Desclassificado das 6 Horas de São Paulo, Rees relata divergências entre comissários durante vistoria técnica

O motivo da desclassificação do Corvete #50 das 6 Horas de São Paulo foi a não conformidade do pára-choque dianteiro do carro com a altura mínima estabelecida pelo regulamento. Ao Grande Prêmio, Fernando Rees relatou detalhes do processo de vistoria da FIA

Vencedor das 6 Horas de São Paulo na categoria GTE Am, Fernando Rees e sua equipe não puderam comemorar por muito tempo. Após o pódio, as entrevistas e o retorno aos boxes, a Larbre Competições passou a esperar a decisão dos comssários técnicos da FIA a respeito de uma irregularidade no Corvette de número 50.

Noite adentro, as discussões seguiram por algumas horas, até que o veredicto saiu, já na primeira hora do dia seguinte: Rees, Julien Canal e Patrick Bornhauser foram desclassificados e perderam o triunfo na prova brasileira do WEC.

Rees chegou a receber o troféu de vencedor das 6 Horas de São Paulo (Foto: Rodrigo Berton / Agência Warm Up)

Em entrevista exclusiva ao Grande Prêmio, Rees contou detalhes do processo de vistoria técnica realizado na noite do último sábado (15). “Foram horas de medições, análises, discussões e desentendimentos por parte dos próprios vistoriadores, uma vez que eles estavam divididos com relação à avaliação do carro e a decisão a ser tomada”, relatou.

O motivo da discórdia foi a altura do pára-choque dianteiro do carro. “Minha equipe estava com uma margem de segurança de 3 mm acima da altura determinada pelo regulamento. Após a corrida, o carro todo permanecia com esta margem. Porém, a lateral esquerda do pára-choque dianteiro estava 4 mm abaixo da altura mínima”, admitiu Rees.

“Depois de verificada a variação da altura, a FIA determinou que a equipe retirasse o pára-choque e colocasse um novo no lugar para questionar se se tratava de um dano estrutural da peça ou de um ajuste planejado. Com a nova peça, não houve variação de altura e o carro estava de acordo com o regulamento técnico. Foi então determinado que o pára-choque do nosso outro carro, o número 70, fosse retirado e montado no 50. Novamente, as medições estavam de acordo com o regulamento”, continuou.

A partir daí, a discussão passou a ter outro foco: a variação foi provocada por algo que aconteceu durante a corrida ou não? “O próximo passo da avaliação da FIA foi contestar que, apesar da estranha variação, não havia sinais de danos na peça. E simplesmente olhando a peça, confirmo que havia marcas de arranhões, mas nada muito sério mesmo. Mas grandes marcas não são necessárias para que se tenha um dano”, afirmou o piloto.

Rees ainda disse que os 7 mm de alteração somente em um lado do pára-choque não beneficiariam o desempenho do Corvette. "Muito pelo contrário, esta variação desequilibrou o carro e influenciou negativamente o desgaste dos pneus durante a corrida”, contrapôs.

Rees pilotou o Corvette #50 na primeira hora de corrida em Interlagos (Foto: Felipe Tesser/Agência Warm Up)

Após o recurso da Larbre, o resultado foi colocado sub-júdice. Confirmada a exclusão de Rees, Canal e Bornhauser, a vitória passa para as mãos de Christian Ried, Paolo Ruberti e Gianluca Roda, da equipe Felbermayer. Mantido o resultado inicial, Rees se tornará o primeiro brasileiro vencedor de uma prova do novo Mundial de Endurance.

O recurso do time francês, segundo Rees falou ao GP, consistirá na exibição de imagens de TV que mostrem contatos do Corvette #50 com outros carros para comprovar que se tratou de um incidente de corrida, que a variação causou prejuízo ao desempenho do carro e que o julgamento realizado após a prova não foi capaz de comprovar qualquer culpabilidade da Larbre.

A próxima etapa do Mundial de Endurance acontece daqui a duas semanas, no Bahrein. Não fosse esta controvérsia, Rees, Canal e Bornhauser dependeriam de uma combinação de resultados para conquistar o título antecipado do WEC.

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