Mercedes se esquiva de boatos sobre melhor motor da F1 2026: “Só Deus sabe”

Engenheiro responsável pelos motores da Mercedes, Hywel Thomas abordou os rumores de que a equipe alemã tenha a unidade de potência mais rápida e disse que o regulamento abre margem para encontrarem brechas

A temporada 2026 da Fórmula 1 marca o início de uma nova era na categoria, por conta de grandes mudanças no regulamento técnico, sendo a aerodinâmica e os motores os principais afetados. E com alterações significativas nas regras, o desempenho dos carros é uma incógnita, apesar de rumores apontarem que a Mercedes tenha a unidade de potência mais forte. Hywel Thomas, engenheiro responsável por supervisionar os motores da marca, esquivou-se dos boatos e disse que “só Deus sabe” como será a performance do time.

Além de mudanças robustas na aerodinâmica dos carros, incluindo o fim do efeito-solo e a substituição do DRS pelo Manual Override Mode (Modo de Ultrapassagem Manual, em tradução livre), por exemplo, os motores do próximo ano terão a parte elétrica ampliada, passando a representar até 50% da força total — frente aos 20% dos antigos — e combustível 100% sustentável.

E apesar da temporada ainda estar longe de começar, já existe uma polêmica sobre os motores envolvendo a Mercedes e a Red Bull, que vai fabricar os próprios motores ao lado da Ford. Rumores indicam que ambas descobriram uma brecha relacionada ao limite da taxa de compressão, o que poderia resultar em uma vantagem considerável de desempenho. Porém, as duas unidades de potências já foram homologadas, e a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) considerou o conceito compatível com as regras vigentes.

A última grande alteração no regulamento de motores da F1 foi em 2014, quando a categoria deixou de usar os V8 para utilizar os V6 híbridos. E foi justamente na era híbrida que a Mercedes passou a ter um domínio absoluto, emplacando oito títulos consecutivos no Mundial de Construtores. Por conta de uma mudança tão grande, a pré-temporada foi estendida e terá uma sessão a mais em relação aos anos anteriores. Thomas acredita que tem bastante tempo para corrigir qualquer falha na unidade de potência.

Fórmula 1 terá grande mudança nos motores de 2026 (Foto: F1)

“Acho que é o suficiente para a nossa preparação. Houve muito investimento ao longo dos anos em dinamômetros, na forma como operamos na fábrica, até mesmo em testes virtuais, e em como nos prepararmos adequadamente”, declarou o engenheiro ao podcast Beyond The Grid.

“Fazer esse primeiro teste será importante para avaliarmos tudo, porque há muita interação, muita coisa nova… carro, pneus, tudo. Então acho que isso provavelmente será tempo suficiente para nos manter em movimento. Na hierarquia, nunca achamos que temos potência suficiente, nunca achamos que temos confiabilidade e nunca achamos que somos os melhores em demonstrar isso na pista. Se você sempre acha que está um pouco atrasado e está sempre se esforçando para conseguir aquele algo a mais, não creio que isso seja algo ruim”, reconheceu.

Ao abordar os rumores de que a Mercedes está um passo à frente, Thomas se esquivou: “Sinceramente, não sei quanta potência teremos na primeira corrida, então só Deus sabe como o resto do paddock sabe o que vamos ter lá!” No entanto, explicou que as mudanças que a natureza das mudanças no regulamento abre caminho para que alguém saia na frente dos demais competidores.

“Definitivamente sempre é possível. Embora as regras tenham sido elaboradas de forma a tentar evitar isso. Então, existem algumas restrições que limitam a forma como as coisas são feitas. Se tudo correr bem, é menos provável que alguém se adiante. Mas quem garante que ninguém encontrou uma brecha, ninguém descobriu algo incrível que ninguém mais descobriu?”, ponderou.

Engenheiro da Mercedes acredita que regulamento de motores abre margem para fabricantes encontrarem brechas (Foto: Mercedes)

Hywel também destacou três elementos serão fundamentais para um bom desempenho da unidade de potência da F1 2026.

“Acho que provavelmente existem três elementos. A potência do virabrequim sempre será um deles. A eficiência do sistema elétrico também será um fator: quanto mais eficiente for, mais tempo você poderá mantê-lo ligado, o que significa que você poderá ser mais rápido”, analisou.

“Mas acho que o terceiro elemento é: como tudo isso funciona em conjunto? Como você faz com que tudo funcione em conjunto? Como você obtém e usa toda essa energia de forma transitória junto com a potência? Como você interage com o carro completamente novo?”, questionou.

“Como você interage com o piloto? Ele será capaz de despejar toda a potência para fazer uma reta incrivelmente rápida, mas ficará sem energia pelo resto da volta, então não poderá fazer isso mesmo que queira. Então, esse elemento estratégico e descobrir onde usar tudo isso, é uma parte muito importante também”, finalizou o engenheiro da Mercedes.

F1 está de férias. Os carros voltam a acelerar de 26 a 30 de janeiro em testes privados em Barcelona. Depois, seguem para o Bahrein para mais duas sessões da pré-temporada: de 11 a 13 de fevereiro e de 18 a 20 de fevereiro. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades de 2026.

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