Candidata à presidência entra com ação contra FIA e pede suspensão da eleição

Laura Villars entrou com um processo no Tribunal de Primeira Instância de Paris contestando os regulamentos atuais da FIA, que a impedem de competir nas próximas eleições

Impedida de se candidatar à presidência da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Laura Villars entrou com um processo contra a entidade nesta quarta-feira (29), menos de dois meses antes das próximas eleições. A ação foi movida para contestar os regulamentos atuais que a impedem — assim como Tim Mayer, que desistiu da disputa, e Virginie Philippot — de ter a chance de desbancar Mohammed Ben Sulayem. Uma primeira audiência foi marcada para o dia 10 de novembro.

De acordo com a agência de notícias AFP, a suíça pediu ao Tribunal de Primeira Instância de Paris que “ordene a suspensão da eleição para presidente da FIA até que seja proferida uma decisão sobre o mérito do litígio”. A disputa eleitoral está programada para acontecer no dia 12 de dezembro, no Uzbequistão, um dia antes da cerimônia anual de premiação.

O processo vem após a revelação de que nenhum dos rivais de Ben Sulayem deverá conseguir formalizar candidatura. Isso porque os estatutos da federação exigem que cada concorrente apresente uma lista com vice-presidentes representando todas as regiões do mundo, entre membros nomeados ao Conselho Mundial de Esporte a Motor (WMSC). No entanto, a América do Sul conta atualmente com somente uma representante elegível, Fabiana Ecclestone, que faz parte da chapa do emiradense.

Em uma manifestação anterior, Villars disse que as modificações no processo eleitoral foram aprovadas na Assembleia Geral da FIA em Macau, em junho, e teriam alterado indevidamente partes do regulamento. Citou ainda o Artigo 1.3 dos estatutos, que determina que a entidade “deve respeitar os mais altos padrões de governança, transparência e democracia”.

Laura Villars entrou com um processo contra a FIA (Foto: Reprodução)

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Villars também afirmou que membros de clubes filiados à FIA expressaram “surpresa e preocupação” com a situação atual, que, segundo ela, “não reflete o espírito democrático dos estatutos da federação”.

Desde então, a FIA evitou comentar diretamente as declarações da candidata, mas reafirmou que todas as informações sobre o processo eleitoral estavam disponíveis publicamente desde junho, com prazo aberto entre 13 de junho e 19 de setembro para a inscrição de representantes elegíveis ao Conselho Mundial de Esporte a Motor.

Enquanto questiona o processo eleitoral, Villars também reforçou o manifesto de campanha, defendendo uma entidade mais inclusiva e transparente. Entre as propostas estão criar a FIA Social Academy, com investimento anual de € 20 milhões (R$ 124,4 milhões, na cotação mais recente) para apoiar jovens pilotos de kart, F4 e F3, e a implementação de um teto orçamentário de € 150 mil (cerca de R$ 933 mil) por temporada na F4 e € 600 mil (R$ 3,7 milhões) na F3.

Ela também propõe um Fundo para Mulheres no Esporte a Motor, no valor de € 15 milhões (R$ 93 milhões), com 20 bolsas de estudo anuais e o lançamento de uma Women FIA Series a partir de 2030, precedida por quatro campeonatos continentais.

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