Cadillac joga na segurança com Pérez e Bottas, mas futuro com Herta é tiro no escuro
Cadillac faz escolha compreensível ao apostar na segurança que Valtteri Bottas e Sergio Pérez proporcionam, mas projeto de longo prazo com Colton Herta soa como tiro no pé dos grandes
Desde que a Cadillac oficialmente foi anunciada como a 11ª equipe na Fórmula 1, em março de 2025, muitos nomes foram rapidamente ligados com a nova escuderia. Isso aconteceu não apenas só pela animação em relação a primeira expansão de grid do Mundial em 10 anos, mas também por uma sociedade que consome esportes de maneira diferente: as projeções sobre o futuro, muitas vezes, são muito mais legais do que a atualidade. Se até o futebol se pauta por notícias de transferências publicadas pelo jornalista italiano Fabrizio Romano, por que a Fórmula 1 escaparia justamente quando recebe uma novidade destas?
E depois de trocentos nomes ligados, a escolha acabou frustrando muitos. O time americano buscou a bola de segurança e fechou, sem muito suspense, as chegadas de Valtteri Bottas e Sergio Pérez. Ambos são pilotos com mais de 200 largadas na Fórmula 1, vitórias, títulos mundiais de Construtores e o vice de Pilotos. Uma escolha que frustrou aqueles que tanto buscam um fator novo se juntando ao grid.
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Porém, a escolha dos dois, mesmo que seja de pouca ambição a longo prazo, é completamente justificável. É certo que a Cadillac está promovendo inúmeros investimentos em infraestrutura, staff e tecnologia. Porém, a expertise atrás do volante não pode ser subestimada. Valtteri e Sergio, mesmo que em baixa, conseguem trazer isso. Um bom primeiro passo com a experiência de quem já esteve em um ambiente vencedor na categoria.
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É justo dizer também que o momento dos pilotos é bem diferente. Por mais que Pérez tenha sido praticamente chutado para fora da Red Bull, estamos falando de alguém que, por anos, se destacou como um piloto de meio de pelotão, seja por Sauber, Force India ou Racing Point. Os piores momentos de ‘Checo’ na categoria foram justamente quando acabou alçado a um status maior. Não correspondeu, acontece. Ele ainda merece uma chance depois de um experimento não tão agradável em Milton Keynes.
Para Valtteri, a situação é curiosamente diferente. O finlandês teve mais experiência e êxito enquanto competiu pela Mercedes. Tem uma dezena de vitórias e foi vice-campeão mundial em duas ocasiões, apesar de jamais fazer frente ao heptacampeão mundial Lewis Hamilton. Porém, os últimos anos de Alfa Romeo/Sauber não foram legais. Terminar atrás de Guanyu Zhou nos pontos [mesmo com a surra nas classificações], indica que a curva do finlandês já é descendente.
Bottas e Pérez são soluções para uma Cadillac que busca dar os primeiros passos baseado em expertise. Mas e a longo prazo? Surgiu um dos planos mais ousados e curiosos da Fórmula 1 nos últimos anos: garantir a superlicença de Colton Herta para que o americano vire titular do time em 2027.
Colton é uma espécie de ‘namoradinho da Indy’. Filho do marcante Bryan Herta, se destacou pela precocidade na categoria. Com apenas 19 anos, se tornou o vencedor mais jovem da categoria. Fez boas temporadas nas primeiras aventuras pela Andretti e era tido como um futuro campeão. Pela pouca idade, também começou a surgir com frequência nas discussões de Fórmula 1. Afinal, com o Mundial ganhando cada vez mais força nos Estados Unidos, faria sentido ter um rosto americano por lá.

Porém, a primeira tentativa de colocar Herta na F1, por meio da AlphaTauri, bateu em duas barreiras: a da rejeição da exceção de superlicença da FIA, que foi concedida para outros pilotos, além da brusca queda de desempenho do próprio Colton, que por dois anos consecutivos, terminou a Indy apenas na 10ª posição, além de amargar um jejum de quase dois anos sem vencer.
Quando Herta parecia voltar aos eixos, voltando ao Victory Lane e fechando 2024 como vice-campeão, surge o chamado da Fórmula 1 novamente. Agora, quando completar 26 anos, o americano estará na Fórmula 2, batalhando pelos poucos pontos de superlicença que restam em uma categoria nova, um carro completamente diferente e pistas que não conhece.
É um trabalho duro e ousado que Herta tem pela frente, mas é a escolha da Cadillac, que mesmo não sendo a única equipe americana do grid, terá a responsabilidade de ser a americana ‘cool’, já que poucos ali se identificam tanto com a Haas. E a aposta é em um jovem californiano branco que tem muitas fichas na mesa para virar, definitivamente, o garoto propaganda dos Estados Unidos no grid.
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