Chefe da Audi faz balanço da carreira e vê “F1 muito diferente” de 35 anos atrás
Chefe da Audi, Jonathan Wheatley refletiu sobre a carreira na Fórmula 1 e admitiu que nunca almejou comandar um time antes. Ele também ressaltou que o esporte está muito diferente de 35 anos atrás
Jonathan Wheatley permanece como chefe de equipe após a transição da Sauber para Audi. O britânico refletiu sobre a longeva carreira na Fórmula 1 — já são 35 anos trabalhando na principal categoria do automobilismo — e ressaltou que o esporte está muito diferente da época que começou a trabalhar.
Wheatley começou a carreira na F1 como mecânico da Benetton, em 1991, e trabalhou ao lado de Michael Schumacher. Seguiu na equipe após se transformarem em Renault e virou mecânico-chefe em 2001. Cinco anos depois, foi para a Red Bull e trabalhou como diretor-esportivo até 2024.
O britânico, assim como Adrian Newey, foi um dos principais nomes que deixaram o time taurino após o caso Christian Horner vir à tona. Desde 2025, assumiu a função de chefe de equipe na Sauber, que hoje é a Audi.
Quando questionado sobre como a progressão de mecânico a chefe de equipe o moldou ao longo da carreira na F1, Jonathan refletiu sobre como o ambiente da Benetton foi fundamental para estabelecer a sólida base de trabalho em equipe que ele utiliza hoje.

“É interessante, porque quando entrei para este esporte em 1991, toda a equipe de Fórmula 1 tinha cerca de 100 pessoas. O grupo que viajava tinha cerca de 22 funcionários. O mesmo número de membros que faziam uma parada nos boxes hoje em dia era a equipe inteira, incluindo marketing, alimentação, tudo, sabe? Então era muito diferente”, declarou o chefe da Audi ao portal Motorsport Week.
“E você trabalhava quase que de forma isolada, e uma das coisas que percebi na década de 1990 e que fizemos muito bem na Benetton foi realmente acreditar na filosofia da equipe. Então, acho que cresci nesse ambiente, entendendo o quão forte era um grupo coletivo de pessoas em comparação com apenas o indivíduo. Nem sempre gostei da atitude de estar frequentemente competindo com o carro do outro lado da garagem. Portanto, acho que isso também faz parte de quem você é”, analisou.
A forte abordagem de trabalho em equipe de Wheatley como chefe também contrasta bastante com o ambiente de muitos times em relação aos pilotos, que geralmente se baseia na noção de que o principal adversário na pista é o companheiro de equipe, a quem você deve derrotar corrida após corrida.
“Tenho sido extremamente privilegiado por, em nenhum momento da minha carreira, ter sido motivado por ambições profissionais. Sempre gostei de trabalhar com qualquer equipe, e as oportunidades que me foram oferecidas me trouxeram isso. E hoje estou aqui como chefe de equipe do que será o projeto da Audi na Fórmula 1, o que é uma das coisas mais empolgantes que posso dizer em uma frase”, exaltou.

Embora Wheatley tenha trabalhado com alguns dos principais e mais controversos chefes do esporte, como Flavio Briatore, nos primeiros anos na Fórmula 1, o britânico nunca se imaginou seguindo os passos deles. Na verdade, escolheu um caminho diferente na carreira, focando em funções de trabalho em equipe, o que o levou a ser chefe de mecânicos na Benetton/Renault e, posteriormente, diretor-esportivo na Red Bull. Jonathan, aliás, sequer almejava comandar uma equipe.
“Esta seria a carreira menos bem-sucedida do mundo se eu tivesse almejado isso, porque levei 34 anos para chegar até aqui”, brincou. “Não, naquela época, os chefes de equipe eram Ron Dennis, Flavio Briatore, Luca di Montezemolo [na verdade, era o presidente da Ferrari]. Quer dizer, só de pensar por um momento que eu poderia ser chefe de equipe era algo completamente inatingível, porque, de modo geral, sempre fui feliz trabalhando em grupo”, admitiu.
“Nunca me vi dando o próximo passo ou o próximo passo. Apenas aproveitei cada dia na Fórmula 1. E, como disse antes, tive muita sorte que as pessoas me identificaram como alguém que poderia dar o próximo passo. E então acho que, às vezes, na carreira, você recebe um telefonema importante, e esse foi um deles”, completou Wheatley.
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