Diretor da FIA busca consenso sobre motores para evitar disputa judicial na F1 2026
Nicholas Tombazis, diretor de monopostos da FIA, tentou minimiza polêmica dos motores, mas admitiu que espera reunião "sem controvérsias" com equipes da F1
A F1 terá um novo regulamento para carros e motores a partir da temporada de 2026, mas possíveis brechas encontradas por Mercedes e Red Bull colocam as unidades de potência no centro das atenções antes mesmo dos carros irem à pista. Diretor de monopostos da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Nicholas Tombazis tentou minimizar o tema e a reunião da entidade com as equipes, marcada para esta quinta-feira (22), mas indicou que espera encontrar consenso para evitar controvérsias que levem a questão para a esfera judicial.
O regulamento da F1 2026 determina que a taxa de compressão dos motores seja de 16:1. No entanto, há indícios de que Mercedes e Red Bull tenham conseguido alcançar uma taxa de 18:1 com a unidade de potência em operação, por meio de um trabalho técnico específico. Durante o funcionamento do motor, deformações térmicas em bielas, eixo, pistões e outros componentes internos alterariam dimensões e, possivelmente, conexões estruturais, impactando diretamente a taxa de compressão — um ganho estimado em cerca de 15 cv.
Em tese, essa solução proporcionaria mais torque e potência, além de permitir a extração de mais energia em cada ciclo de combustão, gerando mais trabalho mecânico com a mesma quantidade de combustível. A dor de cabeça para FIA e F1 é que estas unidades de potência teriam atingido um ponto de desenvolvimento que não havia tempo hábil para estar totalmente nas conformidades para a primeira etapa da temporada, o GP da Austrália, marcado entre os dias 6 e 8 de março.
A possível brecha estaria apoiada no fato de que a FIA, por regulamento, mede a taxa de compressão com o motor a frio, quando a unidade não está em operação. A concorrência, no entanto, se apoia no Artigo C1.5, que determina que os “carros de F1 devem cumprir integralmente os regulamentos em todos os momentos durante uma competição”.

Em entrevista à agência de notícias Reuters, Tombazis minimizou a polêmica envolvendo os motores, mas indicou que espera que a reunião entre FIA e equipes desta quinta-feira resulte em um consenso, evitando que os resultados da F1 2026 sejam decididos nos tribunais.
“A competição leva as pessoas a considerarem válidas apenas as próprias convicções, sem prestar atenção aos argumentos dos outros. Todos acreditam que seu ponto de vista é a única verdade, mas infelizmente as coisas nunca são tão simples, e é aí que entramos para esclarecer esses aspectos”, afirmou Tombazis, ao comentar o papel da FIA no episódio.
“De qualquer forma, não acredito que seja um tema tão importante quanto vem sendo tratado pela mídia. A reunião não é um acerto de contas. Vamos discutir alguns méritos técnicos do assunto e acredito que tudo vai correr bem. É uma prioridade absoluta garantir que não haja controvérsias, porque queremos correr e não ficar sentados em um tribunal depois da primeira corrida”, completou o dirigente da FIA.
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