vivo mal hoje. Mas para mim não tem problema nenhum. O dinheiro para mim nunca fez diferença. Nunca corri pelo dinheiro”, falou Fogaça, com lágrimas nos olhos.
 
O momento delicado faz Djalma, que tem em seu currículo 36 anos dedicados ao automobilismo, dos quais 20 anos apenas aos caminhões, pensar em deixar a categoria. 
 
“Do jeito que está [sem patrocínio] essa foi a minha última corrida. Quero seguir um outro caminho. Quero estar no meio do caminhão, mas fazendo outra coisa”, revelou.
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