Turismo
21/10/2012 13:18 - Atualizada 21/10/2012 17:18

Spengler ganha duelo direto com Paffett em Hockenheim e conquista título do DTM. Farfus sobe ao pódio

Em seu ano de retorno ao DTM, a BMW superou as suas próprias expectativas. Todos sabiam que a extensa preparação fora bem feita, mas ninguém esperava que o título seria possível já no primeiro ano
Warm Up / RENAN DO COUTO, de São Paulo
 (Foto: DTM)

Bruno Spengler dominou a etapa de Hockenheim do DTM e conquistou seu primeiro título na que é uma das principais categorias de turismo do planeta. O canadense conduziu a BMW para a vitória na derradeira prova da temporada e deu à montadora de Munique o título de pilotos em seu retorno ao certame após 20 anos.

Para conquistar esse feito, Spengler precisou conter a aproximação de Gary Paffett no trecho final da corrida disputada neste domingo (21), na Alemanha. Diante de mais de 100 mil pessoas nas arquibancadas, ele festejou a conquista que demorou, mas chegou.

Debaixo de fogos de artifício, a BMW fez a festa pela conquista de Spengler (Foto: BMW)

Pole-position, Augusto Farfus terminou sua temporada de estreia no DTM no pódio. Foi a terceira vez que o brasileiro concluiu uma corrida entre os três melhores – um prêmio para aquele que foi o melhor estreante de 2012. Com o resultado da decisão do campeonato, ‘Ninho’ conseguiu superar o campeão de 2011 Martin Tomczyk para terminar em sétimo na tabela de pontuação, consolidado como o segundo melhor piloto da BMW no ano.

Também com chances de título, Jamie Green largou em décimo e conseguiu ganhar posições ao longo da prova para terminar na quarta posição. Mas ele precisava de resultados bem ruins de Spengler e Paffett, que não vieram. Assim, o piloto da Mercedes fechou o campeonato em terceiro.

Confira como foi a última etapa da temporada do DTM, em Hockenheim:

A corrida começou bem para a BMW. Augusto Farfus e Bruno Spengler fizeram boas largadas. Melhor ainda: Gary Paffett largou mal e acabou superado também por Joey Hand, outro piloto da BMW que aparecia nas primeiras posições.

Só que ainda na primeira volta aconteceram mudanças de posição importantes para o desenrolar da corrida e da disputa pelo título. Paffett pressionou e superou Hand. Spengler também foi para cima de Farfus e deixou o brasileiro, que não dificultou muito, para trás.

Ali, a prova colocava um obstáculo entre os dois candidatos ao título e, enquanto Spengler acelerava na dianteira, Paffett tentava encostar e ultrapassar Farfus. Foi na nona volta que o inglês chegou de vez no brasileiro.

Farfus terminou 2012 como o segundo melhor piloto da BMW em 2012 (Foto: BMW)

Na décima volta, os dois entraram juntos nos boxes e foi a Mercedes quem levou a melhor. Farfus e Paffett saíram de suas posições de parada lado a lado e quase se tocaram no fim do pit-lane. O piloto da BMW, inclusive, acabou passando por cima da linha branca que fica na volta à pista, mas quem foi colocado sob investigação pelos comissários foi o britânico. A decisão veio voltas depois com o famoso ‘no further action’ (nenhuma ação será tomada).

Na mesma volta, Mattias Ekström também foi aos boxes, porém, não durou muito na saída. Sua roda dianteira direita ficou solta e logo escapou, provocando o abandono do sueco. Na passagem seguinte, foi a vez de Spengler fazer sua parada normalmente

A corrida seguiu com Spengler, Paffett e Farfus, nessa ordem. Com um ritmo forte, o líder mantinha seu principal oponente ainda distante. Este também não permitia a aproximação do terceiro colocado.

No meio da corrida, David Coulthard se envolveu em um toque com Timo Scheider, o ponto de mais destaque de sua última prova no automobilismo. A briga valia a 14ª posição. Pouco depois, o escocês abandonou, assim como fez em sua despedida da F1, no GP do Brasil de 2008. Scheider acabou punido pelo toque.

Quando a segunda janela de pit-stops dos ponteiros começou de maneira diferente da primeira, com Farfus indo aos boxes sozinho na 23ª volta, uma antes de Paffett e duas antes de Spengler. No fim das contas, nada mudou. Se Paffett quisesse virar o jogo, teria de ser na pista.

E o rendimento da Mercedes cresceu na fase final da corrida e a diferença, que chegou a ser de quase 4s, era de 1s1 na 34ª volta. Aquilo era a única coisa que importava na corrida, que encerrava o campeonato em grande estilo: com a briga pela vitória.

Só que Spengler ainda tinha um último gás para dar. Tirou os últimos cavalos de potência que sua BMW tinha para oferecer, convete os avanços de Paffett e recebeu a bandeirada quadriculada, viu as bandeiras da BMW tremulando nas arquibancadas e, sob fogos de artifício, cruzou a linha de chegada. Estava coroado o novo campeão do DTM.

Spengler é o primeiro canadense campeão do DTM (Foto: DTM)

O campeão - No DTM desde 2005, Bruno Spengler, 29, disputou sete temporadas com a Mercedes e brigou pelo título várias vezes, mas nunca obteve êxito. O canadense nascido na França foi vice-campeão em 2006 e 2007, quando perdeu o título, respectivamente, para Bernd Schneider e Mattias Ekström. Ele voltou a bater na trave em 2010 e 2011, anos das conquistas de Paul di Resta e Martin Tomczyk, mas acabou terceiro lugar em ambas as oportunidades.

Em 2012, Spengler encontrou novos ares e surpreendeu ao entrar na disputa pelo campeonato mais uma vez. Não só ele surpreendeu, mas também a BMW, que retornou à categoria após 20 anos. Logo na segunda corrida do ano, Spengler triunfou, em Lausitz.

O problema é que o começo de campeonato de Gary Paffett foi muito forte e, na metade do campenato, parecia que o inglês conquistaria o bi. Mas Spengler voltou forte das férias. Venceu a sexta etapa, em Nürburgring, e a oitava, em Oschersleben, para encostar de vez. Naquele ponto, o piloto da BMW já dependia apenas si.

Spengler somou 149 pontos nas 10 corridas disputadas em 2012, com seis pódios e quatro vitórias. Em sua carreira no DTM, o canadense soma 13 triunfos. E, claro, um título, o primeiro de um canadense.

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