Williams renasce na F1 com Vowles e Albon, mas patina com estreia sofrida de Sainz
A Williams veio diferente para a temporada 2025 da Fórmula 1. Depois de amargar as últimas posições do Mundial de Construtores por tanto tempo, o efeito James Vowles já pode ser sentido em Grove. Além disso, ter um enorme talento como Alexander Albon sempre vai ajudar. Mas ainda falta Carlos Sainz
Depois de anos lutando para se manter à frente apenas da última posição, a Williams chegou à metade da temporada 2025 da Fórmula 1 vivendo o melhor momento em quase uma década. A equipe de Grove ocupa a quinta posição no Mundial de Construtores após 14 etapas, um salto considerável em relação ao ano passado, quando ainda oscilava no fundo do grid e terminou a campanha em nono, com apenas 17 pontos.
O desempenho surpreendente da Williams passa por vários fatores, mas o principal atende pelo nome de James Vowles. No comando desde 2023, após deixar o cargo de diretor de estratégia da Mercedes — onde foi peça-chave nos anos de domínio na era híbrida —, o britânico agora busca repetir a fórmula de sucesso em uma equipe que vem do fundo do poço.
Tanto que os 70 pontos somados até então em 2025, após apenas 14 rodadas, já superam a pontuação de todos os anos depois de 2017. A equipe, por vezes, andava em outra liga em comparação com o restante do grid, tendo somado apenas 1 ponto em 2019 e terminado o campeonato zerado em 2020.
Inevitavelmente, Vowles trouxe muita experiência para se aproveitar das chances disponibilizadas e tirar a Williams do inferno da Fórmula 1. E o principal beneficiado deste trabalho é, sem dúvidas, Alexander Albon. Na equipe desde 2022 depois de um ano sabático, o taliandês parece ter dado um salto nesta temporada, e na base da pressão vindo do outro lado da garagem.

Antes da temporada começar, havia dúvidas sobre como Albon lidaria com a chegada de Carlos Sainz, um piloto mais experiente e com status de estrela. Mas, na prática, o tailandês se firmou como o grande nome da Williams até aqui. Responsável pelos quatro melhores resultados da equipe no ano, ele conquistou três quintos lugares (Austrália, Miami e Ímola), além de atuações consistentes em provas como China, Japão e Bélgica.
Mesmo acumulando alguns abandonos consecutivos por problemas técnicos e incidentes, Albon mostrou maturidade e agressividade nos momentos decisivos nas últimas etapas. Em Silverstone, ultrapassou Fernando Alonso na última volta, e em Spa-Francorchamps, resistiu à pressão de Lewis Hamilton.
O resultado é que Albon não apenas sustenta a Williams no quinto lugar, como ainda aparece em oitavo no Mundial de Pilotos e a apenas 10 pontos de Andrea Kimi Antonelli, o sexto.
Se Albon tem sido a grande arma, Sainz ainda não justifica totalmente a aposta ousada de Vowles. O espanhol soma apenas 16 dos 70 pontos do time, ficando oito posições atrás do companheiro no campeonato.

É verdade que Sainz tem sido vítima de uma sucessão de contratempos. No Bahrein, foi atingido por Yuki Tsunoda e teve de abandonar. Já em Miami, um choque com o próprio Albon comprometeu a prova. Ainda assim, não podemos classificar a temporada do espanhol apenas como azarada. Em várias ocasiões, Sainz se prejudicou ao se classificar mal e precisar escalar o pelotão sem ter ritmo para tanto.
Se a experiência lhe permitiu mostrar inteligência em situações estratégicas — inclusive fora das pistas, quando ajudou Albon na estratégia do GP da Austrália após abandonar —, a verdade é que, até agora, a contribuição em pontos está bem aquém do esperado.
Além disso, a tendência é de que a Williams enfrente mais dificuldades na segunda parte da temporada. Outras esquadras do meio do pelotão, como Aston Martin e Sauber, vêm acelerando o ritmo das atualizações, e a equipe de Grove já abriu mão do campeonato atual para priorizar o desenvolvimento do carro de 2026.
Ainda assim, o trabalho feito até aqui garante uma boa margem e mostra que o projeto atual já devolveu algum nível de competitividade real ao time que já fez tanta história no esporte. Agora, para consolidar o quinto lugar, a Williams precisa que Sainz finalmente encontre ritmo e consistência, porque depender apenas de Albon pode não ser suficiente por mais 10 etapas.
A Fórmula 1 volta às pistas após o recesso do verão europeu entre os dias 29 e 31 de agosto, para o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
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