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Retrospectiva 2018: Copa Truck traz boas disputas, consagra Roberval Andrade e se consolida no Brasil

O ano de 2018 foi fundamental para a Copa Truck se firmar no Brasil, ocupando a brecha deixada com o fim da F-Truck. A categoria tomou forma este ano, entregou um evento interessante, com disputas intensas a cada etapa, e ganhou espaço com o público
Warm Up / VINÍCIUS PIVA, de São Paulo
2018 foi o ano do renascimento das corridas de caminhões no Brasil. Depois de sobreviver em 2017 a partir da união de pilotos e equipes com o fim da F-Truck, nesta temporada a Copa Truck ganhou a chancela da CBA e se transformou em um campeonato brasileiro. Mais do que isso, a categoria entregou aquilo que o público, no fim das contas, deseja: entretenimento para a família, corridas disputadas e briga pelo título até o fim.
 
Pensando no público, a organização da Copa Truck promoveu algumas ações que surtiram efeito para atrair centenas de pessoas para os autódromos. Goiânia, Rivera e Curvelo são bons exemplos de etapas nas quais as pessoas compareceram em peso, não só no domingo, mas no sábado também. Jogaram a favor as diferentes modalidades de ingressos disponíveis, as atrações extra-pista, como show de motocross e dragsters, a visitação dos boxes acessíveis a todos, as áreas para diversão das crianças, entre outras atividades.
 
É possível dizer que em alguns momentos o público foi semelhante ao encontrado no auge da F-Truck, quando as arquibancadas estavam lotadas para acompanhar o evento liderado por Aurélio Batista Félix. Hoje, a maior parte do fãs dos caminhões entende que Copa Truck é uma nova categoria, diferente da F-Truck, e esse é um dos méritos da gestão Carlos Col, que comanda o evento.
Roberval Andrade faturou o título em Curitiba (Foto: Vanderley Soares)
Dentro da pista, a categoria viu histórias interessantes e grandes pegas. Raramente as corridas foram monótonas. Fato é que a dinâmica ajuda. São quatro copas divididas com duas etapas cada, que apontam um campeão, vice e terceiro lugar - e com direito a troféu e tudo. Cada corrida tem seu valor, portanto. 
 
Foram três pilotos campeões em quatro copas regionais realizadas antes da Grande Final, em Curitiba. Felipe Giaffone levou dois troféus de ouro para casa (Centro-Oeste e Mercosul). Wellington Cirino (Sul) e André Marques (Sudeste) também tiveram o gostinho de comemorar um título no ano. O troféu mais importante de 2018, porém, acabou nas mãos de Roberval Andrade, que ficou com o título brasileiro depois de vencer um duelo direto com Giaffone na última etapa.
 
O formato da competição se consolidou neste ano. Pequenos campeonatos foram, sim, uma atração à parte, porque deu a chance de se ver diferentes personagens no topo. E, por fim, acabou coroando, sem dúvida nenhuma, um dos melhores pilotos da temporada com o título. É bom que se diga, Andrade fez uma temporada excelente. Enquanto esteve na pista, foi sempre muito combativo e agressivo, andando entre os mais rápidos, fazendo grandes manobras e, claro, vencendo corridas. Acabou prejudicado em algumas situações pontuais com problemas mecânicos, por isso não esteve quase o tempo todo em destaque, como aconteceu com Giaffone, o maior vencedor de 2018. Em Guaporé, por exemplo, fez a pole, mas não conseguiu sequer largar.
 
Os problemas mecânicos foram uma constante na Copa Truck, o que pode ser considerado um ponto baixo. Por exemplo, Cirino viveu em Interlagos situação semelhante a de Roberval em Guaporé, quando dominou os treinos livres, fez a pole, mas abandonou ainda na primeira volta. As quebras tiraram muitos pilotos da pista. Em duas ocasiões, em Interlagos e Rivera mais precisamente, apenas nove caminhões completaram a segunda corrida do dia, ou seja, quase a metade do grid. 
Felipe Giaffone venceu a corrida 2 em Buenos Aires (Foto: Duda Bairros)
Nas dezoito corridas da temporada, foram seis diferentes vencedores. Felipe Giaffone e Roberval Andrade puxam a lista dos mais vitoriosos, com sete e cinco triunfos, respectivamente. Wellington Cirino e Danilo Dirani venceram duas cada, e Giuliano Losacco e Renato Martins subiram ao alto do pódio uma vez cada um. Isso significa que Volkswagen, Scania, Mercedes e Iveco estiveram no topo em algum momento. Wellington 
 
Cirino também merece menção, já que foi o piloto com maior número de poles no ano, cinco em nove etapas. Giaffone conquistou três e Dirani, uma.
 
Fatos marcantes
 
Alguns fatos pontuais na temporada também merecem destaque nesta retrospectiva. Um deles foi a chegada de Giuliano Losacco à categoria. O bicampeão da Stock Car, que chegou à Curitiba com chances de título, venceu uma corrida logo em seu primeiro fim de semana na categoria, em Guaporé. Ainda na esfera dos pilotos, a ausência de Giaffone no grid de Interlagos abriu espaço para a estreia de Luciano Burti na Copa Truck. O comentarista da TV Globo fez bonito e terminou as corridas em terceiro e segundo, subindo ao pódio em sua única apresentação na categoria. Teve ainda Djalma Fogaça, tradicional piloto Ford, correndo algumas etapas de MAN, no caminhão de Martins.
 
Além disso, a chegada de Danilo Dirani e sua equipe PPD foi um marco importante no meio da temporada. A estreia do time em Goiânia, sexta etapa, foi perfeita, com duas vitórias dominantes do Mercedes #28 de Dirani. O time tem também o piloto Pedro Paulo, e já anunciou um terceiro caminhão em 2019. 
 
As corridas no exterior também são dignas de lembrança. A Copa Mercosul, com provas em Buenos Aires, Argentina, e Rivera, no Uruguai, marcou a primeira viagem internacional da Copa Truck. O público abraçou a categoria - o sábado em Rivera teve recorde de pessoas na visitação aos boxes. E o intercâmbio com a Top Race, categoria de turismo argentina, colocou Beto Monteiro num carro de turismo, e Agustín Canapino num Truck.