Na Garagem: Räikkönen executa remontada improvável e vence GP do Japão na última volta
A bela carreira de Kimi Räikkönen na Fórmula 1 viveu um de seus dias mais altos no GP do Japão de 2005, exatamente uma corrida após perder o título para Fernando Alonso. Com sangue nos olhos, finlandês saiu do fundo do grid para vencer com ultrapassagem na última volta em Suzuka
Em uma disputa por título limitada a dois pilotos de equipes diferentes na Fórmula 1, a temporada 2005 trouxe a atuação mais absurda do ano justamente após o destino da taça ser decidido. Fernando Alonso ficou com o caneco pela Renault, mas precisou encarar a força da McLaren de Kimi Räikkönen. O início maravilhoso de campeonato do espanhol faria a diferença no final, mas ninguém estava preparado para a atuação do finlandês no dia 9 de outubro, data do GP do Japão, quando tudo já estava decidido. Ali, Räikkönen correu com sangue nos olhos e apresentou o que muitos consideram a melhor pilotagem da carreira.
O carro McLaren-Mercedes de Räikkönen era o melhor do grid àquela altura, é verdade, o que o permitiu seguir na disputa do título até o fim do ano. No entanto, Alonso assegurou a taça no Brasil, com duas rodadas pela frente, e encerrou a conversa antes mesmo das etapas de Japão e China. Ou seja, na chegada a Suzuka, Räikkönen ainda lidava com a ressaca de ter sido derrotado na disputa pelo título mundial.
O início do fim de semana já mostrou que o clima seria um ingrediente importante, mas a classificação pegou todo mundo desprevenido. A tempestade desabou de vez durante a sessão, o que dividiu o grid entre os que conseguiram ir à pista antes da água chegar e os que tiveram de ir depois. Räikkönen estava nesse segundo grupo, encarou o traçado encharcado e fez o pior tempo entre os que registraram volta: 2min02s309.
O resultado da chuva foi um grid de largada completamente bagunçado, com a Toyota de Ralf Schumacher na pole e pilotos como Christian Klien (em uma Red Bull iniciante) e Takuma Sato (da BAR) em quarto e quinto lugares, respectivamente. O favoritismo passou a recair sobre Giancarlo Fisichella, único dos ponteiros com um carro realmente competitivo, já que o italiano seria terceiro com a Renault. Lá atrás, Räikkönen sairia em 17º e teria à frente Alonso, Robert Doornbos e Michael Schumacher. O companheiro Juan Pablo Montoya largava logo atrás.

Só que o cenário da largada foi completamente diferente da classificação, com início em pista seca. Assim, os carros mais velozes fizeram valer a potência e foram imediatamente para cima das equipes mais fracas. Alonso e Raikkönen ganharam uma série de posições e logo subiram para oitavo e 12º, respectivamente. Mas nem tudo foi tranquilo, com toque entre Sato e Rubens Barrichello, além de acidente entre Montoya e Jacques Villeneuve. Com isso, o safety-car foi acionado.
Com o pelotão junto, a saída do carro de segurança foi a senha para mais uma disputa frenética. E ninguém tinha tanto ritmo como Räikkönen, que foi atropelando os adversários e ganhando posições. Foram cinco nas seis primeiras voltas após a relargada, em ritmo que continuou alucinante a partir daí. Líder da corrida, Fisichella decidiu parar para reabastecer na volta 21, algo que os pilotos de trás foram repetindo na sequência.
Após o primeiro ciclo completo de paradas, Fisichella retomou a liderança, seguido por Jenson Button e Mark Webber. Em quarto, já aparecia Räikkönen, uma posição à frente de Alonso. E o ritmo seguiu avassalador: na segunda janela de paradas, Kimi seguiu na pista após as entradas de Button e Webber; quando enfim reabasteceu pela segunda e última vez, fez o overcut dar certo e voltou à frente.
Restava apenas tomar a liderança de Fisichella, que se encontrava 5s à frente no momento do retorno de Räikkönen à pista. O finlandês foi com tudo para cima, fez valer o ritmo superior e colocou pressão no italiano, que errou na última chicane. Räikkönen aproveitou e, na curva 1, passou por fora da Renault para tomar a liderança na volta final. Vitória épica, e justamente na etapa seguinte à perda do campeonato.

Junto ao vencedor Räikkönen, estiveram no pódio Fisichella, segundo colocado, e Alonso, terceiro. Webber, Button, David Coulthard, Michael Schumacher, Ralf Schumacher, Klien e Felipe Massa completaram o top-10. O único outro brasileiro na corrida, Rubens Barrichello, foi o 11º.
O resultado já não fazia diferença para o Mundial de Pilotos, com o primeiro lugar garantido por Alonso e o segundo, pelo próprio Räikkönen. Por outro lado, era importante para os Construtores, campeonato no qual a McLaren ainda alimentava chances. No entanto, mesmo com a vitória do finlandês, a Renault somou mais pontos — e ainda superou o time inglês na China para ficar com o título. De qualquer forma, a atuação entrou para a história como um dos pontos mais exuberantes de uma carreira de tanto sucesso na Fórmula 1.
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