Red Bull confirma saída de Marko ao final de 2025 e encerra ciclo de 20 anos
Helmut Marko disse que precisava pensar, mas a decisão de de deixar a Red Bull ao final de 2025 foi tomada rapidamente. É mais um dos pilares que deixa o barco depois da crise interna do início de 2024
Helmut Marko bateu o martelo e decidiu deixar a Red Bull ao final de 2025. A confirmação foi feita pela equipe nesta terça-feira (9) e põe fim a um ciclo de 20 anos, uma vez que o consultor austríaco está na equipe desde a fundação, em 2005.
Marko, de 82 anos, é uma das figuras mais simbólicas da Red Bull e é quem representa o lado austríaco da equipe fundada por Dietrich Mateschitz, amigo pessoal de Helmut, morto em 2022. Além disso, também passava por ele a gerência da academia de pilotos dos taurinos, entre outras incumbências internas.
“Estou envolvido no automobilismo há seis décadas, e os últimos 20 anos na Red Bull foram uma jornada extraordinária e extremamente bem-sucedida”, disse Marko em comunicado da equipe à imprensa. “Foi um período maravilhoso que ajudei a construir e compartilhar com tantas pessoas talentosas. Tudo o que construímos e conquistamos juntos me enche de orgulho”, salientou.
“Ter ficado tão perto do título mundial nesta temporada me emocionou profundamente e deixou claro para mim que agora é o momento certo para encerrar este capítulo longo, intenso e repleto de conquistas. Desejo sucesso contínuo a toda a equipe e estou convencido de que eles estarão lutando pelos dois títulos mundiais novamente no próximo ano”, garantiu.

Chefe da Red Bull, Laurent Mekies disse que a saída de Marko era uma notícia muito triste”, e acrescentou: “Ele foi uma parte integral da nossa equipe e de todo o programa de automobilismo da Red Bull por mais de duas décadas. Portanto, este é o fim de um capítulo extraordinariamente bem-sucedido. Sua partida deixará um vazio, e sentiremos sua falta de verdade.”
“Gostaria de expressar minha sincera gratidão por seu apoio inabalável, não apenas nos últimos meses, mas também durante meus primeiros dias na Toro Rosso”, acrescentou.
“Em nota pessoal, Helmut, junto com Oliver Mintzlaff, foi a força motriz por trás do meu retorno à família Red Bull — primeiro em Faenza e depois, neste verão, no meu papel atual em Milton Keynes. Helmut é um verdadeiro competidor de coração, sempre nos levando ao limite, sempre disposto a correr riscos na busca por nossos objetivos”, encerrou Mekies.
CEO da Red Bull, Mintzlaff contou que partiu de Marko a decisão. “Helmut me procurou com o desejo de encerrar o papel como consultor de automobilismo no final do ano. Lamento profundamente a decisão, pois ele foi uma figura influente por mais de duas décadas, e sua saída marca o fim de uma era extraordinária.”
“Após uma longa e intensa conversa, soube que deveria respeitar seus desejos, pois tive a impressão de que o momento era o certo para ele dar esse passo. Embora a saída deixe uma lacuna significativa, nosso respeito por sua decisão e nossa gratidão por tudo o que ele fez pela Red Bull superam isso”, completou.
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A possibilidade de aposentadoria de Marko já havia sido ventilada em meio à crise pela qual a Red Bull passou no início de 2024. Na ocasião, até mesmo a permanência de Max Verstappen foi posta em xeque, uma vez que possuía no contrato cláusula da saída ligada ao ‘fico’ do consultor.
Só que a postura sem filtro tão característica de Helmut começou a pesar de uns tempos para cá. As falas polêmicas nunca foram novidade e foram sentidas principalmente pelos próprios pilotos do grupo Red Bull, entre eles Yuki Tsunoda — considerado um “filho problemático” nos tempos de AlphaTauri — e Sergio Pérez — vítima de comentários xenofóbicos do octogenário.
A última treta, porém, envolveu um piloto de fora: Kimi Antonelli cometeu um erro na última volta do GP do Catar, mas foi acusado por Marko de ter cedido a posição deliberadamente. O britânico acabou terminando em quarto e precisou somente de um pódio em Abu Dhabi para ser campeão.
Mas a situação com Antonelli escalonou de tal forma que ele recebeu uma enxurrada de comentários de ódio nas redes sociais. A Mercedes chegou a levar o caso à Federação Internacional de Automobilismo (FIA), e Marko foi a público se desculpar pelas acusações.
Na segunda-feira (8), o jornal neerlandês De Telegraaf publicou reportagem afirmando que o incidente com Antonelli foi uma espécie de gota d’água. Depois do GP de Abu Dhabi, a cúpula da Red Bull se reuniu nos Emirados Árabes Unidos em um jantar e decidiu que seria melhor que cada lado seguisse caminhos separados em 2026.
Só que os taurinos já estavam irritados com a história envolvendo Alexander Dunne, já que, segundo a publicação, Marko foi atrás do jovem e ofereceu contrato com a academia sem o consentimento do time. A Red Bull desfez o acordo e teve de pagar indenização ao piloto.

Depois da corrida em Yas Marina, o austríaco admitiu que precisava pensar sobre cumprir o contrato vigente até o final de 2026. “Vou conversar sobre isso e, depois, ver o que fazer. É um conjunto complexo de fatores diferentes”, argumentou.
Marko é mais uma peça que se solta da antiga estrutura da Red Bull, que começou a ruir no momento em que o antigo chefe, Christian Horner, foi acusado de conduta inapropriada com uma funcionária, antes do início da temporada 2024. A equipe realizou investigação interna e decidiu afastar a profissional, porém o caso já havia abalado os pilares em Milton Keynes.
Enquanto Christian se sustentava no cargo, outras peças fundamentais abandonavam o barco, e a saída mais impactante foi a de Adrian Newey. Jonathan Wheatley, diretor-esportivo de longa data, foi outro que aceitou a proposta de liderar a Audi em pista.
De repente, uma guerra de poder veio à tona e colocou Horner e Marko em lados opostos. O britânico permanecia no poder por conta do apoio do lado tailandês puxado por Chalerm Yoovidhya, então majoritário, porém o clã Verstappen também se meteu e começou a condicionar a permanência de Max à saída de Horner, noticiou a imprensa alemã.
A demissão, então, veio depois do GP da Inglaterra de forma inesperada. Laurent Mekies assumiu o cargo e deu início a intenso trabalho em busca de atualizações para recolocar Verstappen na disputa do título de 2025. Depois das férias, o neerlandês chegou a estar 104 pontos atrás do líder, mas brigou até o fim e perdeu a disputa contra Norris por apenas 2 tentos.
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