5 coisas que aprendemos com a etapa da Stock Car em Brasília
É bom para o automobilismo brasileiro que Brasília volte a receber corridas como a da Stock Car. O fim de semana, no entanto, fica marcado por mais coisas negativas do que positivas
Fora do calendário da Stock Car desde 2014, Brasília finalmente voltou a receber uma etapa da principal categoria do esporte a motor brasileiro. Porém, o fim de semana na capital do país se destacou pelos motivos errados. Afinal, as consequências do acidente envolvendo João Paulo de Oliveira e Bruno Baptista roubaram todos os holofotes.
No que diz respeito ao espetáculo na pista, a rodada da Stock Car em Brasília teve altos e baixos. A sprint foi movimentada, teve ultrapassagens e diferentes intervenções por safety-car. A principal, por outro lado, foi monótona e praticamente sem ultrapassagens.
Felipe Fraga, que venceu a sprint e foi segundo colocado na principal, e Nelsinho Piquet, terceiro na prova curta e vencedor no domingo (30), foram os destaques do fim de semana. O resultado deixou Fraga com a mão na taça. O GRANDE PRÊMIO separou uma lista de cinco lições que ficam da etapa da Stock Car em Brasília.
Sorte e consistência aproximam Fraga de título
Felipe Fraga teve o fim de semana dos sonhos em Brasília. Depois de uma boa classificação, em que foi terceiro, partiu de décimo na sprint. Gaetano Di Mauro, principal rival e companheiro de equipe, foi apenas 12º na classificação e, por isso, largou da pole na prova curta, tendo boas chances de reduzir a desvantagem na busca pelo título.

Di Mauro, no entanto, sofreu com a falta de confiabilidade, sequer contornou a primeira curva na liderança e abandonou. Fraga, por sua vez, contou com uma dose de sorte e acertou na estratégia ao parar nos boxes a quatro minutos do fim, instantes antes de a bandeira amarela ser acionada por causa do forte acidente de Enzo Elias.
Em condições normais, Fraga teria concluído a prova em décimo, o que por si só já seria positivo para o campeonato. Porém, os nove pilotos que estavam à sua frente não tiveram tempo de fazer a parada obrigatória durante a bandeira verde e foram desclassificados. Isso, aliado ao segundo lugar na corrida principal, fez Felipe sair de Brasília com nove dedos na taça.
Segurança em pauta
Fraga e Piquet foram os vencedores das corridas sprint e principal, respectivamente, mas o fim de semana ficou marcado por outros motivos. O destaque foi a batida no TL1 entre João Paulo de Oliveira e Bruno Baptista. O carro #7 acertou em “T” o #44 da RCM, e os desdobramentos do acidente levantaram questionamentos a respeito da segurança dos novos SUVs.
O caso repercutiu de forma extremamente negativa, e os pilotos cogitaram não correr mais no fim de semana após saberem das consequências do acidente e do estado em que ficou o carro de Baptista. Com o impacto, o #44 rachou e teve diversas peças quebradas. Bruno chegou a ficar desacordado, apurou o GRANDE PRÊMIO.
Adalberto Baptista, pai de Bruno, afirmou que o piloto estava bem e voltou para São Paulo após receber alta do hospital. Oliveira, por sua vez, sofreu uma fissura na bacia e uma pequena fratura na coluna. Com a batida, a gaiola de proteção do carro #44 rachou “como se fosse feita de um material totalmente impróprio para uso de proteção”, disse Adalberto ao GP.
Para tentar resolver o problema da confiabilidade, a Stock Car confirmou o retorno dos motores V8. Para 2026, no entanto, a segurança dos carros precisará ser revista. Adalberto, inclusive, confirmou que Bruno não voltará a competir com os carros atuais.
Mais pilotos receosos com os SUVs
Durante a etapa no Velocitta, Helio Castroneves viveu um momento de tensão e inalou fumaça depois de ter dificuldade para abrir a porta do carro que estava em chamas. Na época, a segurança foi questionada, mas o assunto esfriou. Porém, voltou a ser comentado pelos pilotos após o acidente de Baptista e Oliveira.
Na sexta-feira (28), os pilotos e a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) se reuniram para avaliar a continuidade da etapa em Brasília. Em seguida, a CBA se reuniu com as equipes, inicialmente sem a participação da Vicar, apurou o Grande Prêmio.

O cenário mostra um claro descontentamento com a situação atual da categoria. Embora as atividades tenham acontecido normalmente, alguns pilotos estavam receosos quanto à situação. Felipe Massa, Rubens Barrichello, Hélio Castroneves, Rafael Suzuki, Ricardo Zonta e Gabriel Casagrande chegaram a se reunir para decidir se iriam ou não ao TL2, soube o GP.
Stock Car truca e tem pilotos na mão
A Stock Car, evidentemente, agiu para demover os pilotos da ideia de não correr em Brasília. O assunto comercial foi um dos temas da conversa entre a categoria e os competidores, o que também pesou para a sequência do fim de semana.
Foi informado aos pilotos do grid que boa parte deles possui contratos com a ArcelorMittal, patrocinadora da categoria e responsável pela matéria-prima dos carros atuais, soube o GP.
Outro ponto exposto foi o fato de o próprio Banco BRB patrocinar a categoria e pilotos, além de a empresa ter sido responsável pela reforma do autódromo de Brasília. O GRANDE PRÊMIO procurou a Stock Car para comentar os episódios em três oportunidades, mas não obteve retorno até o momento.

Falta união dos pilotos
Após o encontro entre pilotos e Stock Car, alguns poucos competidores insistiram em não continuar o fim de semana, soube o GRANDE PRÊMIO. Um dos mais experientes, Cacá Bueno cobrou maior ação por parte dos pilotos e afirmou que o grupo precisa permanecer unido quando a segurança está em pauta.
O #0 foi um dos líderes do movimento que procurou a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), ao lado de Massa e Casagrande, que questionou a entidade acerca da segurança dos carros após o acidente entre Oliveira e Baptista.
“A gente viu dois amigos e companheiros de trabalho hoje no chão por conta de um acidente. A gente sabe que isso acontece no automobilismo e, graças a Deus, eles estão bem. Gostaria de ver um pouco mais de união dos pilotos em busca de segurança. Não adianta a gente falar e não agir. Gostaria de ver mais união de pilotos com a Confederação, com o organizador, com o construtor”, disse Bueno.
“Adoraria que estivéssemos todos sentados em uma sala buscando soluções, preocupados com a vida de todos. No final do dia, sou eu quem vou entrar no carro, e quando eu parar, meus amigos vão continuar. Só queria que todos estivessem mais seguros”, finalizou Bueno.
A Stock Car retoma as atividades entre 12 e 14 de dezembro com a etapa final em Interlagos. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa da temporada 2025.
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