Ocon discorda de aumento no número de corridas sprints e dispara: “F1 não é MotoGP”
Esteban Ocon discordou das ideias propostas por Stefano Domenicali e ressaltou que seria uma mudança muito radical ter corridas sprints em todos os GPs, como na MotoGP
Stefano Domenicali, CEO da Fórmula 1, deu declarações polêmicas recentemente. Para o italiano, a categoria deveria ter mais corridas sprints no calendário e uma redução na duração dos GPs, visando agradar o público jovem. Esteban Ocon, no entanto, discordou das ideias e disse que a F1 não é a MotoGP. O francês ainda sugeriu alguns pontos para tentar melhorar o espetáculo.
Antes do GP da Itália, Domenicali destacou que os treinos livres perderam relevância e a pressão de fãs e promotores é por mais corridas valendo resultado. Também revelou que a categoria avalia a possibilidade de reduzir a duração das corridas, adotar mais sprints e implementar o formato de grid invertido — bastante criticado no passado.
Fernando Alonso também discordou do CEO da F1. O bicampeão não vê problema algum com a duração das provas e ainda sugeriu o retorno do reabastecimento, que aumentaria a possibilidade de estratégias. Por outro lado, Flavio Briatore, consultor da Alpine, disse que é a favor de corridas sprints em todas as etapas do ano, já que “ninguém liga para os treinos livres“.
Ocon comentou que a discussão sobre melhorias no esporte é saudável, mas que não há necessidade de modificações tão drásticas.

“Obviamente, acho que é sempre útil refletir sobre o que pode ser melhor para o nosso esporte”, iniciou o piloto da Haas. “Estou aqui há muito tempo e vi vários formatos de corrida: a introdução das sprints, o sistema com pneus diferentes na classificação, o antigo formato das Sprints… muitas coisas foram testadas. Acho positivo que nos peçam nossa opinião, inclusive Stefano. Dito isso, na minha opinião, não há necessidade de fazer grandes mudanças em relação ao que temos”, seguiu.
“Mudar para um estilo tipo MotoGP seria um pouco extremo. Ter uma sprint em cada corrida não acho que melhoraria necessariamente o espetáculo”, ressaltou.
“Como fã, o que você quer é ver mais corridas. Vivemos em um mundo consumista, onde buscamos conteúdo com mais frequência, como quando assistimos a uma série na Netflix e não queremos esperar muito entre uma temporada e outra”, analisou.
“Mas, ao mesmo tempo, às vezes é bom esperar pacientemente e aproveitar o fim de semana de GP — isso é importante, e sou mais um defensor dessa filosofia. Gosto de esperar um pouco para me animar novamente quando a corrida chega”, salientou.

No entanto, Esteban não se mostrou desfavorável à redução de tempo das corridas, desde que seja apenas com as mais longas. “Stefano está certo: algumas provas são um pouco longas, como a de Singapura, que dura mais de duas horas. Encurtá-las um pouco não mudaria muito o espetáculo. Mas pistas como Monza ou Spa-Francorchamps podem ser muito curtas: é preciso tempo para que as estratégias se desenvolvam, como vimos em Zandvoort”, destacou.
“As últimas dez voltas são sempre uma loucura porque a corrida é bastante longa e as estratégias se sobrepõem e é aí que nasce o espetáculo. Portanto, isso deve ser avaliado com cuidado”, afirmou.
“Tenho certeza de que a FOM (Formula One Management) e a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) vão analisar isso corretamente, nos perguntarão o que achamos e, a partir daí, decidirão. Mas, ao meu ver, nem tudo precisa ser completamente mudado”, reforçou.
“Acho que os treinos livres são necessários para ajustar o carro e ter certeza do que estamos fazendo antes de ir para a classificação. Mesmo com todo esse tempo na pista, não é fácil ajustar os carros. Nos fins de semana com sprint, você prepara o bólido e torce para que tudo dê certo”, apontou.

“Mas isso também é o que os fãs gostam: um pouco de imprevisibilidade. Tornar a gente e as equipes menos confortáveis aumenta o espetáculo. Então, sim, eu entendo. É verdade que, como torcedor, o TL1 não é a sessão mais assistida. Talvez menos treinos pudessem funcionar, mantendo um formato semelhante ao TL3 e à classificação como agora, e depois a corrida no domingo. Mas, no final, é igual para todos, e para mim o importante é trabalhar com o formato que temos”, sugeriu.
Sobre a possibilidade de dar mais importância à sessão que define o grid de largada, Ocon acredita que geraria mais emoção. “Poderia apimentar o fim de semana, mas dependeria muito de quem tivesse um bom simulador e tivesse feito a lição de casa. De vez em quando seria interessante, como uma super pole, como no passado, quando só tínhamos uma chance, mas com treinos prévios. Colocaria um pouco de pressão nas equipes, e isso seria positivo”, concluiu o piloto do #31.
A F1 retorna neste fim de semana, de 19 a 21 de setembro, em Baku, palco do GP do Azerbaijão. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da 17ª etapa da temporada AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP do Azerbaijão de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Treino livre 1 | 05:30 | 07:30 | 09:30 | 10:30 |
| Treino livre 2 | 9:00 | 11:00 | 13:00 | 16:00 |
| Treino livre 3 | 05:30 | 07:30 | 09:30 | 10:30 |
| Classificação | 9:00 | 11:00 | 13:00 | 16:00 |
| Corrida | 8:00 | 10:00 | 12:00 | 13:00 |
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