Verstappen e Red Bull dão aula em anárquico Azerbaijão e viram (de novo) favoritos
Max Verstappen ignorou a balbúrdia que tomou conta da longa classificação do GP do Azerbaijão e cravou a quinta pole da temporada 2025, em mais uma daquelas performances esmagadoras. O neerlandês e a Red Bull souberam muito bem como lidar com os desafios que Baku ofereceu e não se renderam. Carlos Sainz e a Williams se espelharam nisso e brilharam, junto com um inusitado Liam Lawson, que completou o top-3 do grid. Enquanto isso, a dominante McLaren sucumbiu, assim como a Ferrari
“Tudo se resume a fazer uma volta perfeita”. Foi com essa frase que Max Verstappen encerrou a sexta-feira de treinos livres em Baku. E ainda acrescentou que, para isso, seria ainda necessário “tirar um pouco mais do carro e de si próprio”. 24 horas depois, o neerlandês cumpria a palavra. A pole conquistada neste sábado (20) no Azerbaijão traduziu com perfeição a sensação de que havia realmente mais a entregar, só não dava para imaginar que seria com requintes de crueldade. É que o tetracampeão ignorou toda a desordem que tomou conta da longa classificação e soube como ninguém usar tudo que tinha à disposição. Agora, de novo, larga favorito.
É também interessante colocar aqui que a definição do grid da F1 foi a mais maluca da temporada — e dificilmente alguma outra etapa vai conseguir igualar ao que testemunhou a capital azeri. Até por isso a posição de honra de Verstappen merece todos os elogios. Em uma sessão tão tumultuada por acidentes, bandeiras vermelhas seguidas e até mesmo chuva, era mesmo de se esperar um grid mais embaralhado, como de fato está. Só que a presença de Max ali na frente apenas eleva o sarrafo. E nisso, é também importante reverenciar o que fizeram Carlos Sainz e Liam Lawson, especialmente. O espanhol aproveitou bem a chance que teve e vai dividir a primeira fila com Verstappen, enquanto o neozelandês larga logo atrás, em terceiro.
Dito isso, é conveniente ainda olhar para essa performance avassaladora do piloto #1 e da própria Red Bull. Porque eles viraram o jogo e, sem muita dúvida, estariam na ponta, mesmo que a sessão oficial não tivesse sido interrompida tantas vezes. E tudo começa com uma combinação certeira entre a configuração aerodinâmica e o trabalho em cima dos pneus — ainda que Verstappen tenha se queixado da escolha final dos compostos. O caso é que os taurinos foram capazes de encontrar um delicado equilíbrio entre os trechos mais velozes do circuito que percorre as ruas de Baku e a parte sinuosa e de baixa velocidade.
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Quer dizer, os engenheiros da equipe austríaca destravaram um dos maiores problemas do RB21: as curvas de média e baixa velocidade. E isso só foi possível diante de um acerto ousado e com mais carga na asa dianteira, que ganhou maior estabilidade. O modelo ainda sofre com as saídas de frente e o ataque às curvas, mas Max foi capaz também de entregar ao time informações mais precisas sobre isso, um pouco como aconteceu em Monza. Assim, o segundo setor passou a ser uma prioridade, enquanto a velocidade final — de novo, mais extrema do que a configuração utilizada pela McLaren — garantiu um desempenho mais sólido.
Daí em diante, a construção do resultado esteve nas mãos do neerlandês, que apenas foi lá e exibiu o máximo de si, como de costume. Verstappen tomou as decisões certas, principalmente em relação aos pneus, peças chave neste sábado. E por causa das seguidas bandeiras vermelhas — seis no total, sendo duas durante o Q3 —, também foi importante entender o posicionamento de pista. Max precisou abortar a volta inicial, por causa do acidente de Oscar Piastri, segundo a bater na fase final da classificação. O tetracampeão usava os pneus médios, os melhores do dia. Então, na tentativa derradeira no retorno dsa ações, precisou lançar mão dos macios. Ainda assim, foi o bastante para a pole, mesmo em uma estratégia ousada da Red Bull em mandá-lo por último da fila, mesmo diante da possibilidade de novas interrupções.
“Uma longa sessão com muitas bandeiras vermelhas, então foi muito difícil acertar a volta porque na maioria das vezes os pneus não estavam realmente prontos, ou uma bandeira vermelha acontecia”, explicou Verstappen. “Especialmente o Q3, com um pouco de chuva também, foi muito difícil. Na última volta, você simplesmente tem de mandar ver. Nem estava com os melhores pneus que eu queria, por causa de todas as bandeiras vermelhas, você basicamente fica sem pneus.”
