Retrospectiva 2025: Sauber arruma casa para Audi e leva Hülkenberg a céu inesperado
Os sinais trágicos dados pela Sauber nos últimos anos indicavam que a Audi teria vida extremamente complicada ao entrar na Fórmula 1. Porém, com uma nova chefia, dupla renovada de pilotos e mais estabilidade, o time voltou a competir, espantou os fantasmas e passa o bastão em posição de ser ao menos respeitado
De ‘equipe zumbi’ da Fórmula 1 em 2024, meramente à espera da chegada da Audi como montadora em 2026, a Sauber surpreendeu e trouxe um crescimento difícil de imaginar ao longo da temporada 2025. Com mudanças internas e uma chefia tentando se distanciar da guerra de egos, o time deixou a rabeira da categoria, somou pontos até com certa consistência e, mais importante que tudo isso, passa o bastão à marca das argolas com a certeza de estar em um patamar muito melhor que há 12 meses.
Com foco total no projeto de entrada da montadora na Fórmula 1, em 2026, a operação Sauber/Audi passou por momentos inaceitáveis a menos de dois anos da estreia. Ex-CEO, Andreas Seidl se envolveu em uma guerra de poder com Oliver Hoffmann, ex-presidente do conselho de administração da empresa, o que resultou em uma demissão dupla. Mattia Binotto, então, chegou como diretor de operações e chefe-técnico, ainda em 2024.
A virada para 2025 trouxe a estreia de Jonathan Wheatley como chefe de equipe e novas mudanças: Binotto passou a chefiar o projeto inteiramente, ao mesmo tempo em que Adam Baker foi dispensado do posto de CEO — cargo hoje extinto na estrutura. Por fim, Christian Foyer ainda se juntou à equipe como diretor de operações e assumiu as demais funções de Baker.
Algumas dessas mudanças aconteceram com a temporada 2025 já em andamento, o que não muda o fato de que a Sauber se abriu às alterações ao perceber a necessidade de corrigir a rota. O cenário no ano passado era desolador, com uma equipe que nem sequer sonhava em pontuar, tinha dois pilotos constantemente nas últimas posições e, nas raras situações em que sonhava com algo, estragava tudo com as próprias estratégias ou pit-stops mal-executados.

As profundas dificuldades começaram a gerar cada vez mais dúvidas sobre o projeto ambicioso da Audi, que espera brigar por vitórias em alguns anos. Afinal de contas, como virar uma situação tão ruim em um espaço tão curto?
Pois a temporada 2025 veio não apenas como um alívio para a Audi, mas para servir como despedida digna da Sauber. Com Nico Hülkenberg e Gabriel Bortoleto formando uma dupla de fôlego e nova chefia, o time voltou a competir no Mundial de Construtores, chegou a sonhar com o sexto lugar e encontrou uma perspectiva bem diferente. Ao invés de só cumprir corridas e esperar a chegada da marca alemã, a Sauber enfim brigou.
O ponto alto foi obviamente o pódio de Hülkenberg na Inglaterra, encerrando uma das escritas mais impressionantes da história da Fórmula 1 de um jeito absolutamente surpreendente. Bortoleto também ajudou bastante na evolução do time, com direito a um belo sexto lugar no GP da Hungria e apresentações que indicaram grande futuro. A velocidade na classificação, então, serviu para assustar até o experiente Nico.
A estabilidade na chefia e a subida de produção se refletiram diretamente na tabela do campeonato: após fechar 2024 com quatro pontos, todos no Catar, a Sauber somou 70 em 2025 e deu um salto considerável. Não foi o bastante para superar Racing Bulls, Haas e Aston Martin na briga pelo sexto lugar, mas trouxe um cenário muito diferente do ano anterior, em que Valtteri Bottas e Guanyu Zhou se arrastavam no fundo do pelotão.

E outra grande diferença foi a capacidade, anteriormente perdida, de fazer atualizações valerem. Com extremas dificuldades de evoluir o carro, a Sauber se tornou um time que raramente acertava nas novas peças, ao menos em termos realmente competitivos. Em 2025, isso mudou a partir do GP da Espanha, com um pacote robusto de atualizações que incluiu asa dianteira, assoalho, sidepods e até a tampa do motor. O efeito das mudanças foi resumido pelo experiente Hülkenberg.
“A atualização de Barcelona transformou o carro”, disse à revista Auto Motor und Sport. “É mais equilibrado, previsível e consistente de guiar. Além disso, protege os pneus. O carro ficou muito mais estável que antes. É algo que me permite a estabelecer o ritmo que preciso. Esse passo adiante parece o que demos na Haas entre 2023 e 2024″, explicou.
E assim foi o 2025 da Sauber: evoluir aos poucos, justamente para sair de cena em um posto mais honrado e com pontos positivos para passar à Audi na entrada. Não foi uma temporada dos sonhos, longe disso, mas a missão foi cumprida e, diferentemente do que os sinais indicavam há um ano, a montadora das argolas encontra um ambiente bem mais positivo ao estrear. A ‘equipe zumbi’ parece ter saído de cena de vez, e a evolução demonstrada em 2025 é apenas uma pequena porção do que a Audi vai precisar para brigar de verdade na Fórmula 1.
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