Caça, caçador e cores de volta à vida: a quinta-feira de Piastri em Interlagos

Oscar Piastri aparece em Interlagos para dar entrevista na quinta-feira sem a mesma pegada de quem não comeu e não gostou do México. É o primeiro passo necessário para qualquer coisa daqui para frente na Fórmula 1 2025

“Se fosse meu filho, teria levado ao hospital”. Foi com essa frase que nosso intrépido repórter Daniel Balsa, que estava presente no paddock da Fórmula 1 no GP da Cidade do México, descreveu a situação anímica de Oscar Piastri durante o fim de semana. Pudera, Piastri sofria para sequer se aproximar do companheiro Lando Norris — de novo —, era acossado por Max Verstappen — de novo x 2 — e encarava o nítido fato de que o suco estava fervendo. No domingo, conforme prometido, ferveu.

Pálido, com tensão cristalina em cada resposta para a imprensa sobre a perda da liderança do campeonato, sem muito mais o que explicar, com o título antes encaminhado escapando por entre os dedos, parecia na iminência de um desmaio. Não desmaiou, felizmente. Saiu de lá com as próprias pernas e passou as últimas duas semanas fazendo sabe Deus o que para escapar da melancolia da derrota.

E, de fato, o Piastri que entrou no centro de hospitalidade da McLaren nesta quinta-feira (6) para o dia de atividades de imprensa do GP de São Paulo era uma pessoa diferente. As feições de quem acabou de sofrer um ataque à mão armada de água sanitária deu lugar a um rosto, digamos, mais colorido. Animado, encarou de saída uma pergunta sobre fogo amigo da equipe. Em outro momento, poderia demonstrar a irritação por baixo da educação que sempre demonstra — e é, realmente, educado. Mas não. Sorriu, brincou e respondeu com seriedade, sem jogar as responsabilidades para a equipe. Daí em diante, falou que o time permite, sim, que se defenda em caso de qualquer ação prejudicial. Defendeu as ‘regras papaias’.

Tudo bem, sabemos que as tais regras e a maneira da McLaren conduzir o bate-cabeças de seus dois pilotos têm muitos contestadores. Não se trata de um juízo valor, apenas da constatação que Piastri não tinha a mesma tensão no ar que mostrava há duas semanas. O rosto deixou a estrutura quase vampírica do México para trás e mostrou novamente o piloto visto em momentos mais normais. Sem a passivo-agressividade que anda consigo nos piores momentos bem como um bom vinho em mesa de refeição mediterrânea.

Oscar Piastri estava menos tenso durante o primeiro dia em Interlagos (Foto: Rodrigo Berton/Agência Warm Up)

“Não [muda], especialmente por estarmos basicamente empatados”, respondeu ao ser questionado a respeito da perda da liderança do campeonato por 1 mísero ponto. “Meu objetivo o ano inteiro foi ter os melhores fins de semana possíveis e guiar o mais rápido possível. Em nenhum momento, pensei mais que o normal sobre os riscos que posso assumir. Não muda nada o fato da classificação do campeonato estar um pouco diferente agora”, afirmou.

Talvez não mude nada mesmo para Piastri ser caça, como era antes, ou caçador, como é agora. Afinal, um título perdido é perdido seja qual for o desenho do campeonato. Aí, é Fábio Júnior quem entra em cena: como Oscar pode dizer que não quando está a sair fugido do paraíso? Os campeões fazem das trajetórias da F1 aquilo que são, caça e caçador.

Justiça seja feita, 1 ponto de desvantagem com quatro corridas pela frente significa que ainda há mais do que tempo suficiente para fazer um grande prazer rolar pelo ar. O maior prazer de um piloto. O rosto mais vitaminado, a expressão corporal menos perdida e a tensão desacoplada não significam, absolutamente, que Piastri voltará a andar bem na pista e tirar proveito do carro e das oportunidades. Ou que voltará a um campeonato que galopou com forças próprias em direção ao cruel destino de sofrer uma virada enorme.

Apesar de afirmar, quando questionado pelo GRANDE PRÊMIO, que não precisa de grande mudança de ares com relação às corridas recentes, a mudança já começou. Pelo menos alguma mudança.

Não dá para dizer que está leve e louco. Mas o campeonato da Fórmula 1 é uma história com princípio, meio e fim. E o fim está ali pela esquina, com pressa de acabar.

Fórmula 1 retorna neste fim de semana, de 7 a 9 de novembro, em São Paulo, 21ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificações, sprint e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Além da cobertura tradicional, o GRANDE PRÊMIO estará IN LOCO em Interlagos para acompanhar todas as emoções da etapa com os repórteres Pedro Henrique Marum, Evelyn GuimarãesLuana Marino e Daniel Balsa.

GP de São Paulo de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:

SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Treino livre11:3013:3015:3016:30
Classificação sprint15:3017:3019:3020:30
Corrida sprint11:0013:0015:0016:00
Classificação15:0017:0019:0020:00
Corrida14:0016:0018:0019:00

*Horário de Brasília

McLAREN PREFERE TÍTULO DE VERSTAPPEN A PRIORIZAR NORRIS OU PIASTRI NA F1 | TTGP #204
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