Coluna Punta-taco, por Francis Trennepohl: O preço da emoção
Nada contra os supercarros ou as supercategorias, muito pelo contrário, são de encher os olhos e fazer o coração ‘passar de giro’, mas a grande realidade é que o automobilismo de base é o de 'fundo de garagem', feito por pilotos e mecânicos/preparadores que na maioria das vezes trabalham em suas máquinas nas madrugadas e nos finais de semana para poder levar seus carros para o grid
O ditado é antigo e repetido incansavelmente por quase todos: "Automobilismo é esporte para rico, para quem tem grana". Não é!
É perfeitamente possível encontrar uma fantástica dose de emoção e diversão praticando automobilismo com baixo custo. E aí é que entra o papel fundamental dos campeonatos regionais, o grande celeiro de talentos do automobilismo.
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Cada vez mais, os regionais atraem os pilotos que sonham em acelerar numa pista de corridas e, basicamente, isso se deve aos custos reduzidos que permitem que estes pilotos ‘garageiros’ ― ou ainda os ‘garagistas’ ou os ‘euquipes’ ― possam levar seu Gol, seu Celta ou seu Fusca para a pista, para deixar de serem espectadores, não importando se estão correndo a 100 ou a 200 km/h.
Enquanto as categorias de supercarros surgem e somem numa rapidez inacreditável, os “regionaizinhos” permanecem firmes e fortes, pois há uma rotatividade dentre os pilotos que permite que os grids sempre tenham uma média muito boa de participantes.
Nada contra os supercarros ou as supercategorias, muito pelo contrário, são de encher os olhos e fazer o coração ‘passar de giro’, mas a grande realidade é que o automobilismo de base é o de 'fundo de garagem', feito por pilotos e mecânicos/preparadores que na maioria das vezes trabalham em suas máquinas nas madrugadas e nos finais de semana para poder levar seus carros para o grid.
Não custa sonhar que um dia todos os estados do Brasil possam ter categorias para “novatos e estreantes” ― novatos mesmo, não com cinco ou dez anos de pista ― com carros de rua adaptados para pista, sem esquecer os devidos itens de segurança, como o santantonio, banco, cinto, extintor, etc. E sem muitas alterações na configuração original dos carros na parte mecânica, apenas aquele ‘basicão’ para suportar os trancos que as pistas exigem dos carros.
Se esse dia chegar, teremos uma ótima geração futura de pilotos, campeonatos regionais fortíssimos, nacionais idem, grande espaço na mídia, patrocinadores interessados em mostrar suas marcas para a comunidade na qual está inserido seu negócio e público de fazer inveja aos estádios de futebol, como acontece na Argentina há muito tempo.
Em resumo: bom para todos!
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