Turismo

Cacá aponta Brasil como “celeiro muito bom de pilotos de turismo” e reforça que “não existe só F1”

Cacá Bueno falou um pouco sobre o atual cenário do esporte a motor brasileiro. Vendo com empolgação o crescimento das categorias como Stock Car e Porsche Cup, o piloto afirmou que o país tem criado cada vez mais grandes talentos de categorias de turismo
Warm Up / NATHALIA DE VIVO, de São Paulo
 Cacá Bueno (Foto: Duda Bairros/Stock Car/Vipcomm)
O cenário do esporte a motor brasileiro tem se estabelecido cada vez. Hoje, o país conta com categorias como Stock Car, Porsche Cup e Copa Truck, o que tem atraído cada vez mais pilotos que acabaram de sair do kart, por exemplo. Cacá Bueno, um dos principais nomes do automobilismo nacional, vê a tendência cada vez mais crescente e ressaltando como é positivo para os novos talentos.
 
“O Brasil tem se mostrado um celeiro muito bom de pilotos de turismo e tem começado a exportar os seus talentos. Não vou falar que fui o primeiro grande exemplo, mas acho que fui um dos pioneiros quando fui correr em várias categorias internacionais, principalmente pela América do Sul. Depois exportamos Augusto Farfus, João Paulo de Oliveira, agora Daniel Serra, Felipe Fraga, Marcos Gomes”, explicou ao GRANDE PRÊMIO.
 
“Serra e Fraga de cara estão fazendo sucesso na Europa, Nelsinho [Piquet] fez também na Nascar. Acho que temos nos mostrado um celeiro de pilotos para os campeonatos de turismo no mundo, que também estão se fortalecendo. A Blancpain é melhor do que era, o WEC é muito maior do que era, está surgindo o eTrophy, campeonato muito forte o elétrico. Então acho que estamos começando a exportar os nossos talentos de piloto de turismo”, continuou.
 
“Grandes países vivem de categorias de turismo muito fortes. Austrália, Japão, Argentina, Estados Unidos, e por que não o Brasil? O brasileiro está cada vez mais entendendo que não existe só F1. Eu tenho a minha F1, que é a Stock Car, Porsche Cup, Copa Truck. Acho que [o cenário] tem crescido sim e com o surgimento de uma galera muito nova que há muito tempo não tinha e acho que até capacitada para estar em grande nível daqui pouquíssimos anos”, complementou.
Cacá Bueno (Foto: Duda Bairros/Stock Car/Vipcomm)
Entretanto, Cacá ressaltou um ponto visto como essencial: estar sempre em movimento. Correr em apenas uma categoria pode ser limitante para um piloto, que conhece apenas um tipo de carro, um tipo de categoria, um tipo de ‘modus operandi’. 
 
O próprio #0 se toma como exemplo: em 2018 correu na Stock Car e na Porsche Cup, além de ter acertado sua estreia no mundo elétrico ao assinar para disputar a eTrophy, primeira categoria mundial de carros de turismo elétricos.
 
Aos olhos do penta, esse intercâmbio entre os diferentes carros é importante para criar bagagem e acumular experiência. “Acho que ficar só no Brasil tudo bem, mas fazer só uma categoria acho um erro. Sempre tratei de achar alguma coisa em paralelo. Quanto mais adversários eu tenho, mais circuitos diferentes corro, mais classificações faço, mais pneus zero passo, melhor me torno como piloto”, falou.
 
“Usei como exemplo dois caras que realmente fizeram um grande ano, que foram o Daniel e o Fraga, e talvez eles sejam os caras que mais correram ao longo do ano também. Então não tenho dúvida de que uma coisa está ligada a outra. Você trabalhar em equipes diferentes, com engenheiros diferentes, com linhas de raciocínio diferentes, com circuitos diferentes. Quanto mais você está dentro de um carro, em um autódromo, melhor você se torna como piloto, está sempre aprendendo alguma coisa”, seguiu.
 
“Sempre tratei de fazer isso. Em 2012, fiz 32 corridas no ano: as 12 de Stock, dez do GT Brasil, seis do troféu Linea e quatro na Argentina. Então ano que vem vou para 24 finais de semana de corrida, é quase a mesma loucura que eu fiz em 2012. Talvez tenha exagerado um pouco naquele ano, mas só Stock acho muito pouco. É importante estarmos perto dos nossos apoiadores, da nossa torcida, dos nossos fãs, do nosso público, mas só uma categoria é muito pouco”, encerrou.
 
Cacá falou um pouco mais sobre o atual cenário do automobilismo brasileiro no texto 'A profissão piloto no Brasil'. Para conferir todo o material, clique aqui.