Red Bull explica por que combustível sustentável será principal desafio na F1 2026
Diretor da divisão de motores da Red Bull, Ben Hodgkinson detalhou a relação do combustível sintético com a temperatura e o quanto isso dificulta a combustão
Desde a aprovação do novo ciclo de regras da Fórmula 1, em vigor a partir deste ano, as atenções estão voltadas sobretudo para a unidade de potência por conta da ampliação da parte elétrica, mas há um ponto em especial que tem sido encarado pela Red Bull como ainda mais desafiador: o combustível sustentável. Diretor da Red Bull Powertrains, divisão de motores de Milton Keynes, Ben Hodgkinson explicou a razão e classificou o trabalho atual como “complexo”.
A F1 vai introduzir o uso de combustíveis 100% neutros em carbono como forma de se aproximar do Net Zero 2030, meta estabelecida pela FIA junto da categoria para reduzir as emissões de carbono em 50% até 2030. Hodgkinson, que trabalhou por 20 anos na Mercedes antes de se transferir para a Red Bull, em 2022, detalhou a relação do combustível com a temperatura e o quanto isso dificulta a combustão.
“Eu projeto motores de corrida há 27 anos”, disse em entrevista coletiva. “E no ciclo anterior de regras, que começou em 2014, o desenvolvimento continuou até a última temporada, com melhorias de cerca de 0s5 por ano. Portanto, sabemos que há muito trabalho a ser feito e que ainda estamos longe do ideal”, frisou.
“[Os combustíveis sustentáveis] são mais complexos porque são compostos de elementos com diferentes pontos de evaporação”, seguiu o engenheiro, lembrando que combustíveis fósseis (oriundos de fontes de energia não renováveis, como petróleo, matéria-prima da gasolina) evaporam em temperaturas mais baixas e dentro de uma faixa muito estreita.

“Com combustíveis sustentáveis, alguns componentes evaporam mais tarde do que outros, o que torna a combustão mais complexa. Estamos trabalhando com câmaras de combustão mais quentes, uma situação que abre cenários técnicos interessantes, mas nada simples”, completou.
De fato, o desenvolvimento dos combustíveis sintéticos tem trazido certa dor de cabeça para as equipes por conta do alto custo. Esta semana, o site da revista alemã Auto Motor und Sport divulgou que a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) optou por liberar o uso de combustíveis fora do regulamento de 2026 durante a pré-temporada. Petronas, Shell, Aramco, ExxonMobil e Castrol são as atuais fornecedoras na F1.
No ano passado, foi estimado que o custo deste combustível 100% sustentável girava em torno de US$ 300 (R$ 1,6 mil na cotação atual) por litro. Portanto, a expectativa é de que cada equipe desembolse US$ 100 mil (R$ 538 mil) por fim de semana de corrida. Ao longo de uma temporada completa, esse valor gira em torno de US$ 2,5 milhões (R$ 13,5 milhões).
A Fórmula 1 está de férias. Os carros voltam a acelerar de 26 a 30 de janeiro em testes privados em Barcelona. Depois, seguem para o Bahrein para mais duas sessões da pré-temporada: de 11 a 13 de fevereiro e de 18 a 20 de fevereiro. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades de 2026.
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