Sauber deixa escuridão para trás e passa bastão com dignidade para entrada da Audi
Em um ano, a Sauber conseguiu sair de uma equipe zumbi, que só esperava a chegada da Audi, a um time que enfim voltou a competir e proporcionou momentos inesquecíveis para Nico Hülkenberg e Gabriel Bortoleto. Parecia impossível ao fim de 2024, mas o time de Hinwil sai de cena deixando uma herança digna e um ambiente muito mais positivo para a montadora das argolas
Após ser contratado pela Sauber, antes mesmo do fim da temporada 2024 na Fórmula 1, Gabriel Bortoleto encarou perguntas constantes sobre a realidade que encontraria na equipe. E não era para menos, já que o time fechou aquele campeonato com míseros quatro pontos, todos somados na penúltima etapa do certame. Um ano depois, o nono lugar no Mundial de Construtores pode não indicar grande evolução, mas a decepção do brasileiro com a ausência de pontos em Abu Dhabi mostra uma mudança completa de perspectiva. Enfim, o time voltou a competir.
Dos quatro pontos somados em 2024, a Sauber fechou com 70 em 2025, com direito a briga pelo sexto lugar e o fim da imagem de uma equipe zumbi, que só esperava a chegada da Audi. Não fosse a dificuldade de Nico Hülkenberg em classificações pela maior parte do ano e a inconsistência de Bortoleto no fim, com seguidos acidentes, o oitavo lugar poderia até ter sido tomado da Haas — que fechou apenas nove pontos à frente.
Mattia Binotto foi contratado para botar ordem na casa antes da entrada da Audi, já que a estrutura interna da montadora demonstrava graves falhas e uma disputa inaceitável de ego. Jonathan Wheatley foi posicionado na chefia da equipe, como forma de suavizar a transição, enquanto a dupla de pilotos mudou completamente de um ano para o outro. Apesar da manutenção de perfil (um experiente e um jovem), a evolução de Valtteri Bottas e Guanyu Zhou para Hülkenberg e Bortoleto é gritante.
Com um time mais coeso e enfim capaz de progredir na corrida tecnológica da Fórmula 1, os pontos começaram a vir com muito mais frequência em 2025. A convergência do regulamento também ajudou, já que a ordem de forças se aproximou ainda mais no último ano das regras atuais. A Sauber aproveitou, permitiu a Bortoleto pontuar logo em sua primeira temporada na Fórmula 1 e atingiu um feito que Hülkenberg talvez nem acreditasse mais ser possível: o pódio.

Em um GP da Inglaterra marcado por condições adversas, Nico quebrou o maior jejum de pódios da história da Fórmula 1 e subiu ao palco pela primeira vez, em cena que transcendeu gerações do esporte. Dos mais novos aos mais velhos, que acompanharam a trajetória do alemão desde que era um jovem na Williams (ou na própria Sauber), a simbologia de ver o piloto entre os três primeiros colocados mostrava que algo havia mudado. Além disso, foi um prêmio mais do que justo por todos os anos de Hülkenberg na categoria.
Não que tenha sido um campeonato dos sonhos, claro. Nico abriu bem a temporada, com seis pontos pelo sétimo lugar na Austrália (mais do que a Sauber fez em todo o ano de 2024), mas o time passou as sete rodadas seguintes sem um ponto sequer: China, Japão, Bahrein, Arábia Saudita, Miami, Ímola e Mônaco. A virada de chave veio a partir do GP da Espanha, e com algo que a Sauber simplesmente não conseguia fazer até então: acertar em cheio nas atualizações.
Pois o time levou um pacote robusto a Barcelona, com asas dianteiras e assoalhos completamente repaginados, novos sidepods e mudanças até na tampa do motor. O carro mudou totalmente, como o próprio Hülkenberg admitiu, e permitiu aos pilotos emendarem seis provas seguidas na zona de pontuação. Se o time chegou à Catalunha só com os seis da estreia do campeonato, somou 45 combinando as etapas de Espanha, Canadá, Áustria, Inglaterra, Bélgica e Hungria.
O novo normal, então, passou a ser pensar nos pontos. Contando com o equilíbrio absurdo no pelotão intermediário da Fórmula 1, a Sauber começou a sonhar com o sexto lugar e entrou na briga com Racing Bulls, Aston Martin e Haas — que precisaram responder.

Os pontos começaram a rarear com o crescimento das rivais, mas seguiram vindo aqui e ali: Itália, EUA, México, Brasil, Las Vegas e Abu Dhabi renderam novos top-10, mesmo considerando um fim de campeonato mais acidentado de Bortoleto e o problema que o carro do brasileiro teve na última rodada.
Para o ano que vem, os pontos de interrogação são enormes. Todas as equipes reservam mistérios absolutos sobre o que poderão fazer em um regulamento completamente novo, mas o fato de que a Audi apostou nessa revolução para sequer entrar na Fórmula 1 joga uma camada de pressão extra.
Pela primeira vez em muito tempo, todavia, o time dá sinais de que pode almejar um futuro interessante. Sai de cena a equipe zumbi, entra uma montadora que herda um trabalho em evolução e com muito mais otimismo envolvido.
A temporada 2025 da Sauber não foi um sonho colorido, longe disso. A questão é que, só de brigar novamente, o time já mostrou uma faceta que havia se perdido completamente nos últimos anos. Levou Hülkenberg a um pódio histórico, permitiu os primeiros pontos de Bortoleto e — finalmente — apareceu. Voltou a competir, incomodou os adversários e, mesmo com a derrota, sai de cabeça absolutamente erguida para a entrada da montadora. Algo que parecia completamente fora da realidade há 12 meses.
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Calendário F1 2026: quais corridas estarão presentes na nova temporada da Fórmula 1
A Fórmula 1 e a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) divulgaram em junho o calendário da temporada de 2026. A categoria manteve os 24 eventos, mas realizou algumas mudanças. A principal é a saída do GP da Emília-Romanha, em Ímola, para a entrada do GP da Espanha, em Madri. Além disso, o GP de Mônaco acontecerá em junho, enquanto o GP do Canadá foi movido para maio, conflitando as datas com a Indy 500. O GP de São Paulo segue no calendário como a 21ª etapa.
Assim como em 2025, a temporada 2026 da F1 tem início em Melbourne, na Austrália, mas agora entre os dias 6 e 8 de março. E a sequência de corridas segue praticamente a mesma, passando por China, Japão, Bahrein, Arábia Saudita e Miami. A primeira grande mudança acontece já na sétima etapa, com o GP do Canadá.
Veja como ficou o calendário da F1 2026.
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