Com início previsto para abril, TCR apresenta bases para Sul-Americano de Turismo em 2021

Em videoconferência com a participação de dirigentes como Marcello Lotti, presidente do Grupo WSC, Carlos García Remohi, mandatário da Confederação Sul-Americana de Automobilismo e Maurício Slaviero, e os pilotos Augusto Farfus, Esteban Guerrieri e Néstor Girolami, o TCR anunciou o formato e os pilares da nova categoria, que tem custo estimado de R$ 1,3 milhão para uma equipe de dois carros por temporada

Três meses depois do anúncio da criação do Sul-Americano de Turismo, o Grupo WSC, responsável pelo conceito TCR ao redor do mundo, revelou as primeiras bases da competição que pretende reunir um grid de 26 carros e correr, a partir de abril de 2021, em pistas da Argentina, Brasil, Chile e Uruguai nesta terça-feira (2).

Em videoconferência realizada nesta manhã e que contou com dirigentes como Marcello Lotti, presidente do Grupo WSC; Carlos García Remohi, mandatário da Codasur (Confederação Sul-Americana de Automobilismo); Maurício Slaviero, brasileiro que se notabilizou por comandar a Stock Car entre 2013 e 2016 e vai ajudar a organizar as etapas no país; os pilotos argentinos Esteban Guerrieri e Néstor Girolami e o brasileiro Augusto Farfus e jornalistas sul-americanos.

Foram apresentadas as bases sobre as possíveis marcas envolvidas com a versão sul-americana do TCR, o formato dos finais de semana, as prováveis praças que vão compor o calendário, as especificações técnicas dos carros e os custos. Slaviero afirmou que a estimativa é que o orçamento para uma equipe com dois carros gire em torno de US$ 250 mil (R$ 1,3 milhão) por temporada. A empresa designada para promover e organizar o TCR na América do Sul é a uruguaia WedTak Trade, que fechou um acordo com o Grupo WSC para as primeiras cinco temporadas, de 2021 a 2025. Caberá à companhia também definir os trâmites sobre a transmissão televisiva da competição.

Marcas e especificações

Ao todo, 14 são as montadoras com carros homologados para a competição ao redor do mundo: Alfa Romeo, Audi, Cupra, Honda, Hyundai, Kia, Lada, Lynk & Co, Opel, Peugeot, Renault, Subaru, Volkswagen e Fiat.

A filosofia do TCR não é a de ter times oficiais de fábrica no grid, mas sim equipes clientes que adquirem modelos homologados pela categoria para competir.

Durante a conferência, Lotti confirmou que “já existem acordos fechados com determinadas marcas, mas que ainda não podem ser reveladas. Podemos anunciá-los dentro de um ou dois meses”. Slaviero, contudo, sinalizou com a possibilidade de a Fiat fazer parte da divisão sul-americana da categoria.

A TCR apresentou as bases para o Sul-Americano de Turismo a partir de 2021 (Foto: TCR/Twitter)

Os carros, de tração dianteira, são impulsionados por motor 2 L turbo baseado em modelos de rua e dotados de aproximadamente 350 cv de potência. O câmbio é sequencial de seis marchas, e os pneus vão ser de 18”. Os modelos são todos do chamado segmento C, dos quais fazem parte os hatchbacks. O valor de cada carro é fixado pela organização em cerca de € 135,6 mil (R$ 791,6 mil).

Já os fornecedores únicos de combustível e pneus vão ser anunciados em setembro.

Calendário e formato de competição

A proposta da organização do TCR Sul-Americano é que sejam realizados testes de pré-temporada em fevereiro de 2021, com o campeonato a começar em abril. O calendário vai ser dividido da seguinte forma:

– 3 etapas na Argentina: Termas de Río Hondo, San Juan Villicum e Buenos Aires;
– 3 etapas no Brasil: negociando possibilidades, afirmou Slaviero: o objetivo da categoria é ter uma das etapas em Interlagos e outra em Curitiba, sendo que a terceira etapa está entre Rio Grande do Sul (Velopark) e Velo Città, com chance pequena de uma rodada em Goiânia ;
– 1 etapa no Chile: Temuco
– 1 etapa no Uruguai: Rivera

Ao todo, são 26 licenças disponíveis para a temporada. Dessas, 24 são abertas aos países-sede do TCR e as outras duas outorgadas pelo promotor para equipes de outros países. Estão permitidas equipes de um até quatro carros.

A programação do fim de semana compreende dois dias, sábado e domingo, da seguinte forma:

– 2 treinos livres de 30 minutos;
– Sessão classificatória dividida em Q1, Q2 e Q3;
– 2 corridas de 35 minutos cada;

A primeira corrida vai ser com o grid invertido em relação às dez primeiras posições do treino classificatório. E a segunda prova vai ser com a ordem original da sessão.

Equilíbrio para conter custos

Perguntado pelo GRANDE PRÊMIO sobre como controlar os custos, sobretudo em razão de tempos economicamente difíceis por conta da pandemia, Marcello Lotti ressaltou a busca incessante pelo equilíbrio de forças. “Carros novos e antigos vão ser equalizados e ser dotados da mesma tecnologia. Justamente para que seja mais fácil ter um controle maior dos custos e garantir maior competitividade”, disse.

Direto da Suíça, Slaviero reforçou a declaração do dirigente italiano. “Tenho certeza que a categoria vai ser um sucesso. Tem um controle de custos muito grande, um equilíbrio muito grande entre os carros. Então acreditamos que vai ser um grande sucesso na América do Sul”, comentou o brasileiro, que também lidera os esforços para o desenvolvimento do eTCR, a versão elétrica da categoria de carros turismo.

Já Carlos García Remohi, presidente da Codasur, lembrou que o TCR tem o potencial de, além de fomentar o automobilismo no continente, também agregar como eventos-suporte competições de monopostos, como a Fórmula 4 Argentina.

“Tomara que possamos ter alguma categoria de fórmula [como suporte]. Seria muito bom que equipes brasileiras, argentinas, uruguaias e chilenas, que tenham equipes no TCR, possam fazer parte das categorias de fórmula, que isso possa fomentar novamente os monopostos na América do Sul”, disse o dirigente argentino.

Campeão mundial no grid?

Augusto Farfus, experiente piloto brasileiro que foi campeão da Copa do Mundo de GT da FIA em 2018 e representante do Brasil no WTCR no ano passado com a Hyundai, destacou as primeiras impressões da nova categoria do automobilismo sul-americano e mencionou a chance de voltar a correr no continente em breve.

“Conheci um pouco melhor o TCR no ano passado, no campeonato mundial, e fiquei muito impressionado com toda a estrutura e, de uma certa maneira, com a simplicidade dos carros e do sucesso que o campeonato tem mundo afora”, explicou o piloto, que competiu no WTCC na sua primeira versão, pela Alfa Romeo e pela BMW, entre 2005 e 2010. Depois de sete temporadas e o vice-campeonato do DTM em 2013, Farfus voltou aos carros de tração dianteira no ano passado.

“A plataforma é perfeita para o Brasil e a América do Sul, com carros muito bem equilibrados, carros que as montadoras acabam comercializando com seus países, com o público muito próximo do campeonato, proporcionando disputas incríveis. Fazia anos que não participava, foi um ano de aprendizado, gostei muito. Espero acompanhar de perto o Sul-Americano e, quem sabe, até competir”, falou o curitibano.

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