5 coisas que aprendemos no sábado do GP do Azerbaijão da Fórmula 1 2025
Teve Max Verstappen tirando um dos seus coelhos da cartola novamente e Ferrari indo do céu ao inferno. O GRANDE PRÊMIO separou as lições da classificação do GP do Azerbaijão
Por muito pouco, o GP do Azerbaijão não trouxe um teaser do grid invertido em meio a tantas circunstâncias malucas que deixaram o top-3 com Carlos Sainz, Liam Lawson e Isack Hadjar faltando menos de três minutos para o fim da classificação. Não foi dessa vez, pois Max Verstappen tirou mais um dos tantos coelhos que possui na cartola e garantiu a melhor volta na sessão deste sábado (20) ao virar 1min41s117.
Foi a 46ª pole do neerlandês, que parte domingo em busca da quarta vitória na temporada para manter ainda vivas as chances de título no Mundial de Pilotos. A tarefa não é das mais fáceis, pois são 94 pontos de distância para o líder, Oscar Piastri, mas o australiano foi um dos que acharam o muro e vai largar somente em nono. Lando Norris também não teve a melhor das performances e terminou com o sétimo tempo no grid.
A Red Bull ainda viu outro adversário direto na briga pela pole terminar com o carro batido: Charles Leclerc, que tentava salvar a honra da Ferrari depois de Lewis Hamilton cair no Q2. Um completo desastre causado não apenas pelo vento, mas principalmente pelas escolhas erradas de pneus. E falando da borracha, a Pirelli insistiu no C6 como pneu macio para Baku, e dessa vez ao menos trouxe alguma dor de cabeça aqui e ali, já que atingir a temperatura ideal foi complicado e deixou alguns times que resolveram arriscar na mão.
O Grande Prêmio separou cinco lições da atividade deste sábado, que definiu o grid de largada do GP do Azerbaijão. Confira!

Red Bull acerta em cheio ao priorizar setor sinuoso, e Verstappen vira favorito à vitória
Verstappen deixou a sexta-feira dizendo que a Red Bull havia encontrado “equilíbrio estável” na pista de Baku, mas teria de tirar mais do carro e de si mesmo em busca da volta ideal. De fato, havia a necessidade de um ajuste crucial na performance no setor 2, mais estreito e de curvas difíceis, uma vez que o rendimento do RB21 é muito melhor nas retas. E foi exatamente isso que os taurinos fizeram, aproveitando também as atualizações recentes para deixar o carro mais equilibrado em trechos que exigem ataque maior às zebras.
Verstappen só não mandou no setor 2 do traçado azeri porque Sainz conseguiu ser 0s003 mais veloz, mas foi o bastante para pegar a McLaren no contrapé graças ao ganho de 0s2 sobre os carros papaia. Mesmo com menos de três minutos para colocar os pneus na janela ideal de temperatura, no Q3, fez o que dele sempre se espera, com uma volta enfim limpa e sem erros. As simulações mostram a Red Bull com o terceiro melhor ritmo de corrida, porém a diferença é pequena em relação à McLaren, que terá de remar muito para impedir a segunda vitória seguida do neerlandês.
McLaren abusa de erros, mas perderia pole para Verstappen de qualquer forma
Ok, o muro cresceu para cima de Piastri e também de Norris, que chegou a bater no Q3, mas dificilmente a dupla superaria Max Verstappen na briga pela posição de honra no grid. Ao contrário do carro da Red Bull, o MCL39 trabalha muito bem o downforce e gosta de pistas seletivas, por mais versátil que seja. Por essa razão, a dupla ficou vendida ao perder a soberania no setor 2 de Baku.
Piastri ainda foi o mais veloz no primeiro trecho, mas não conseguiu nem sequer colocar 0s1 em Verstappen. Para completar, a tática de mandar Norris logo à pista depois da última paralisação, temendo a sétima bandeira vermelha, não se pagou, pelo contrário, pois Lando pegou a pista em piores condições e não conseguiu fazer os pneus funcionarem. Agora, é claro que os dois fatalmente estarão na briga pelo pódio pelo equipamento que possuem, mas Andrea Stella tem razão ao dizer que não ficaria surpreso de ver o #1 da Red Bull no alto do pódio outra vez.