“Acho que, definitivamente estávamos, estaríamos na pole, independentemente do clima. É claro que o Q3 é sempre um pouco complicado para todos. Estou feliz, parece que, desde Monza, estamos fazendo um trabalho melhor e espero que possamos continuar assim”, completou o quatro vezes campeão do mundo.
Apenas como uma explicação, até para entender melhor o impacto das escolhas feitas por Verstappen e também pela concorrência ao seu redor — e aqui vale para o bem e o mal, o que inclui as opções feitas por McLaren e da Ferrari. Os pneus desempenharam um papel decisivo, porque havia enorme incerteza sobre que composto usar entre os médios e macios. A Pirelli levou a gama mais macia, os C4, C5 e C6. E nesta aspecto, os amarelos e vermelhos apresentaram níveis de aderência muito parecidos, a diferença variou, claro, de carro para carro, dependendo do acerto. Mas, de modo geral, a principal mudança também foi a durabilidade e a capacidade de manter temperatura e aderência. Como esfriou bem neste sábado, ficou mais difícil encontrar essa janela de operação. Para alguns, o médio foi mais eficiente, como na Red Bull, na Williams e na Ferrari — embora não tenha aproveitado a vantagem. Para outros, como a equipe papaia, o C5 foi desastroso.
E isso ajuda explicar a posição surpreendente de Sainz. O espanhol apareceu na ponta na tabela logo no começo do Q3 e chegou a rezar pela chuva, para se manter ali — ajudado pelo acidente com Charles Leclerc e de Piastri na sequência. Quando a sessão foi retomada, ele também foi capaz de melhorar a primeira tentativa, para garantir ao menos a primeira fila — é que Verstappen foi muito além. “O melhor pneu hoje foi o médio novo. Depois, um pneu médio usado. O terceiro melhor para nós foi o pneu macio novo”, contou o chefe da Williams, James Vowles.
“Às vezes é melhor esperar, às vezes é melhor sair na pista logo de cara. No Q3, queríamos sair o mais rápido possível. A chance de outra bandeira vermelha era simplesmente alta demais”, completou o dirigente, creditando o segundo posto de Sainz à decisão. “Passamos muito tempo nos dez dias seguintes a Monza analisando por que raramente conseguimos extrair o máximo dos pneus em uma única volta. Isso valeu a pena.”
Terceiro no grid, Lawson apenas seguiu os rivais ingleses na tática e se deu bem, aproveitando também a enorme velocidade de reta do foguetinho que é o carro da Racing Bulls. Há de se destacar também a eficiência da Mercedes, que colocou seus dois pilotos no top-5, com Kimi Antonelli (4º) à frente de George Russell. E não dá para deixar passar o fato de que a queda na temperatura, impulsionada pela chuva que rondou o circuito, foi de grande ajuda ao W16, ainda muito sensível ao clima, especialmente diante da gama mais macia da Pirelli.

Como nem tudo são flores, McLaren e Ferrari perderam grandes oportunidades neste sábado. A esquadra de Andrea Stella até ensaiava a dobradinha, embora ainda enfrentasse problemas com os pneus médios, preferindo usar os macios mesmo. Só que a batida de Piastri no Q3 e a volta falha de Lando Norris acabaram por enterrar qualquer chance. O trabalho agora será em cima da estratégia e de fazer o composto amarelo funcionar neste domingo, uma vez que o inglês parte do sétimo posto, enquanto o australiano sai em 9º.
A Ferrari também se viu na parede, com Leclerc — que tinha muitos recursos para a pole. E como desgraça pouca é bobagem, a escuderia foi mal também de execução no caso de Lewis Hamilton, que ficou vendido sem pneus no final do Q2 e será obrigado a sair apenas em 12º.
A corrida deste domingo tende a ser de uma única parada, no uso dos pneus médios e duros. No entanto, há dúvidas sobre a durabilidade e a degradação em um circuito tão excêntrico. E claro, ainda é prudente levar em consideração as eventuais paralisações. Portanto, só há uma certeza até aqui: como na Itália, Verstappen parte para a vitória, e isso já é dor de cabeça o bastante para a concorrência.
O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP do Azerbaijão AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
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| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Corrida | 08:00 | 10:00 | 12:00 | 13:00 |
*Horários de Brasília
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