Ferrari junta cacos e entrega nas mãos de Leclerc para ao menos salvar honra na Itália
No fim das contas, a desolação de Charles Leclerc no alto do morro após o abandono no GP dos Países Baixos ilustra de forma muito simbólica o que é a Ferrari em 2025: uma equipe que, sem ele, fica a esmo
Destruída. Foi assim que a Ferrari deixou o GP dos Países Baixos no último domingo (31), e essa é uma definição que pode ser interpretada de várias maneiras, a começar pela forma literal. Os acidentes de Lewis Hamilton e Charles Leclerc resultaram no primeiro abandono duplo do duo vermelho em cinco anos, mas os carros despedaçados na curva 3 do traiçoeiro Zandvoort, na verdade, são o menor dos problemas. Nem mesmo o mais desacreditado torcedor ferrarista imaginou que o retorno das férias de verão, depois de uma corrida em que flertou até com a vitória, seria tão doloroso e ainda forçaria Maranello a ter de juntar os cacos emocionais em tempo recorde para salvar a dignidade.
A razão para isso é muito simples, porém aumenta mais o drama: a corrida seguinte é em Monza, a casa da Ferrari, e o GP da Itália costuma ser encarado por todos nas garagens vermelhas como um minicampeonato à parte. É comum a etapa receber uma preparação especial, independentemente da performance geral da equipe na temporada. Foi assim, por exemplo, que Carlos Sainz arrancou um pódio na unha em 2023, quando a Red Bull nadava de braçada. Da mesma forma, Leclerc foi ao Olimpo ao parar somente uma vez e receber a bandeirada em primeiro no ano passado. Apoteótico.
Correr no ‘Templo da Velocidade’, portanto, sempre teve um peso diferente para a Ferrari, e considerando o atual estado em 2025, o GP da Itália será o marco final antes de a chave ser completamente virada para o regulamento vindouro. Não há pelo que lutar, ainda que o vice-campeonato signifique, vá lá, alguma coisa, e hoje ela leva vantagem considerável sobre a Mercedes por simplesmente ser um pouquinho mais estável. Muito pouco, contudo, para desprender esforços relevantes até Abu Dhabi.
Só que Zandvoort expôs faceta preocupante e um pouco inesperada. Já na sexta-feira, na primeira atividade de pista depois da merecida pausa, tomou 1s6 da McLaren sem dó. Frédéric Vasseur ficou sobressaltado. Antes mesmo do TL2, já sabia que seria impossível tirar mais de 1s de diferença para enfrentar Lando Norris e Oscar Piastri tal qual na Hungria, quando Leclerc pegou os papaias no contrapé e roubou a pole-position.

Houve falha na preparação, Vasseur admitiu. O trabalho árduo de toda a equipe ao longo do fim de semana resultou em décimos importantes para a classificação, mas deu à Ferrari o sexto e o sétimo lugar no grid, somente. Num circuito em que terminou no pódio nas últimas três edições, alinhou para brigar por pontos, e olhe lá.
Claro que o ritmo de corrida é sempre melhor, isso já é uma característica intrínseca da SF-25, e mais uma vez se confirmou, com Leclerc andando forte e tentando ultrapassagens totalmente na base da raça — George Russell que o diga. Essa disputa, aliás, encheu os olhos da sempre apaixonada imprensa italiana, que chegou a comparar a manobra com a batalha épica entre Valentino Rossi e Marc Márquez em Assen, 2015 — um pouco exagerado, ok, mas Charles realmente teve muito peito ao dividir a curva e pagar para ver qual seria a reação do rival da Mercedes.
Teria dado muito certo, mas havia um Andrea Kimi Antonelli pelo meio do caminho — e convenhamos que foi ainda mais novelesco ser justamente a promessa italiana a jogar Leclerc no muro em uma manobra totalmente atabalhoada. O abandono foi como uma facada no peito dos tifosi, que ainda se recuperavam da batida boba de Hamilton voltas antes.
Quanto ao heptacampeão, não faltaram adjetivos ásperos escritos pelos jornais da Itália. O “erro imperdoável” e “desastroso” não poderia ter acontecido em pior hora, uma vez que Lewis chegou em Zandvoort jurando renovo e motivação. Mesmo depois de uma sexta-feira difícil, evitou caminho derrotista nas declarações, bancando a imagem de que lutaria até o fim por uma virada. O revés veio a galope (com perdão à referência) e ainda rendeu uma dívida pesada para Monza: a perda de cinco posições no grid por violar bandeira amarela antes mesmo da largada.
Não que Hamilton não seja capaz de virar o jogo e até subir ao pódio, mas sejamos realistas: isso não vai acontecer, primeiro porque, apesar do mando de campo, não é uma pista favorável à SF-25. Considerando as pistas de alta velocidade que já passaram pelo calendário este ano, Lewis chega à Itália brigando pela terceira fila, e isso o jogará para o meio do pelotão por conta da punição.
O segundo ponto, e talvez o principal, é Leclerc. A desolação no alto do morro após o abandono, num instante de pura introspecção, viralizou pelas redes sociais, rendeu memes, mas também forneceu uma simbologia que é o mais perfeito retrato do que é a Ferrari 2025: uma equipe que, sem ele, fica a esmo, perdida, sem rumo. Leclerc é o esteio dessa escuderia que chega um tanto mutilada para resgatar a honra em uma temporada que prometeu absolutamente tudo, e ficou por isso mesmo.
A F1 retorna neste fim de semana, de 5 a 7 de setembro, em Monza, palco do GP da Itália, 16ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
Além da cobertura tradicional, o GRANDE PRÊMIO estará IN LOCO em Monza para acompanhar todas as emoções da etapa com o repórter Leonid Kliuev.
GP da Itália de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Treino livre 1 | 08:30 | 10:30 | 12:30 | 13:30 |
| Treino livre 2 | 12:00 | 14:00 | 16:00 | 17:00 |
| Treino livre 3 | 07:30 | 09:30 | 11:30 | 12:30 |
| Classificação | 11:00 | 13:00 | 15:00 | 16:00 |
| Corrida | 10:00 | 12:00 | 14:00 | 15:00 |
*Horário de Brasília
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