Audi estabelece prazos e admite que “há muito o que aprender” na F1 2026
Líder do projeto da Audi na F1, Mattia Binotto detalhou o desenvolvimento do carro do próximo ano e reconheceu que ainda há muito o que aprender, especialmente em relação ao motor
A temporada 2026 da Fórmula 1 está chegando e, com isso, as equipes precisam finalizar os carros o quanto antes, já que a pré-temporada começa mais cedo que o habitual, no fim de janeiro. Mattia Binotto, líder do projeto da Audi na categoria, estabeleceu prazos para o desenvolvimento do carro do ano que vem admitiu que há muito o que aprender.
Além de modificações no âmbito das unidades de potência, com a parte elétrica passando a representar até 50% da força total — frente aos 20% atuais — e combustível 100% sustentável, a aerodinâmica dos carros também enfrentará uma verdadeira revolução com o novo regulamento, incluindo o fim do DRS, o retorno da aerodinâmica ativa e a redução significativa do efeito-solo.
Binotto destacou o fato de a pré-temporada começar mais cedo em 2026 e ressaltou que o motor utilizado nos testes será diferente da versão final que estará no GP da Austrália, em março.
“No próximo ano, começaremos os testes de inverno bem cedo. A primeira sessão será em Barcelona, no final de janeiro, mais cedo do que nas temporadas anteriores. Para nós, estar pronto significa estar pronto até o final de janeiro, o que significa que o carro precisa estar pronto no início do mês”, disse o dirigente da Audi no lançamento da pintura conceitual do R26.
“Iniciamos alguns testes na fábrica. Ligaremos o motor pela primeira vez até o final do ano, nas próximas semanas. A versão que usaremos nos testes ainda estará longe da versão final. Obviamente, quando fomos correr, queremos ter o melhor carro possível em Melbourne. É por isso que tentaremos cumprir nossos prazos da melhor maneira possível”, salientou.
A otimização da gestão de energia será muito mais complexa que nos carros atuais e também mudará a forma como ela é utilizada ao longo de uma volta, abrindo caminho para diferenças mais acentuadas entre as equipes, especialmente nas fases iniciais do novo regulamento.
Nomes como Charles Leclerc, Alexander Albon e Lance Stroll já alertaram para o risco de a categoria se tornar excessivamente focada na economia de energia, ao ponto de os pilotos terem de tirar o pé nas retas. No entanto, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) garante que a intenção não é sobrecarregar a pilotagem com a ampliação da parte elétrica, reiterando que a meta é encontrar “um meio-termo” entre gestão de energia e dirigibilidade.
“Por um lado, precisamos começar a andar para entender o produto, a interação, o gerenciamento de energia e a relação entre o motor e o chassi. Para nós, será também a primeira vez na pista com uma unidade de potência da Audi completamente nova, e será crucial garantir que o time trabalhe bem em conjunto”, reconheceu Binotto.

“Será uma equipe nova, que nunca trabalhou junta antes, já que tivemos fornecedores de motores diferentes no passado. Portanto, há muito a aprender, uma curva de aprendizado muito íngreme no início, e é exatamente por isso que cumprir certos prazos é importante para nós”
A última mudança no regulamento de motores foi em 2014, com a introdução dos V6 híbridos. Porém, a aerodinâmica não foi tão afetada, como será o caso de 2026. Isso pode ampliar as discrepâncias de desempenho entre as equipes, com valores de downforce fortemente ligados à potência do motor. Nos primeiros anos da era híbrida, a Mercedes dominou a F1 e tinha um carro que muitas vezes era 1s mais rápido que as rivais mais próximas.
“Na época, aliás, a mudança de regulamento dizia respeito à unidade de potência, enquanto, do ponto de vista do chassi, as regras eram bastante convencionais, baseadas em conceitos já conhecidos. Hoje, porém, haverá também uma transformação significativa na aerodinâmica e em todo o carro. É uma combinação de dois fatores: a unidade de potência e o chassi/aerodinâmica”, apontou.
Como o desenvolvimento avança a passos largos, sobretudo no que diz respeito à aerodinâmica, algumas equipes, entre elas a própria Audi, optaram por deixar os pilotos testarem o carro de 2026 no simulador apenas numa fase avançada, para oferecer uma base mais concreta sobre a qual trabalhar. Se no passado existiam parâmetros sólidos para estimar a velocidade do bólido, hoje entram em jogo novos fatores que tornam a situação muito mais complexa.

“Isso significa que os parâmetros que antes eram cruciais para o desempenho podem mudar. Com o novo regulamento, o que era importante para ser rápido pode não ser mais o mesmo. Consequentemente, todas as ferramentas e simulações desenvolvidas na fábrica para as regras atuais terão de ser revisadas por completo, porque as referências não serão mais as mesmas”, encerrou o dirigente da Audi.
Após a passagem pelo Brasil, a Fórmula 1 só retorna no fim do mês, para mais uma edição do GP de Las Vegas. A antepenúltima etapa da temporada 2025 acontece entre os dias 21 e 23 de novembro, com cobertura completa do GRANDE PRÊMIO. Depois, restarão apenas as passagens por Catar e Abu Dhabi.
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