Ex-funcionário critica ambiente da Ferrari: “60% política e só 40% trabalho”

Gino Rossato, que trabalhou na Ferrari entre 1991 e 2023, defendeu permanência de Frédéric Vasseur e atacou rotatividade no cargo de chefe de equipe

Responsável por logística, segurança e relações institucionais em parte dos mais de 20 anos em que esteve na Ferrari, Gino Rosato colocou a boca no trombone e indicou que a política tem afetado o trabalho da lendária equipe na F1. Traçando um paralelo com o tempo em que atuou para a Lotus, entre 2010 e 2014, o canadense apontou que a preocupação com o lado político é muito maior pelos lados de Maranello.

Rosato começou na Ferrari em 1991, como assistente de logística no GP do Canadá, entrando de forma integral ao time em 1997. Com exceção ao período em que esteve na Lotus, ficou em Maranello até 2023 quando pediu demissão — de acordo com o jornalista Leo Turrini, o motivo teria sido discordâncias com Benedetto Vigna, CEO da equipe, e Frédéric Vasseur, chefe da esquadra.

Em uma rara entrevista, Rosato falou ao podcast Pitstop sobre as questões políticas na Ferrari. O canadense indicou que isso faz com que a visita de um executivo durante um fim de semana de GP de F1 deixe os membros da equipe distraídos e pressionados.

“Tem algo que talvez esteja dando errado — nos últimos 20 anos não conseguimos acertar em cheio. Chegamos perto, mas nunca perto o suficiente. Trabalhei na Lotus, uma equipe inglesa. Lá era 70% trabalho e 30% política. Maranello não é um lugar fácil para nenhum funcionário. Às vezes, tem de ser 60% de política e só 40% de trabalho”, comentou o ex-funcionário da Ferrari.

Gino Rosato carrega Michael Schumacher durante celebração nos tempos áureos da Ferrari (Foto: Reprodução)

“Olhe para o passado e veja que acontece agora — vivi isso de um jeito ou de outro. Há um ajuste fino que coloca pressão sobre eles. Não acho que queiram fazer isso, mas acontece indiretamente. Quando um presidente ou CEO da Ferrari vai a uma corrida e fica lá por três dias, fica todo mundo distraído. Vivi isso repetidamente”, completou.

Rosato também criticou a instabilidade no cargo de chefe de equipe desde a saída de Jean Todt, que deixou a Ferrari no fim de 2007, uma temporada após a saída de Michael Schumacher. Stefano Dominicali, Marco Mattiacci, Maurizio Arrivabene, Mattia Binotto e, agora, Vasseur, se revezaram na posição desde então. O canadense criticou as trocas e defendeu a permanência de Frédéric no posto.

“O maior erro que podem cometer agora é mandar embora o Vasseur. Está em segundo no momento. Não estão tão longe assim. Tudo que não precisam agora é chutá-lo e colocar outro cara lá. Aí são mais dois, três anos perdidos. Foram cinco trocas nos últimos 14 anos. Faça as contas: leva dois anos para se situar. E aí estamos de volta à estaca zero”, comentou o ex-funcionário da Ferrari.

“Arrivabene chegou perto, foi embora. Binotto chegou muito perto, foi embora. Dominicali… que tipo de idiota mandaria embora o Dominicali em 2014 só porque as coisas não estavam indo bem?”, encerrou.

Fórmula 1 volta às pistas apenas entre os dias 29 e 31 de agosto, após o fim do recesso, para o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.

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