Malásia admite que retorno à F1 “não vai ser fácil” e culpa “custos muito altos”
Azhan Shafriman Hanif, CEO do circuito de Sepang, admitiu que foi um erro ter deixado a F1 e não quer deixar o mesmo acontecer com a MotoGP. Ele também confirmou o interesse da Malásia em voltar para a principal categoria do automobilismo, mas que os valores podem ser um problema
O circuito de Sepang sediou o GP da Malásia de Fórmula 1 entre 1999 e 2017 e se tornou um dos favoritos entre público e pilotos, por conta do traçado e da instabilidade climática. Porém, devido aos altos custos para manter a prova e à queda na venda dos ingressos, a corrida malaia saiu do calendário. Azhan Shafriman Hanif, CEO da pista, mira um retorno à categoria, mas diz que não será fácil por conta dos valores elevados.
A Malásia também sedia uma prova no calendário da MotoGP. Esteve no campeonato entre 1999 e 2019 e, por conta da pandemia, passou três anos fora, mas voltou em 2022 e segue até hoje.
O contrato de Sepang com a F1 iria até 2018, mas o governo malaio decidiu encerrar antes por conta do alto custo para sediar a corrida. Como o esporte teve um aumento significativo de popularidade nos últimos anos, o CEO do circuito acredita que foi uma decisão errada.
“Não queremos repetir os erros do passado”, disse Hanif ao jornal malaio New Straits Times. “Deixamos a F1 ir embora e agora é muito difícil recuperá-la. Espero que não cometamos o mesmo erro com o MotoGP”, seguiu.

A Malásia está atualmente tentando trazer a corrida de volta ao calendário, mas está cautelosa com os altos custos envolvidos, como também com a concorrência de outros países interessados.
“Há uma lista de espera para voltar e, claro, os custos são muito altos. O valor que nos foi cobrado foi de US$ 70 milhões (cerca de R$ 379 milhões na cotação atual) em taxas para sediar a corrida. Isso é para cada evento”, explicou.
“Isso não inclui nossos custos de instalação, que estão na faixa de US$ 2,3 milhões (R$ 12, 4 milhões) a US$ 4,7 milhões (R$ 25, 4 milhões) para cada evento. No total, custaria mais de US$ 71 milhões (R$ 385 milhões) para trazer a corrida de volta”, enumerou.
“Muita gente está na fila, então não vai ser fácil. Mas, se levarmos isso realmente a sério, talvez possamos começar a conversar”, apontou. A pista já recebeu a aprovação do governo da Malásia para retornar ao calendário.

“Não é só o circuito de Sepang que quer a Fórmula 1. Há muitas outras partes interessadas, tanto do governo quanto do setor empresarial, também a querem de volta”, salientou.
“Temos de observar como Singapura está sediando o evento. Eles têm todos os envolvidos para torná-lo um sucesso, desde os ministérios até o setor corporativo e os hotéis. Todos contribuem”, afirmou.
“Precisa ser assim se quisermos trazer a F1 de volta para cá”, encerrou o CEO do circuito malaio.
A Fórmula 1 volta às pistas após o recesso de verão, entre os dias 29 e 31 de agosto, para o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
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