A temporada 2026 da MotoGP terá dois campeões mundiais como estreantes, mas em situações completamente diferentes. O brasileiro chega ostentando o título da Moto2, mas o turco desembarca no Mundial de Motovelocidade como tricampeão do Mundial de Superbike
A MotoGP terá apenas dois novatos no grid de 2026: Diogo Moreira e Toprak Razgatlioglu. Os dois pilotos chegam à classe rainha do Mundial de Motovelocidade amparados por títulos mundiais, mas com currículos completamente diferentes, já que contam com trajetórias profissionais bastante distintas.
Caçula entre os dois, Moreira desembarca na MotoGP com um contrato de três anos com a Honda, mas vai correr com a satélite LCR, formando par com o veterano Johann Zarco. Aos 21 anos, Diogo chega com o título da Moto2 debaixo do braço após uma campanha histórica, não apenas por ser o primeiro brasileiro a triunfar no Mundial de Motovelocidade, mas por ter conseguido a maior reação da história da categoria intermediária, recuperando um atraso de 61 pontos para faturar a taça.
Nascido em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, Moreira deixou o Brasil cedo, já que a mudança para a Europa era a única opção para perseguir uma carreira na motovelocidade. Graças a um projeto bancado pela cervejeira Estrella Galicia 0,0, o agora ex-#10 teve a chance de fazer a melhor base do motociclismo do mundo, passando por categorias como Talent Cup Europeia e Red Bull Rookies Cup, uma das principais portas de entrada para o Mundial.
O desembarque na Moto3 aconteceu em 2022, com a novata MSi. Moreira fechou o ano em oitavo, como melhor estreante, e repetiu o resultado no ano seguinte, antes de saltar para a Moto2. Correndo com a Italtrans, Diogo estreou no pódio da divisão do meio de maneira espetacular: com uma manobra na última curva da última volta para cima do campeão mundial Ai Ogura.

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
Ano passado, porém, Moreira deu um passo mais e toou protagonismo na categoria. Ainda com a Italtrans, o brasileiro fez uma temporada de mais para melhor ainda, neutralizou a força mostrada por Manuel González na primeira metade do campeonato e virou o jogo com uma segunda parte de disputa marcada não só por vitórias, mas também por consistência.
A performance no Mundial de Motovelocidade atraiu o interesse da maioria das fábricas da MotoGP, mas o que Diogo fez fora também ajudou a chamar atenção. Em 2022, por exemplo, o brasileiro se aventurou em uma etapa do Mundial de Supermoto e, além de faturar a garantiu duas vitórias e mais um pódio nas três corridas que disputou.
No fim, o passe de Moreira foi mais intensamente disputado por Yamaha e Honda, mas a escolha pela marca da asa dourada colocou o agora #11 em um caminho oposto ao de Toprak: enquanto a RC213V já está no caminho da evolução, a YZR-M1 trocou para o motor V4, mas ninguém ainda tem certeza de quão forte será o novo protótipo da marca dos três diapasões.
Razgatlioglu, por outro lado, é um ‘showman’ já conhecido no esporte, mas fez carreira distante do Mundial de Motovelocidade. O turco trilhou o caminho do Mundial de Superbike, passando por categorias como Superstock 600 e Superstock 1000 antes de conseguir o tricampeonato de classe principal.
O flerte com a elite da motovelocidade, todavia, é antigo. Já há alguns anos, Toprak fala do desejo de correr na MotoGP e, anos atrás, a própria Yamaha chegou a oferecer um teste para avaliar a possiblidade. Contudo, o resultado não foi satisfatório, o acabou mudando os planos.
Depois disso, Razgatlioglu deixou a marca dos três diapasões e se juntou à BMW na série das motos de produção, mas sem desistir do sonho da MotoGP. Agora, o #7 ganha uma nova chance.

As 78 vitórias e os 173 pódios conquistados no WSBK são um atestado da capacidade de Razgatlioglu, mas ainda restam dúvidas sobre a capacidade dele de se adaptar ao novo equipamento. A transição do Mundial de Superbike para a MotoGP não é tão comum e, os poucos pilotos que percorreram esse caminho, não foram tão bem sucedidos assim.
Entretanto, Toprak é tido como alguém muito mais talentoso e a aposta em cima dele é muito mais para 2027, quando a MotoGP terá motos mais simplificadas, com menos aerodinâmica, sem os dispositivos de rebaixamento de suspensão e com os pneus Pirelli ― os mesmos usados no WSBK ―, na ocasião da troca dos motores 1000cc pelos protótipos 850cc.
Até aqui, os dois fizeram um único teste oficial: o pós-temporada de Valência. No circuito Ricardo Tormo, Razgatlioglu saiu-se melhor e fechou o teste em 18º, a 1s294 do líder Raúl Fernández. Moreira, por sua vez, foi o 21º, 0s530 mais lento que o turco. Contudo, enquanto era a primeira vez do brasileiro com a RC213V, o turco já tinha feito um teste privado prévio com a moto da Yamaha.
Em 2026, os dois vão disputar o título de melhor estreante. E com armas e recursos bem diferentes para brigar pelo selo.
| Diogo Moreira | Toprak Razgatlioglu | |
| Local de nascimento | Guarulhos, Brasil | Alanya, Turquia |
| Idade | 21 anos | 29 anos |
| Categorias por onde passou na Europa | Talent Cup Europeia, Mundial Júnior, Rookies Cup, Moto3 e Moto2 | Yamaha Cup, Rookies Cup, Superstock 600, Superstock 1000 e Mundial de Superbike |
| Categoria onde foi mais bem sucedido | Moto2: campeão de 2025 – 4 vitórias, 10 pódios e 7 poles | WSBK: tricampeão (2021, 2024 e 2025) – 78 vitórias, 173 pódios e 24 poles |
A MotoGP está de férias e só volta a acelerar nos dias 29, 30 e 31 de janeiro de 2026, com o shakedown direto de Sepang, na Malásia. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade.
Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Escanteio SP.
GOSTA DO CONTEÚDO DO GRANDE PRÊMIO?
Você que acompanha nosso trabalho sabe que temos uma equipe grande que produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente. Mesmo durante os tempos de pandemia, nossa preocupação era levar a você atrações novas. Foi assim que criamos uma série de programas em vídeo, ao vivo e inéditos, para se juntar a notícias em primeira-mão, reportagens especiais, seções exclusivas, análises e comentários de especialistas.
Nosso jornalismo sempre foi independente. E precisamos do seu apoio para seguirmos em frente e oferecer o que temos de melhor: nossa credibilidade e qualidade. Seja qual o valor, tenha certeza: é muito importante. Nós retribuímos com benefícios e experiências exclusivas.
Assim, faça parte do GP: você pode apoiar sendo assinante ou tornar-se membro da GPTV, nosso canal no YouTube