Aston Martin reconhece que crítica de Newey à estrutura “foi para dar empurrão”

Andy Cowell contou que Adrian Newey exagerou propositalmente ao dizer que o simulador atrasaria Aston Martin por dois anos apenas para motivar engenheiros. Segundo chefe da equipe, estratégia teve resposta positiva

A relação entre Adrian Newey e Aston Martin ainda é recente, mas o projetista britânico já começou a deixar sua marca nos bastidores. Segundo Andy Cowell, chefe e CEO da equipe, uma declaração de Newey durante o GP de Mônaco, quando afirmou que o time levaria dois anos para alcançar o nível ideal, foi feita propositalmente, apenas para provocar os engenheiros a trabalharem com ainda mais intensidade — e teve o resultado esperado.

A declaração de Newey foi feita em maio, quando ainda se familiarizava com a estrutura de Silverstone. Na ocasião, disse que alguns equipamentos estevam defasados, principalmente o simulador. Desde então, concentrou seus esforços exclusivamente no projeto do carro da Aston Martin para o novo regulamento da Fórmula 1 em 2026, enquanto observa e orienta melhorias na infraestrutura técnica do time.

Apesar da declaração de Newey, Cowell garantiu que o simulador não será uma “desvantagem de dois anos”. O comentário, segundo ele, cumpriu exatamente o que o projetista queria: gerar desconforto e acelerar o desenvolvimento.

“Depois da entrevista, Adrian se virou para mim e disse que falou em dois anos só para dar um empurrão no pessoal. Nós somente sorrimos e demos risada”, contou Cowell, em entrevista ao Motorsport.com.

Adrian Newey fez primeira aparição no paddock pela Aston Martin no GP de Mônaco (Foto: Aston Martin)

“Muito trabalho está sendo feito para melhorar o simulador, torná-lo mais fiel e garantir que o ambiente do cockpit seja mais representativo. Há um esforço coletivo enorme para evoluir e, ao mesmo tempo, liberar Adrian para focar totalmente no carro de 2026”, explicou.

O dirigente destacou que a reação interna à provocação de Newey foi positiva e reflete o espírito competitivo da equipe. “As pessoas responsáveis pelo simulador ficaram incomodadas no começo, claro, mas responderam trabalhando ainda mais. É isso que amo nesse time. Todos têm orgulho do que fazem, e essa atitude se reflete em cada departamento da Aston Martin”, disse.

O dirigente também elogiou a chegada de Enrico Cardile, ex-Ferrari, que se juntou à Aston Martin em agosto como diretor-técnico. Segundo Cowell, o engenheiro italiano tem papel central na integração das áreas técnicas.

“Enrico está juntando tudo. Ele tem experiência e está coordenando os grupos para o bem do carro e das ferramentas”, afirmou.

Fórmula 1 retorna entre os dias 17 e 19 de outubro no Circuito das Américas, em Austin, que é sede do GP dos Estados Unidos, a 19ª etapa da temporada 2025.

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