Ferrari se enrola toda com pneus. E Mercedes aposta em ‘foguete’ para ir ao pódio
E a Ferrari, hein? Simplesmente se atrapalhou toda no gerenciamento dos pneus e saiu de uma briga certa pela pole para terminar com um carro no Q2 e o outro espatifado no muro. A maionese desandou tanto que Hamilton se disse “chocado”, e com razão! A Ferrari decidiu colocá-lo de macios na segunda seção, enquanto os adversários diretos, incluindo Leclerc, escolheram os médios (C5), que funcionaram muito melhor. Novamente, “um problema de execução”, acusou Frédéric Vasseur, já que faltou temperatura à borracha. Com Charles foi o contrário, uma vez que os médios no Q3 contribuíram para o erro.
Se a Ferrari ficou pelo meio do caminho, a Mercedes surgiu como a grande oportunista do sábado, mas não por acaso. Atenta à leitura que os treinos livres forneceram, deixou o carro com pouca asa e mandou no setor 3 com George Russell, que ainda atingiu a maior velocidade registrada (341 km/h). Kimi Antonelli, em contrapartida, ficou com o quarto lugar, portanto os alemães partem em posição bastante interessante para brigar pelo pódio — e, de quebra, encostar de vez nos italianos na luta pelo vice no Mundial de Construtores.
Sainz e Lawson bancam ‘penetras’ em festa, e há espaço para mais!
E não é que quase aconteceu aquilo que só a família de Sainz deve ter apostado? Em meio ao completo caos, a disputa pela pole de repente começou a tender para o lado da sorte, que foi lançada na mão do espanhol, um dos únicos três pilotos a completarem volta limpa no Q3 antes das batidas de Leclerc e Piastri. Até choveu, de tanto que a sessão demorou para terminar, mas não o bastante para impedir Verstappen de melhorar a volta e roubar o primeiro posto.
Mesmo assim, a posição é excelente para Sainz arriscar até a briga pelo pódio, e isso porque o carro da Wiliams gosta de trechos de alta velocidade, só que os ingleses também foram sagazes e conseguiram otimizar a performance na parte mais sinuosa. Liam Lawson completou a trinca com uma Racing Bulls que mais uma vez apavorou no setor 3, porém conseguiu uma perda menor na parte intermediária. Sobreviveu ao caos e também tem fôlego para ao menos incomodar os graúdos que vêm de trás.

Vento forte roubou cena. E previsão não é nada animadora para domingo
A quantidade de pilotos passando reto e acertando o muro não foi circunstancial. O vento é sempre uma questão em Baku por conta da localização geográfica, à beira do Mar Cáspio — a capital azeri tem seu nome proveniente do persa arcaico Bād-kube, que significa “cidade apanhada pelos ventos”, e está exposta a diferentes correntes de ar. Neste sábado, ele chegou a 30 km/h de velocidade média e ainda ajudou a trazer uma garoa que poderia ter causado ainda mais problema no final da sessão.
O domingo promete mais: segundo o serviço de meteorologia AccuWeather, a previsão aponta ventos de 37 km/h de velocidade média, com rajadas que podem atingir os 63 km/h. Ainda há chance de chuva acima de 60%, o que significa que o caos visto na classificação pode se repetir na corrida. Não seria, aliás, nenhuma novidade por lá, e quem sabe o clima maluco não ajuda a trazer a emoção que anda faltando neste terço final de competição.
O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP do Azerbaijão AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP do Azerbaijão de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Corrida | 08:00 | 10:00 | 12:00 | 13:00 |
*Horários de Brasília
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