Binotto cutuca Hamilton: “Schumacher resolvia questões internamente na Ferrari”

Mattia Binotto, líder do projeto da Audi na F1, relembrou os tempos de Ferrari e criticou os documentos de Lewis Hamilton que sugeriam mudanças à equipe. O italiano ainda acrescentou que na época de Michael Schumacher os problemas eram resolvidos internamente

Mattia Binotto é o líder do projeto da Audi na Fórmula 1 e, antes de chegar a este cargo, trabalhou 28 anos na Ferrari, sendo chefe da equipe entre 2019 e 2022. O italiano relembrou os tempos de Maranello e criticou os documentos de Lewis Hamilton, que sugeriam mudanças ao time. Ele ainda acrescentou que na época de Michael Schumacher, Jean Todt e Luca di Montezemolo os problemas eram resolvidos internamente.

Com quase 30 anos de serviços prestados à Ferrari, Binotto entende bem como é o ambiente dentro da equipe. Começou no time em 1995, como engenheiro de testes e posteriormente seria responsável pelos motores. Em 2016, foi promovido a diretor-técnico e, em 2019, tornou-se o chefe de equipe, substituindo Maurizio Arrivabene na ocasião. 

“Quando você tem essa função, sabe que não será para sempre”, disse Mattia ao Il Giornale. “No dia em que me tornei chefe da equipe, percebi que, mais cedo ou mais tarde, deixaria a Ferrari”, seguiu.

“Construir uma equipe é um processo longo. No futebol, você pode substituir 11 jogadores muito mais rápido do que 1.500 pessoas em um time de F1. Para construir uma equipe, você trabalha em cultura, métodos, processos e ferramentas. O que você precisa na F1 é paciência”, explicou.

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Com 28 anos de trabalho na Ferrari, Mattia Binotto alfinetou Lewis Hamilton e disse que Michael Schumacher resolvia os problemas internamente (Foto: Scuderia Ferrari)

“A renovação de [Frédéric] Vasseur? Acho que todos esperávamos por isso. É certo ter paciência e dar tempo ao tempo”, enfatizou.

Binotto também relembrou o período em que o time de Maranello dominou a categoria, no início dos anos 2000. “Aquela Ferrari foi exemplar. Havia pessoas extraordinárias que me ensinaram muito sobre mentalidade, abordagem e organização. Ainda hoje me pergunto: o que eles fariam nesta situação? Penso no presidente Montezemolo, em Todt, em Ross [Brawn] e, claro, em Michael”, pontuou.

Quando questionado se ficou surpreso com o documento de Hamilton sugerindo mudanças à equipe e se Schumacher também agia da mesma forma, Mattia foi direto. “Michael não era apenas um piloto, mas um líder por atitude e mentalidade”, ressaltou.

“Certamente havia uma troca constante entre ele, Todt e Montezemolo, muita discussão. Mas tudo permanecia dentro do círculo deles”, encerrou o ex-Ferrari.

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